
Advogado por profissão, apaixonado em lecionar e com vocação para a política, José Carlos Barbosa, presidente da Sanesul, empresa responsável pelo abastecimento de água e esgoto em 68 municípios de Mato Grosso do Sul, conseguiu nos últimos quatro anos, levantar a autoestima de uma das maiores empresas do Estado, e de seus mais de mil funcionários. Com investimentos que ultrapassam R$ 400 milhões, em saneamento básico, José Carlos tem ainda um desafio para os próximos quatro anos de gestão, alcançar o índice de 60% em cobertura de saneamento nas cidades em que é responsável pelos serviços.
José Carlos Barbosa mudou-se do estado de Goiás, para a cidade de Angélica, no interior de Mato Grosso do Sul, ainda na infância, onde concluiu a 4ª série primária, em 1975. Já em 1982 prestou vestibular para o curso de direito, em Dourados. O curso foi concluído em 1988. Trabalhou na prefeitura de Angélica, sendo um dos primeiros funcionários da administração pública do município. O reconhecimento pelo amor a cidade veio nas urnas, quando José Carlos foi eleito prefeito do município aos 23 anos de idade, sendo, na época, considerado o mais jovem prefeito eleito do Estado. Foi nesse período que o então parlamentar conheceu o atual governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. Parceria e amizade construídas e consolidadas ao longo de todos esses anos.
Durante uma conversa descontraída, na sede da Sanesul, em Campo Grande, José Carlos Barbosa falou ao MSREPÓRTER sobre os desafios dos últimos quatro anos de administração à frente da empresa e também dos projetos para o interior do Estado, até 2014, onde os investimentos devem ultrapassar o valor de R$ 1 bilhão.
MSREPÓRTER: O senhor sempre esteve envolvido com o meio acadêmico e a advocacia. Como ocorreu o convite para ficar à frente da Sanesul? Quais eram os desafios na época?
Em 2007, surgiu o convite por parte do governador André Puccinelli, e era um desafio muito grande porque a preocupação era justamente o fato de não ser do meio político. Eu imaginava que para trabalhar na Sanesul teria que ter o perfil de um engenheiro, e o governador disse o perfil ideal seria de um gestor. Eu decidi encarar o desafio e me surpreendi positivamente, porque fui muito bem recebido e durante esse tempo tenho conseguido fazer um bom trabalho.
Outro desafio era recuperar a autoestima. A Sanesul atravessava um período de muita turbulência, de grande dificuldade financeira, enfrentando percalço judiciário, prejuízos, e a autoestima dos funcionários estava muito baixa. A preocupação era mostrar que era possível recuperar a empresa e a Sanesul teve uma recuperação incrível.
MSREPÓRTER: Como foi feito esse trabalho?
Nós conseguimos fazer exatamente esse engajamento dos empregados da Sanesul nesse processo, não só em Campo Grande, mas no interior também de fazer as pessoas acreditarem na empresa. Hoje temos uma empresa que tem um conjunto de técnicos muito grande e tem um grupo de funcionários muito apaixonados pelo que faz. E os números da Sanesul, os investimentos o avanço ao longo desses anos não é um trabalho somente do presidente ou da diretoria, mas um trabalho conjunto dos funcionários. A empresa existe pelo estado e para o estado. Por isso temos conseguido números positivos, não só com recursos federais, mas também com recursos da própria empresa. Temos 1.068 empregados que participam do plano de cargo e reajuste salarial, inclusive os reajustes foram acima da inflação. Também existe gratificação para quem atinge metas. Existe o trabalho da modernização de gestão, ou seja, quando começamos, a Sanesul tinha sete regionais no estado, hoje são dez, sendo que as mais novas estão em Jardim, Paranaíba e Ponta Porã.
MSREPÓRTER: Quanto já foi investido nesses quatro anos e qual o reflexo disso no desenvolvimento da empresa?
Quando se fala em quatro anos de obras concluídas ou obras em andamento, falamos de investimento de R$ 420 milhões. Boa parte considerável desse recurso, podemos falar em metade, é proveniente da própria Sanesul e do Governo do Estado. São recursos próprios ou financiados, sendo que antes de 2007 a empresa não tinha nem capacidade de endividamento, e hoje isso é possível. Considerando que a Caixa Econômica Federal é muito criteriosa, temos orgulho de dizer que a análise de risco da Sanesul está credenciada junto ao banco com conceito A em nível de governança corporativa, e de gestão e resultados. A Revista Exame também coloca a Sanesul como terceira empresa do MS. Tudo isso é um estímulo e um desafio, para fazer desse segundo governo, melhor do que o primeiro.
