Menu
Busca sábado, 15 de agosto de 2026
Entrevistas

Historiador fala da evolução da Cidade Morena nos seus 112 anos

25 agosto 2011 - 19h00 Por Markito

Foto: DivulgaçãoA ligação com a história unida à literatura de Paulo Coelho Machado e Acyr Vaz Guimarães formou um dos maiores historiadores de Campo Grande, Hidelbrando Campestrini, que hoje é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

Campestrini em 1960 pôde quebrar o tabu que grandes centros tinham com a região do antigo Mato Grosso, de que onças e jacarés transitavam pelas ruas. De lá pra cá, acompanhou diversos fatos importantes que contribuíram para o desenvolvimento da atual Capital sul-mato-grossense, que completa hoje seus 112 anos.

O MSREPÓRTER entrevistou, por e-mail, a pedido do próprio Hidelbrando Campestrini, que há 51 anos é um dos figurantes da trajetória da nossa querida Cidade Morena.  . Autor de obras como “História de Mato Grosso do Sul” de 2009; “Breve Memória da Justiça Sul-Mato-Grossense” de 1987 e “Mato Grosso do Sul – Conflitos Étnicos e Fundiários” também de 2009, ele nos conta um pouco de sua vivência.

MSREPÓRTER: Desde quando o senhor mora em Campo Grande? E qual o motivo da mudança para a Capital sul-mato-grossense?

Moro em Campo Grande desde fevereiro de 1960. Cheguei a Campo Grande num grupo de seminaristas maiores, vindos de São Paulo, onde estudávamos. Vim, gostei e fiquei, dedicando-me ao magistério. Já são mais de cinquenta anos de sala de aula.

MSREPÓRTER: Sexta-feira (26), Campo Grande completa 112 anos como foi essa evolução da cidade?

Quando cheguei, a cidade era formada pelo quadrilátero central e mais alguns poucos bairros, principalmente o Amambaí. Na década de 60, com a verdadeira explosão agrícola provocada pelos sulistas que aqui se estabeleceram, a cidade iniciou uma época de acentuado desenvolvimento, pois abastecia todo o sul do então Mato Grosso. Na década seguinte, em vista da irreversível criação do Estado de Mato Grosso do Sul, a população cresceu vertiginosamente. Na década de 80, foram construídos grandes núcleos habitacionais como as Moreninhas e a Coophavila. Atualmente, temos uma surpreendente expansão imobiliária, com a construção de conjuntos das chamadas “casas populares”. Embora mais antigo, só nos últimos anos estamos testemunhando o esforço eficaz do poder público no sentido de industrializar a cidade.

MSREPÓRTER: Qual a primeira impressão de quando chegou na cidade?

A primeira impressão foi muito boa, porque constatei que não havia onças na rua, jacarés nos córregos da cidade e muito menos índios perambulando pelas praças – informações que circulavam, à época, fora do Estado. Era uma cidade pacata, trabalhadora, mercantilista, com deficiência grave de energia elétrica. E ainda com pouquíssimos bairros. Um traço significativo era que as pessoas se conheciam; quem andava pela rua encontrava muitos amigos e conhecidos. Hoje, quem passa pela rua é mais um, absolutamente desconhecido.

MSREPÓRTER: Quais os fatos marcantes no campo político e cultural que presenciou?

No campo político, o acontecimento mais importante foi, sem dúvida, a criação do Estado de Mato Grosso do Sul e a conseqüente elevação de Campo Grande a capital do Estado.

No campo cultural, o início dos cursos superiores: primeiro, a Faculdade “Dom Aquino” de Filosofia, Ciências e Letras (hoje Universidade Católica Dom Bosco); depois o Instituto de Ciências Biológicas (depois Universidade Estadual e hoje Universidade Federal); a seguir, o Cesup (depois Uniderp e hoje Ahanguera).

No plano geral, a consolidação de Campo Grande como centro geográfico, demográfico, político e econômico de Mato Grosso do Sul.

MSREPÓRTER: Qual a relação da Capital com as cidades interior?

Campo Grande como é o centro econômico do Estado, naturalmente parte das economias de pessoas do interior é aplicada aqui, principalmente em imóveis. Quanto aos municípios, o que ocorreu e ocorre é o contrário: Campo Grande é que contribuiu e contribui com o progresso de outros municípios. Só para exemplificar: em 1920, o município de Campo Grande tinha uns cem mil quilômetros quadrados; hoje tem pouco mais de oito mil. Dele se formaram vários municípios, como Rio Brilhante, Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, entre outros.

MSREPÓRTER: O senhor acompanhou o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Quais as áreas que mais se desenvolveram aqui?

Campo Grande tem vocação para cidade mercantil (comércio) e de prestadora de serviços (educação, saúde, profissões liberais). Nestas áreas vem crescendo, sem dever nada às cidades mais desenvolvidas. A industrialização ainda está deficiente, até por falta de mão de obra especializada e aculturada.

MSREPÓRTER: Qual fase que considera como mais marcante nesses 112 anos da Cidade Morena?

Há dois momentos bem marcantes: o primeiro ocorreu com a chegada, da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1914, deslocando o centro comercial do sul de Mato Grosso uno de Corumbá para Campo Grande; o segundo, com a criação do Estado, quando Campo Grande, por ser capital, atraiu muita gente. Naqueles anos a cidade chegava a crescer a quase 10% ao ano, algo incontrolável pelo poder público, o que permitiu o surgimento de mais de cento e cinquenta favelas. Com o declínio daquele crescimento vertiginoso, foi possível, graças à vontade política, erradicá-las todas.

MSREPÓRTER: Como Campo Grande está no ranking nacional das Capitais do Brasil?

Campo Grande está entre as capitais estaduais de melhor qualidade de vida. Há bons serviços de saúde, de educação, de profissionais liberais, de abastecimento, de segurança e mobilização urbana, além do acesso fácil (principalmente por via aérea) a todas as partes do Brasil. São numerosos os aposentados que escolheram Campo Grande para viver a terceira idade.

 

Helton Verão

Leia Também

Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Projeto de IA do Detran-MS
Detran-MS alerta sobre golpe:
Detran-MS alerta sobre golpe: