Nesta quinta-feira (18), a Santa Casa de Campo Grande promoveu uma coletiva para tratar da demissão do funcionário que favoreceu um paciente na realização de uma cirurgia eletiva em troca de supostos favores e remunerações. A coletiva que contou com a presença do presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Wilson Teslenco, do diretor técnico da Santa Casa, Dr. Luiz Alberto Kanamura.
No início deste mês a Santa Casa demitiu o funcionário João Alberto Soares de Oliveira, 55 anos, por suposto envolvimento em uma rede que atua externamente no SUS (Sistema Único de Saúde), e facilitava o acesso privilegiado de pacientes de cirurgias eletivas por meio de favores e remunerações. O caso veio à tona após um paciente paraguaio ter sido internado ilegalmente no local e realizado uma cirurgia cardíaca.
Durante a coletiva, Teslenco informou que até o momento não há provas que comprovem que esse funcionário recebeu dinheiro para passar o paciente estrangeiro na frente de outros que precisam aguardar para ser atendidos. O presidente da ABCG disse que ele foi dispensado “pois estava fora de sua função e local de trabalho, além disso, ele ajudou o paciente a fazer uma falsa declaração”. “O funcionário ofereceu o próprio endereço para o paciente estrangeiro, por conta da participação dele no caso foi dispensado. Em nenhum momento o acusamos de cobrar pelo serviço”, acrescentou Teslenco.
Foi informado na coletiva que o funcionário só passou o paciente na frente a pedido de três médicos que participaram da cirurgia, um desses médicos, João Jasbik, já foi ouvido e negou que tenha participado do esquema. Todos os envolvidos estão sendo investigados.
A Santa Casa quer investigar agora como o paciente conseguiu entrar e fazer a cirurgia, uma vez que seu caso não era considerado de risco, e ele teria entrado pelo Pronto Socorro. “A questão agora é saber como o paciente entrou, e quem usou desses recursos para colocá-lo lá dentro”.
Será aberta uma Sindicância Administrativa nesta quinta-feira, onde todos os envolvidos na cirurgia do paciente em questão serão investigados. O paciente que foi favorecido já havia procurado um médico para fazer a cirurgia particular, porém, não fez, conforme o diretor técnico da Santa Casa, Luiz Alberto Kanamura, uma cirurgia como a realizada no paciente custaria R$ 40 mil se fosse feita particular.
O presidente da ABCG disse na coletiva que o ‘módus operanti’ está sendo investigado, e inclusive outros funcionários podem estar envolvidos. Internamente está sendo estabelecido outro padrão de conduta, onde não serão tolerados outros casos como este. Todas as medidas administrativas já foram tomadas. “A Santa Casa tem dono, não se faz o que quer, aqui se faz o que está de acordo com a Lei e o que é melhor para a sociedade”, desabafou Teslenco.
Quanto as pessoas que aguardam a tanto tempo para fazer uma cirurgia eletiva e são afetadas com pacientes que se beneficiam passando a frente por pagarem proprina, ou por funcionários que pedem dinheiro ou favores em troca da facilitação da entrada desses pacientes devem denunciar . “A Santa Casa está preparada para apoiar e prestar assistência para pessoa que denunciar”, acrescentou Teslenco.
Outros casos
Durante a coletiva, Teslenco afirmou que há indícios de que haja outros pacientes que foram beneficiados e passaram a frente para realizar a cirurgia, inclusive o mesmo funcionário, João Alberto Soares de Oliveira, seria o facilitador desses pacientes.
Entenda as classificações de risco
Os pacientes que chegam até a Santa Casa não são atendidos por ordem de chegada, e sim por riso, conforme informou Teslenco. Só entra pelo Pronto Socorro os casos classificados como vermelhos, que são casos emergência e não podem esperar pelo atendimento. Esses casos na maioria das vezes chegam até a unidade de saúde pelo Samu (Serviço Atendimento Médico de Urgência). Os pacientes classificados com a cor laranja ou amarelo, são considerados de urgências e podem esperar de 10 a 30 minutos respectivamente. Já os casos classificados como verde e azul também são de urgência, porém podem esperar de 2 a 4h, respectivamente. Os pacientes classificados com a cor branca, que era o caso do paciente favorecido, segundo Teslenco não deveria nem estar na Santa Casa, esses pacientes podem ser dirigir aos postos de saúde 24h.
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Diretor técnico da Santa Casa, Dr. Luiz Alberto Kanamura, e o presidente da ABCG, durante coletiva nesta quinta-feira. Foto: Mariana Rodrigues/MS Repó