Ao longo de quatro anos foi realizado o maior investimento da história do Estado. Esse é o Governo que mais investiu em esgoto, em tratamento de água. São investimentos em todos os setores, como aquisição de equipamentos, veículos, caminhões, retro escavadeiras, utilitários. São quase 200 veículos adquiridos em quatro anos, mais do que a frota encontrada aqui em dezembro de 2006.
MSREPÓRTER: Como é o trabalho da Sanesul nos municípios de atuação?
A Sanesul trabalha em duas frentes. Nós operamos água e esgoto em 68 municípios, 123 localidades. Excluindo Campo Grande, temos as maiores cidades como Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Navirai e Nova Andradina. Então há dois aspectos importantes, o primeiro é água. Em todas essas localidades e distritos, quer dizer, os núcleos urbanos operados pela Sanesul, temos universalidades de água, significa que praticamente na totalidade das casas tem água na torneira da Sanesul.
O desafio aqui é que o Estado está crescendo muito então nós precisamos proporcionar que essas cidades continuem a ter água. Exige investimento em produção, perfuração de novos poços ou mudança de captação. No caso, é que estamos fazendo em Aparecida do Tabuado porque a captação de lá é do rio que já assoreou e não suporta mais por conta do crescimento da cidade. Então precisamos de um grande investimento para mudar essa captação para o rio Paraná, mais distante, mas com volume de água muito maior. Isso implica em perfuração de poços.
Precisa haver também investimento na questão de reservação, a cidade começa a crescer muito e então você tem os reservatórios consolidados para um planejamento de 20 anos, quando passa esse período a cidade cresceu e de repente começa a crescer para pontos mais altos do nível de reservatório. É justamente quando começa a faltar água nos reservatórios, como é o caso de Corumbá. A cidade tem um problema de abastecimento de água exatamente porque a cidade cresceu muito e ao longo dos últimos anos não foram realizados investimentos. Os grandes investimentos que Corumbá recebeu foram na década de 60.
Corumbá é uma parte turística do Estado por conta do Pantanal, e tinha zero de coleta de esgoto, de tratamento de esgoto, não tinha nada. Todo esgoto de Corumbá sem nenhum tratamento. Fossa não funciona, significa que o esgoto de Corumbá estava sendo mandado direto para o rio Paraguai, pela rede de drenagem. O trabalho começou logo no início de 2007, encaminhos o projeto para o PAC e conseguimos recursos.
A primeira estação de tratamento de esgoto de Corumbá já está em fase de pré-operação, a ETE Olaria, e a ETE Maria Leite está em fase final e deve ser concluída nos próximos meses. Hoje estamos nos aproximando de 40% de cobertura da cidade. Até o final do segundo governo 2014, estaremos com índice superior a 80%. Caminhamos já para em 2011 com índice de cobertura de 60%.
Em Corumbá ainda existe uma particularidade, pois o solo é rochoso, e é preciso usar explosivos para escavar as valas em que são colocados os tubos de esgoto. Com isso, o trabalho fica mais devagar. O serviço que em uma rua normal leva três semanas, o mesmo tamanho leva três meses em Corumbá, para ser concluído.
Dourados também houve muita evolução, saímos do índice de 13% de cobertura de rede de esgoto no fim de 2006, para hoje atingirmos 50%. Três Lagoas saindo de 19% no mesmo período e já passou de 50% também. Ponta Porã que também praticamente não havia nenhum serviço de tratamento de rede esgoto, já estamos com índice superior a 40%.
Douradina também deve ficar com índice acima dos 80%, ou seja, a empresa trabalha e se preocupa também com as pequenas cidades. Para isso agora tem uma seleção do PAC II para cidades com menos de 50 mil habitantes. A Sanesul credenciou junto ao governo federal R$ 570 milhões em projetos, não sabemos se vamos conseguir, mas é o primeiro passo para se conseguir recurso para investimento em cidades com menos de 50 mil habitantes.
MSREPÓRTER: Para atingir metas, é preciso mais recursos. Qual estratégia será usada para isso?
