A Comissão Especial para Acompanhamento dos Problemas da Santa Casa realizou a primeira audiência pública nesta sexta-feira (10), para iniciar os debates sobre possíveis soluções para a falta de leitos, a escassez de recursos e a dívida crescente do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
A Comissão composta pelos vereadores Athayde Nery, Dr. Loester, Paulo Siufi, Paulo Pedra, Dr. Jamal, Thais Helena, Alex e Lidio Lopes, foi criada por meio da Resolução nº 1.125/11, aprovada em turno único de discussão na sessão ordinária do dia 31 de maio.
A reunião, que acontece no Plenário Edroim Reverdito, conta com a participação do deputado federal do PMDB-RS, Darcísio Perondi, do deputado federal Geraldo Resende, do deputado estadual Pedro Kemp, do presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), Wilson Levi Teslenco e demais membros da Associação, como Carmelino Rezende, Normann Kallmus, Joelson Chaves de Brito e Percio Ailton Tozzi, além dos conselheiros municipais e estaduais da Saúde.
O médico e deputado federal Darcísio Perondi, presidente da Frente Parlamentar da Saúde, que foi provedor de uma Santa Casa durante 20 anos, condenou a intervenção do Poder Público na Santa Casa de Campo Grande e afirmou que a medida foi um erro, sendo necessário o retorno da administração do hospital aos antigos mantenedores.
Segundo dados apresentados pelo deputado, 52% dos atendimentos feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) são realizados nas Santas Casas do País. “Somente em 2010 o SUS fez mais de quatro bilhões de atendimentos em todo o Brasil. Sou um defensor do SUS, a criação do SUS foi a única reforma que deu certo, mas é preciso investimento e sobretudo gestão”, afirmou Perondi.
O vereador Athayde Nery destacou que a missão da Comissão Especial é consolidar uma nova proposta de gestão com a participação da população, a partir de um envolvimento direto da sociedade civil, para que a administração possa retornar à Associação. “Antes da intervenção a dívida da Santa Casa era de R$ 37 milhões e hoje, após seis anos de intervenção temos uma dívida de R$ 120 milhões, com déficit mensal de R$ 1,2 milhão.
or isso não podemos mais admitir que esta intervenção continue. Sugeriram transformar a Santa Casa em Fundação, para que mais recursos possam ser angariados, mas a verdade é que a Junta Administrativa perdeu a confiança. O que temos que fazer é devolver a administração ao seu curso natural que é a Associação. É preciso fazer um processo de recuperação moral da gestão da Santa Casa”, afirmou Athayde Nery.
De acordo com Athayde, a intervenção na Santa Casa, autorizada pelo Poder Judiciário só poderá ser desfeita por meio de uma decisão judicial. “A partir do que evidenciarmos durante os trabalhos dessa Comissão Especial, podemos desdobrar o tema em uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e dar as indicações necessárias sobre o que pode ser feito para solucionar o problema da Santa Casa”, afirmou.
Ceyd Moreles/Fonte: Câmara Municipal
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