Elaborar leis, fiscalizar a atuação do prefeito, representar diretamente a população, esse é o papel que exerce uma Câmara Municipal. Ser vereador requer responsabilidade, tarefa ainda mais difícil quando você é eleito para presidir uma Casa de Leis. Na entrevista da semana, o MSREPÓRTER conversou com o campo-grandense, pai de três filhos, médico da família, vereador e presidente da Câmara, Dr. Paulo Siufi.
Formado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Siufi nasceu em 27 de fevereiro de 1964 e entrou para a política em 2003. Atualmente além de vereador, atende em seu consultório particular e apresenta o programa de televisão exibido pela TV Campo Grande (filiada ao SBT), “Médico da Família”.
O vereador nos recebeu em sua sala na presidência, onde diversas placas com votos de congratulações e certificados recebidos fazem parte da decoração do ambiente. Siufi, que é pré-candidato a prefeito de Campo Grande falou sobre como está a relação entre o legislativo e o atual prefeito Nelson Trad Filho, fez um balanço de seu trabalho à frente da Câmara e também citou as possibilidades de alianças na acirrada eleição de 2012.
MSREPÓRTER: Quando o senhor começou a se interessar pela política?
O meu interesse foi um convite que recebi do Dr. André Puccinelli e do Dr. Nelsinho Trad. Na época um era prefeito de Campo Grande e outro estava postulando ser prefeito, visto que ele era deputado estadual. Quando eles me fizeram esse convite, eu imediatamente recusei, por não achar que fosse realmente a minha praia, eu sou da medicina, pediatra, médico de crianças e adolescentes.
Mas a insistência deles foi que eu tinha perfil, já que eu gostava da parte da assistência social. Nós temos uma creche que somos colaboradores, o Ceinf Paulo Siufi. Então em aceitei o desafio em 2003.
MSREPÓRTER: Em relação ao desafio que levou o senhor ao comando da Câmara de Vereadores, como classifica sua atuação como presidente?
O desafio maior foi aglutinar os 21 vereadores em torno da presidência. Como toda a população sabe, existem correntes partidárias, partido de situação, partido de oposição, e cada vereador pertence a um quadro, tem suas ansiedades e segmentos. E essa aglutinação me causou bastante alegria porque hoje nós temos uma casa descentralizada, participativa, onde todos os vereadores, todos os partidos políticos tem vez e voz.
MSREPÓRTER: O papel dos vereadores é legislar, ou seja, fiscalizar as ações do executivo. Como está a relação entre Câmara e Prefeitura?
Uma relação de independência, mas de construir juntos. Eu sempre fui muito claro quando disse que críticas dever ser feitas de uma forma construtiva. O papel do vereador é fiscalizar e indicar, ou seja, mostrar caminhos para que o executivo possa acertar e que o benefício seja da população campo-grandense. Hoje esse relacionamento é salutar. Nós estamos tendo muitas emendas pelos parlamentares, independente de serem situação ou oposição. Esse relacionamento é permitido justamente porque aqui é uma casa independente, mas com consciência e responsabilidade do seu papel.
MSREPÓRTER: O prefeito tem atendido as reivindicações da Câmara?
O prefeito consegue atender nossas reivindicações através de nossas emendas orçamentárias, conseguiu enxergar através dos conselheiros regionais, as necessidades de cada região, e quem saiu ganhando com isso foi a população, que no momento primeiro momento estranha quando paga seu IPTU e não vê as obras. Hoje não, nós estamos pagando o imposto e estamos vendo as melhorias.
MSREPÓRTER: Na visão do senhor, como está a estrutura da Capital hoje?
Eu acredito que Campo Grande merece os aplausos de todos nós, homens públicos e populares dos diversos bairros, porque nós estamos atendendo a maioria dos bairros. As obras e melhorias estão chegando aos mais próximos, mais distantes, os que têm renda familiar melhor e os que têm renda menor. O que é importante hoje pra nós é Campo Grande na totalidade.
MSREPÓRTER: Quais os principais projetos de sua autoria aprovados pela Câmara?
Nós temos projetos todos voltados para melhoria da cidade. Mas, temos projetos de lei que vão modificando a forma como o popular vive e se porta em Campo Grande. Tivemos há dois anos aprovada a Lei Ante Fumo de minha autoria, que foi um ganho para todos, tanto na parte da saúde, quando no meio ambiente e qualidade de vida.