Tivemos um plano para os quatro primeiros anos e agora produzimos também um plano estratégico para os próximos anos. A empresa precisa ter um bom planejamento, se organizar. Houve planejamento para o primeiro mandato e ele serve de base para o segundo. Ele traça os caminhos, os roteiros para que a empresa possa encerrar o ano com índice de cobertura no Estado de 60% de esgoto, que é a nossa meta.
Se conseguirmos isso, o Estado saí de -10% em janeiro de 2007 (de cobertura) para fechar oito anos de governo com mais de 60% de cobertura no Estado. E ultrapassar os investimentos de R$ 1 bilhão de reais até dezembro de 2014.
A média de investimento da Sanesul antes de 2007 não ultrapassa 12 milhões, por ano.
MSREPÓRTER: O senhor acredita que esse resultado também faça parte de um bom trabalho político?
Com certeza, o apoio da bancada federal foi fundamental. Em primeiro lugar a determinação do governador André Puccinelli em investir em saneamento, até por uma questão de saúde pública. Quando nós falamos em saneamento, históricamente, políticos de uma maneira geral, abominavam esse tipo de investimento porque é um investimento caro.
Quando se está executando ele provoca transtorno na cidade, porque corta calçadas, avenidas, e depois de pronta, não aparece. Porque você enterra cano, o resultado não é visível. Diferente de obra de asfalto, escola, praça, que todo mundo enxerga. A obra de saneamento fica enterrada. Onde que aparece os investimentos? Na saúde. A curva é proporcional aos investimentos com a saúde.
É comprovado que quanto maior o investimento em saneamento, menor os gastos com saúde pública. Investir em saneamento é investir em saúde. Qual é a diferença? O governador André é médico, e entendeu essa problemática. Então houve determinação do governador para que todos os recursos do PAC I fossem mandados para saneamento.
O apoio político surgiu exatamente porque conseguimos inserir Corumbá, Ponta Porã e Dourados no projeto, onde Corumbá foi uma quebra de paradigmas, porque o PAC era somente para cidades acima de 150 mil habitantes. Então somente Dourados teria direito. Por meio de um trabalho com o senado federal, colocamos Corumbá e Ponta Porã.
MSREPÓRTER: O reflexo do resultado do seu trabalho esbarra na política. Existe alguma pretensão de candidatura para o futuro?
No momento a minha preocupação central é fazer um bom trabalho administrativo na Sanesul. Mas é claro que quando se faz um trabalho administrativo, se faz um trabalho político também. Então se surgir a oportunidade política, que essa oportunidade surja pelo trabalho. Eu tenho uma vocação muito maior pelo executivo. Moro em Dourados. Então estou aberto a possibilidades políticas, mas que essa possibilidade surja, se eu tiver as bênçãos do meu governador André, obviamente que como cidadão douradense eu estou à disposição da política.
MSREPÓRTER: Como ficaria a vaga da Sanesul se teoricamente a vaga é do DEM?
Eu não tenho preocupação porque na verdade essa vaga da Sanesul, não é uma vaga de partido. É uma vaga criada e proporcionada pelos mesmos vínculos políticos, mas por conta da minha história com o governador André. Uma história de mais de 20 anos. E o que me credencia a ficar na Sanesul não é o aspecto político, mas sim, o trabalho. É importante ter apoio político e aqui dentro da empresa a gente procura atuar no sentido de atender a todas as forças políticas. Obviamente você não atende uma tendência política de um político de um deputado. A Sanesul atende os interesses do Estado.
Não existe pressão, tanto que tenho grandes amigos dentro do Democratas, como tenho com governador. Não tenho apego ao cargo. Sou advogado e professor universitário, então a presidência da Sanesul é uma passagem temporária, ninguém é dono de cargo. Estou aproveitando a oportunidade para fazer amigos dentro da empresa, dentro do Estado, e fazer um bom trabalho. Se eu sair amanhã da Sanesul, saiu com a certeza do dever cumprido. Tranquilo e satisfeito. Até o dia de hoje procurei fazer um bom trabalho.
MSREPÓRTER: Por falar em bom trabalho, a Sanesul terá sede própria em 2012.
Isso também é uma conquista. Nunca tivemos sede, o prédio é alugado. A nova sede será quase em frente ao Shopping Campo Grande. Estamos em fase de projeto, mas até meados do ano que vem, estaremos mudando.
Ceyd Moreles
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