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Trânsito

Crescimento na frota e bebida alcoólica entre as principais causas de acidentes no trânsito

20 abril 2012 - 13h03 Por Markito

O crescimento na frota de veículos em todo o Estado, o consumo de bebida alcoólica, o abuso na velocidade, a imprudência e o desrespeito à sinalização são as principais causas de acidentes no trânsito, conforme apontou o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, durante audiência pública na Assembleia Legislativa nesta sexta-feira (20), como parte do seminário "Crimes de Trânsito". “Todos esses fatores aliados uns aos outros trazem sérias conseqüências para a sociedade. É preciso mudança de postura dos motoristas e pedestres para não causar danos a si e a terceiros”, disse Jacini.

Segundo o secretário, algumas das principais vias de Campo Grande já não estão conseguindo acompanhar o aumento de veículos em circulação. “De 2007 até 2011 dados da Companhia Independente de Policiamento do Trânsito (Ciptran) apontam que só na Capital o número de veículos cresceu em torno de 150 mil e em todo o Mato Grosso do Sul as estatísticas chegam à casa dos 400 mil. Isso inclui tanto os transportes de duas quanto de quatro rodas. Contudo, nossas ruas continuam do mesmo tamanho e muitas delas já não se tem como ampliar”, disse o secretário.

Só no ano passado foram registrados no centro da Capital 166 acidentes. “O maior número de acidentes é registrado na região central justamente porque ali se concentra a maior movimentação de pessoas, mas isso não significa que nos bairros periféricos não haja ocorrências”.

A postura do pedestre ao atravessar as ruas e a redução de 30% na procura por transporte público no Brasil em razão do descontentamento da qualidade dos serviços prestados também foram outros pontos discutidos.

O caminho apresentado pelo titular da Secretaria de Justiça e Segurança Pública para minimizar os problemas são a reeducação dos condutores e a revisão de leis que normatizam o trânsito. “Nossa legislação é permissiva. Os meios de provas são apenas dois: alcoolemia e exame de sangue, e se a pessoa se recusar, não faz. Isso torna as provas muito fracas, impede o juiz de aplicar uma medida punitiva mais eficiente. É preciso mudar a legislação para que outros tipos de provas sejam aceitos. Muitas pessoas têm certeza da impunidade”, explica o secretário.

 Dados do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentados no seminário mostram que os acidentes de maior gravidade são mais frequentes com jovens. Do percentual geral, 33% das ocorrências envolvem condutores na faixa dos 18 a 25 anos de idade. Enquanto que de 35 a 55 anos esse percentual fica em 11%.

Balanço geral

Ao longo do seminário “Crime no Trânsito”, Wantuir Jacini mostrou aos participantes o balanço de 2011 das fiscalizações feitas pela Ciptran em Campo Grande que confirmam o grau de imprudência de muitos motoristas. No último ano foram contabilizados 36.394 autos de infrações; 5.509 certificados de licenciamento vencidos; 1.386 apreensões de Carteira Nacional de Habilitação (CNHs); 3.935 remoções de motos, 2.285 de carros e 62 de bicicletas. Além disso, houve encaminhamento de 212 motoristas para delegacias de Polícia Civil e a expedição de 550 laudos de alcoolemia.

 “Como boa parte dos crimes de trânsito se enquadra como culposo , que implica menor penalidade, o motorista acredita ser um  bom condutor e que por isso está imune. É preciso aprimorar a cultura de obediência no trânsito e para isso devemos continuar com as campanhas contra o álcool e abuso de velocidade, além do apoio à Lei Seca.”

Ao fim do seminário o secretário de Justiça do Estado propôs à Assembleia Legislativa que seja levada a Câmara Federal a sugestão de se criar uma proposição que estabeleça às empresas produtoras de bebidas a obrigatoriedade de cooperar com projetos e campanhas de (re)educação no trânsito. A intenção é que as indústrias apliquem um percentual em dinheiro nas campanhas das esferas federal, municipal e estadual, semelhante ao que já vem sendo trabalhado com as indústrias de cigarros. O deputado estadual Junior Mochi, propositor da audiência pública, ficou de estudar a proposta e a forma de encaminhá-la para discussão em Brasília.

Helton Verão/Com informações do Governo do Estado

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