Agora nós temos o projeto que proibi o consumo de bebidas alcoólicas nas conveniências. E isso vai favorecer a população porque vão diminuir os acidentes de trânsito, traumáticos e violentos, que levam inclusive à morte, por aqueles que bebem e saem dirigindo suas motocicletas ou automóveis. É um projeto polêmico, mas se faz necessário.
Temos um projeto que foi aprovado do videomonitoramento da cidade, que é de grande valia. Você hoje começa elucidar, inibir aqueles que querem fazer maldades ou ações que não são legais, para que a cidade possa voltar a ter segurança, tanto no trânsito, quanto no ir e vir de cada cidadão.
MSREPÓRTER: O senhor é pai de três filhos e bastante conservador, qual sua visão em relação ao papel da família na formação do caráter de um adolescente?
A família tem que ter sua responsabilidade. O que acontece é que muitas abdicaram dessa responsabilidade e transferiram para terceiros. Quem são os terceiros? Deveria ser a escola, mas na grande maioria não são os professores, os mestres, os educadores, são os amigos, os jovens. Aí você conhece que essa indicação errada, se um cai no buraco, ele quer levar o outro. Isso tem acontecido com as drogas e com a sexualidade. Nós temos que resgatar esse poder que a família tem.
Você como pai ou como mãe tem a obrigação de cuidar, orientar e educar o seu filho, não é transferir esse dever par outro. Por isso temos já no Brasil algumas decisões judiciais que condenam pais que transferiram essa responsabilidade. Hoje nós temos filhos de pais vivos que são órfãos, porque mal conversam com eles, por isso que estão soltos por ai.
Como exemplo temos recentemente o estupro, se é que podemos chamar de estupro, daquela menina de 13 anos que 3h da madrugada estava em uma festa e disse pra mãe que ia dormir na casa de uma amiga, quer dizer, a mãe dela não conferiu, não sabia quem era essa amiga. Temos também o caso do Congresso do Bulimento, que os jovens matavam aula para se encontrarem. Cadê os pais desses adolescentes? Eles sabiam que eles estavam faltando às aulas? Sabiam que esses jovens usavam drogas e estavam cometendo sexo por sexo de uma forma selvagem? Quer dizer, houve uma falha educacional, e não se pode impetrar só a escola essa falha. Essa falha ocorreu primeiro dentro de casa.
Então a família tem que ter um resgate daquilo que lhe é concedido pelo poder de ser pai e mãe. Porque quem educa primeiro é pai e mãe, depois sim vem escola, outros segmentos, grupos religiosos, e aí começa a disseminar aquela teoria de que tudo aquilo que é para o bem dever ser valorizado na educação dos jovens.
MSREPÓRTER: Qual o objetivo do “Médico da família”? O senhor considera que o público absorve a ideia passada pelo programa?
O programa é para levar informações na área da saúde às mães, a terceira idade, para quem tem problemas de pressão, de coração, diabetes. Mostra para crianças um lado educativo e para os jovens a prevenção das drogas, por exepmlo. Então, ele abrange todos os temas, como cidadania, na saúde, nos bons costumes e na qualidade de vida.
Recebemos várias cartas solicitando que o “médico da família” possa ir até as residências não só da Capital, como do interior. O programa leva a prevenção, com dicas fáceis e caseiras. Pessoas que passam pelo Estado e assiste, perguntam se não tem como passar em rede nacional. Se tivéssemos em cada Capital ou em cada cidade do Brasil, um programa levando informações de prevenções, de cuidados, de higiene, de situações que você pode evitar acidente, nós teríamos um país com menos gasto na saúde.
MSREPÓRTER: O que o senhor vai levar em consideração para concorrer ou não como candidato a prefeito de Campo Grande?
Eu sou pré-candidato a prefeito de Campo Grande pelo PMDB. Não vou abdicar da minha sigla partidária e sempre honrei com meu partido, como vereador e depois como presidente nesses três anos já de mandato. Acredito que o PMDB hoje pelo potencial que ele tem de homens que estão à frente do executivo e legislativo tanto municipal, como estadual. É muito forte o poder do PMDB em Mato Grosso do Sul. As quatro maiores forças são do PMDB. Então, não tem como o partido abdicar de estar pleiteando a disputa da próxima prefeitura.
Eu sou partidário, participo ativamente e quero estar, se as pesquisas assim determinarem, a frente do executivo numa eleição em 2012.
