Após ouvir os depoimentos dos dois acusados pela morte da estudante de direito Mayana de Almeida Duarte, em acidente ocorrido em 2010, o promotor Douglas Oldergardo Cavalheiro dos Santos pediu a condenação de Anderson de Souza Moreno por homicídio doloso qualificado (dolo eventual, quando a pessoa assume o risco). Já em relação ao Willian Jhonny de Souza Ferreira, foi pedida a condenação por crime de racha, com agravante por ele ter previsto a possibilidade de ocorrer uma tragédia.
Em depoimento, Willian disse que reduziu a velocidade ao imaginar que pudesse provocar algum acidente, enquanto que Anderson seguiu em alta velocidade, furando os semáforos até causar a colisão com o carro de Mayana.
Após o pedido do promotor pela condenação de Willian em crime de pena mais branda, o réu se emocionou mais uma vez, chorando.
O promotor sustentou em suas falas a contradição de depoimentos de Anderson. As qualificadoras apontadas pelo promotor são de motivo torpe, por ser uma morte resultada de racha, "o prazerzinho da velocidade" como ele citou, e também pela vítima não ter tido oportunidade em se defender, pois foi supreendida pela colisão.
Mostrando imagens de mapas, e informações colhidas na perícia, o promotor buscou evidenciar ao júri a irresponsabilidade do réu Anderson, e citou a participação de Willian mais especificamente no final de sua fala. Willian responde pelo crime em liberdade, apenas Anderson teve prisão preventiva decretada, para garantia de ordem pública.
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O diferencial na fala do promotor nesta manhã foi a participação das amigas de Mayana na investigação da morte da jovem. Ele citou fotografias que uma das amigas conseguiu identificar Anderson bebendo no bar não uma lata, como ele disse, mas sim garrafas de cerveja.
Em outra ocasião de seu discurso, o promotor também falou de informações que as amigas encontraram no Orkut do réu e de seus amigos. Após ter conhecimento de que o rapaz teria apagado todos os recados do dia anterior até quatro meses antes do acidente, a Justiça pediu a empresa Google que pudesse levantar estas informações excluídas para análise.
Um dos recados que teria sido apago por Anderson foi citado pelo promotor. “Vamu marca no sabadão tomar umas gelas e tirar um rachas”.
O representante do Ministério Público também falou de uma amiga de Anderson que o defende fielmente. Ele disse que esta jovem teria entre várias comunidades que falam apologia ao crime racha, uma chamada “Eu não rebaixo, eu tiro a mola”. Neste momento, o promotor acabou arrancando risadas das pessoas presentes.
O julgamento continua nesta tarde, e o resultado, com os votos do júri popular, deve ser sentenciado ao fim do dia.
Karla Lyara e Ana Maria Assis
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Promotor em seu pronunciamento (Foto: Ana Maria Assis)