O sistema de transplantes de rins em Mato Grosso do Sul, realizado na Santa Casa de Campo Grande, deve ser reativado até o final do mês de janeiro. O compromisso foi feito nessa quarta-feira (10) durante a audiência pública realizada na OAB/MS. Procedimentos do tipo estão suspensos há um ano e cerca de 400 pessoas aguardam na fila, segundo a Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES).
A motivação do debate surgiu após denúncia recebida pela Comissão de Direitos Humanos de que o sistema de transplantes de rins na Santa Casa está paralisado há pouco mais de um ano. Na abertura do evento, o secretário-geral da OAB/MS, Lázaro José Gomes destacou que a Ordem vai encampar essa luta, buscando e cobrando do poder público a solução da difícil realidade dos renais crônicos enfrentada em MS. “A OAB não só representa a classe, como também os interesses dos cidadãos”, ressaltou.
“Há 400 renais crônicos na fila aguardando a cirurgia. Muitos não têm condições financeiras e nem plano de saúde para buscarem auxílio em outro estado, pois o governo federal disponibiliza apenas a passagem de ida e uma ajuda diária de R$ 25,00”, comentou a presidente da Comissão de Assistência à Cidadania da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), Tatiana Marques Garcia, responsável pela denúncia na OAB/MS.
Em novembro, membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS reuniram-se com a diretoria da Santa Casa para averiguarem a possibilidade da reativação do sistema. O diretor técnico da unidade, Luiz Alberto Kanamura, disse durante a audiência, que estrutura e equipe estão prontas para que as operações voltem a ser feitas, no entanto o problema está na redução da equipe, que segundo ele, conta hoje apenas com um nefrologista e são necessários pelo menos dois profissionais. “O procedimento não é complicado, mas sim o pré e o pós-operatório, pois tem muitas intercorrências e um médico só não da conta da demanda”, comentou Kanamura.
No debate alguns pacientes relataram as dificuldades enfrentadas atualmente. Marcia Antunes, representante da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados de Mato Grosso do Sul (Recromasul), espera que a situação seja resolvida o quanto antes. Na luta por um rim e devido a paralização em MS, optou por buscar o órgão em outro estado. “Tentei aqui e fiquei um ano esperando. Agora busquei atendimento em São Paulo, lá a fila é grande, mas tem chances de conseguir. Estamos na expectativa que os transplantes voltem a ser feitos aqui”.
O Secretário Municipal de Saúde Pública, Jamal Mohamed Salem, se comprometeu em resolver a questão da falta de profissional na Santa Casa, cedendo à equipe um nefrologista do município, que em 30 dias estará habilitado pela Santa Casa para já começar a trabalhar. Após a discussão ficou firmado o compromisso de que nesses 30 dias será encaminhada a agenda com as datas dos transplantes.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS vai acompanhar o trâmite. “Vamos acompanhar e, caso não haja cumprimento, iremos adotar as medidas necessárias”, finalizou a advogada Neyla Ferreira Mendes.
Da Redação/Informações OAB-MS
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