É claro que eu respeito além das pesquisas, a orientação do governador André Puccinelli e do prefeito Nelsinho Trad. Mas eu entendo que isso tem que passar pelo diretório. O diretório do PMDB é um diretório atuante, participativo, as próprias lideranças, e isso eu tenho sentido em minhas andanças pelos bairros, elas querem uma candidatura nova, com propostas diferentes e eu estou me preparando para isso.
Tenho o apoio de muitos vereadores aqui de Campo Grande e das lideranças de bairros, isso tem sido demonstrado nas pesquisas. Então eu confio em Deus e tenho certeza que a gente vai postular isto e estar disputando eleição o ano que vem num cargo majoritário.
MSREPÓRTER: Caso o governador, que hoje é a maior força política no Estado, decida apoiar o atual deputado estadual Edson Giroto, por exemplo, que é do PR, qual seria a posição do senhor?
Se ele apoiar o Giroto, ele vai ter indicativos para isso. Indicativos de pesquisas, de pluripartidarismo em volta dessa candidatura. Mas ele não pode simplesmente passar por cima de uma sigla, que é a sigla dele, o PMDB. Nós teremos um congresso nacional em Brasília, onde com certeza será discutido eleição 2012, porque essa é a pauta da REM união. E nessa reunião com certeza será discutido Campo Grande também, que é uma Capital do Centro-Oeste que é hoje uma bandeira fincada do PMDB. Das capitais brasileiras, o PMDB aqui no Mato Grosso do Sul é uma referência nacional, porque estamos no poder a mais de 20 anos com a conclusão do mandato do Nelsinho. E, nós queremos continuar.
MSREPÓRTER: O fato do PMDB estar há 20 anos no comando de Mato Grosso do Sul, já não houve um desgaste natural da sigla?
Pergunta a população se as melhorias que o Juvêncio, o André e o Nelsinho trouxeram foram boas. Tanto é que o André saiu com uma popularidade alta. O Nelsinho também tem uma popularidade, que caiu nesse momento de crise. Todo mundo passa por crise, até num casamento existe crise, em relações entre irmãos, amigos, não deveria ser diferente num legislativo ou executivo. Agora, o importante é a recuperação da popularidade e isso o Nelsinho está recuperando. Já demonstra as pesquisas, o apoio popular nas inaugurações e lançamentos de obras. Isso com certeza, ele faz sucessor dele, e o PMDB é uma sigla que não teve um desgaste, porque nós temos o vice-presidente da República. Então nós somos fortes. Se a sigla PMDB e PT não consegue casa aqui é por motivos pessoais. Agora o PMDB é forte a nível nacional, estadual e municipal.
MSREPÓRTER: Quais são as chances do senhor concorrer como vice-prefeito?
Política é dinâmica. Você tem que trabalhar com todas as hipóteses. Eu sou pré-candidato a prefeito. Sempre tenho conversado com o governador e o prefeito, me relaciono muito bem com os pré-candidatos da situação, tanto Giroto, Marun, Edil, Mandetta, Azambuja e o Athayde, que é vereador aqui e não haveria problema nenhum de algum deles vir a ser meu vice ou eu de ser vice deles.
Agora, isso não é uma coisa que é combinada simplesmente e colocada de uma forma engessada para a população. Isso nós temos que ver o clamor do povo, verificar pesquisas e apoios. Eu sou um soldado no exército hoje que o governador e o prefeito têm.
Eu sempre digo, que eu não sou pré-candidato a vice, eu sou pré-candidato a prefeito. Mas quando você é pré-candidato, você entra em uma disputa com outras pessoas, que se tiverem melhores do que eu, não haveria problema nenhum em apoiá-los, em estar numa chapa ou não estar.
Mas, eu gostaria que fossem respeitas algumas particularidades de cada um, o apoio popular e aquilo que a pesquisa mostra, para que eu pudesse ficar com a cabeça tranquila para ir aos bairros e falar, eu não fui escolhido, mas o nosso candidato é esse, nós vamos apoiar. Porque do contrário, eu vou ficar com uma situação ruim com aqueles que demonstraram apoio a minha pessoa.
MSREPÓRTER: A postura do André e do Nelsinho está sendo favorável a sua candidatura?
As coisas às claras nunca causam problema para ninguém. A transparência deve existir em todas as relações, e eu sempre tive isso com o governador e com o prefeito. E tenho certeza que nós vamos disputar eleição em 2012 em um cargo majoritário.
Karla Lyara
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