Balas, pirulitos, gomas de mascar, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos industrializados e mais uma série de guloseimas que a criançada adora e não dispensa no lanche da escola, estão com os dias contatos. Foi aprovado na sessão ordinária desta quinta-feira (01/09), com 14 votos favoráveis e dois contrários, o projeto que define normas para a comercialização de alimentos nas cantinas comerciais da Rede pública e instituições privadas de educação básica de Campo Grande.
Conforme o texto da Lei, em substituição a esses alimentos, as cantinas deverão oferecer aos alunos frutas da estação, sucos de frutas, bebidas lácteas, sanduíches naturais e produtos assados. Além disto, para comercializar esses alimentos, os manipuladores deverão passar por um curso de capacitação e a cantina só poderá ser administrada por pessoa "devidamente assessorada em aspectos de alimentação e nutrição".
Para a nutricionista Lidiane Britts, a decisão chegou em ótimo momento, pois, segundo ela, a obesidade infantil é uma assunto que preocupa toda rede de saúde.
A especialista explica que é “alarmante o índice de crianças que entram na adolescência obesas. E quanto mais tarde o diagnóstico, pior fica para mudar o cardápio, pois o organismo já esta acostumado com aquele tipo de alimentação e será difícil começar uma reeducação alimentar de maneira saudável e nutritiva”.
Em uma pesquisa feita neste ano, em parceria entre a Universidade Anhanguera Uniderp e várias escolas públicas da Capital, o resultado foi preocupante. Cerca de 35 a 40% das crianças tiveram o diagnóstico de obesidade. Segundo a nutricionista é certo que no mínimo 80% dessas crianças vão chegar à adolescência precisando tratar da obesidade.
A secretária Danielle Chamorro tem dois filhos em idade escolar. Ela conta que não se preocupa em preparar o lanche para as crianças, pois na escola pública, oferecem o lanche. “As crianças comem o que a escola oferece, mas gostei do projeto, pois é sempre bom criar uma rotina saudável”, enfatizou.
O autor da proposta vereador Cristóvão Silveira alega que o objetivo é primar pela educação alimentar dos alunos e pela qualidade de vida, visando prevenir doenças e melhorar os hábitos alimentares de crianças e jovens nas escolas que oferecem educação básica e nos centros de educação infantil.
O Projeto determina ainda que os manipuladores de alimentos das cantinas deverão passar por curso de capacitação com carga horária mínima de nove horas-aulas, conforme a Lei Municipal nº 3.643, de setembro de 1999. Define o projeto que a capacitação do responsável pela cantina, reconhecida pelo Poder Público e feita por profissional nutricionista, é condição necessária para concessão de alvará de funcionamento do estabelecimento.
"Não basta apenas ensinar os alunos e alunas a comerem alimentos saudáveis. É necessário também adotarmos medidas de proteção, ou seja, ações de caráter regulatório que impeçam a exposição de coletividades e indivíduos a fatores e situações estimuladores de práticas não saudáveis”, afirma Cristóvão Silveira.O projeto aprovado, em dois turnos de discussão, segue agora para sanção do Prefeito.
Dicas para o lanche
Uma opção para a criançada é comer o lanche feito em casa, pelos pais ou familiares. A nutricionista Lidiane indica um pão de forma, integral ou francês, com algum tipo de proteína, que pode ser um queijo ou presunto. A bebida pode ser um suco natural acompanhado de uma fruta. “O ideal é evitar refrigerantes e frituras. Até um bolo é bem vindo. Pode ser de cenoura ou beterrada”, comenta.
Ceyd Moreles
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