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Entrevistas

Reeleito, presidente do CREA/MS fala sobre novos trabalhos e a criação do CAU

13 novembro 2011 - 20h00 Por Markito

Jary de Castro e Carvalho, presidente reeleito do CREA/MS com recorde de mais de 90% dos votos, é engenheiro civil graduado em 1985, pela Escola de Engenharia Civil Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro (RJ), com MBA em Gestão Estratégica, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Ele conversou com o MSREPÓRTER e contou um pouco da sua trajetória até chegar ao cargo majoritário de uma instituição.

Nascido em Campo Grande (MS), em 17 de julho de 1960, é filho do professor Arrassuay Gomes de Castro (in memorian) e Maria José de Carvalho e Castro. É casado e pai de dois filhos. Morou em São Paulo, depois foi para o Rio de Janeiro e retornou para sua cidade natal, onde é empresário da construção civil.

Sua ligação com o Sistema Confea/CREA estreitou-se, quando a partir de 1998, passou a integrar o CREA-MS, como conselheiro na Câmara Especializada de Engenharia Civil e de Agrimensura. Foi vice-presidente do CREA-MS, em 2002. Esteve à frente do Instituto de Engenharia de Mato Grosso do Sul (IEMS), ocasião em que idealizou em 2006, o 1º Seminário Sul-Mato-Grossense de Calçadas.

Em 2007 assumiu a presidência do Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), em que permaneceu até o final do ano de 2008, para assumir em janeiro de 2009, a presidência do CREA-MS. Em 2011 foi reeleito coordenador do Grupo de Trabalho Mobilidade Urbana e Acessibilidade do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/CREA.

O presidente nos recebeu um dia após a reeleição e fez um balanço da gestão passada e quais os novos desafios daqui pra frente. Jary também comentou sobre a saída dos arquitetos e a perda na arrecadação com a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o que Campo Grande perdeu por não sediar a Copa de 2014.

MSREPÓRTER: Por que o senhor escolheu trabalhar com a engenharia civil? 

Na verdade eu não tinha uma ideia definida do que eu queria ser, como todo adolescente. Mas ai eu fui pesquisar e eu vi que das profissões, a que tinha mais flexibilidade, por eu não saber o foco que eu queria, se eu queria ser projetista, calculista ou construtor, eu vi que era a engenharia civil era uma profissão abrangente.

MSREPÓRTER: Teve alguém que te inspirou profissionalmente? 

Sempre tive uma visão política da profissão, então eu vi que na época (1975/76) durante o governo do Pedro Pedrossian, a figura dele me chamou atenção, um engenheiro civil bem sucedido, com esse viés político. Então desde a adolescência eu tenho essa visão de tecnologia, com a política, esse casamento é uma coisa interessante. Ele foi uma pessoa que me marcou muito.

Na minha faculdade tinha opção da área de cálculo ou construção civil, eu optei pela área da construção civil, pela capacidade de relacionamento com pessoas. Me dei bem com a convivência com pedreiro e servente.

MSREPÓRTER: Onde o senhor se formou?

Sai em 78, fui morar em São Paulo, de lá fui para o Rio de Janeiro, onde eu fiz a faculdade na Escola de Engenharia Civil Veiga de Almeida.

Voltei final de 85, início de 86. De lá pra cá eu trabalhei como engenheiro autônomo, trabalhei em empresas. Na época que eu formei, a área estava vivendo um momento muito difícil. Aqueles 20 a 30 anos que o Brasil teve de estagnação na área das engenharias.

MSREPÓRTER: E depois dessa época difícil na década de 80, quando vem o “boom” da engenharia?

Isso foi mudar em 2007, daí pra frente que realmente começou o “boom”. Eu vivi todo esse período de dificuldade, mas sempre com amor a profissão, por que eu sempre exerci esta profissão de engenheiro. Década de 80 e 90 trabalhei em várias empresas que construíram prédios aqui em Campo Grande. Eram prédios de alto luxo, tanto residencial como comercial. Em 1991 abri minha empresa, que tenho até hoje, a Teknica Engenharia. Atuo na área da construção civil, alguns na área do saneamento, cascalhamento de estrada, mas o foco é maior na construção civil. Eu e meu sócio nos conhecemos na Brastec.

MSREPÓRTER: E sua relação com o Sindicato da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon)?

Há 12 anos eu me associei ao Sinduscon. Comecei a participar e entender como funciona a política classista. Em 2007 fui eleito o presidente do Sinduscon, no ano que o Brasil acordou para as engenharias. Fui presidente do Instituto de Engenharia de Mato Grosso do Sul por quatro anos.  Passei por todos os cargos que alguém pode passar e participar das políticas classistas.  Graças a Deus consegui chegar à presidência.

MSREPÓRTER: O senhor foi reeleito recentemente a presidência do CREA/MS com uma porcentagem muito boa. Como classifica a relação da profissão com a política?

Agora reeleito, é uma carreira que venho fazendo. Talvez aquela idéia que tive com meus 15, 16 anos de ser engenheiro civil, me proporcionaria fazer política classista, foi concretizada. É aquilo que o que eu gosto, é desgastante, mas é gratificante.

MSREPÓRTER: Com o cargo que o senhor ocupa, existe alguma pretensão política para 2012?

No momento estou focado em ser um bom presidente do CREA/MS.

Quando resolvi ser presidente, eu já vim me preparando para entender como funciona o poder público. Desde que me formei eu trabalhei na iniciativa privada e sei que nela as coisas funcionam de uma forma e na pública de outra.

Em minha gestão à frente do Crea-MS já fiz faculdade, mestrado e doutorado. Agora também estou me preparando para projetos futuros.

MSREPÓRTER: Como estava o CREA quando o senhor assumiu a presidência? E após a primeira gestão quais os planos para essa nova etapa?

O CREA sempre teve bons presidentes, eu sou o 9º presidente dessa casa. Cada um deles fez um belíssimo trabalho. A nossa missão é a interiorização do CREA, aturamos forte na parte administrativa, buscando excelência em atendimento e em normatização.

O CREA/MS é o 4º do país em qualidade. Cumprimos o que prometemos com melhoria na informatização, hoje o conselho é todo informatizado. Desde que assumimos todo ano temos ganhado uma eleição competindo com outros 26 estados do País.

Prova que estamos fazendo um bom trabalho, é a presença do CREA nas faculdades, Ministério Público Estadual e Federal, Policia Federal, bombeiros. Praticamente com todos os municípios, fizemos ramificação do nosso conselho para conquistar nossa missão maior que é proteger a sociedade dos maus profissionais e leigos.

Não adianta nada ficarmos aqui dentro e fazer o nosso “mundinho”.

MSREPÓRTER: Em sua opinião, as mídias sociais contribuem para o fortalecimento do órgão?

Estamos investindo muito na comunicação, pois antes fazíamos muitas coisas e ninguém ficava sabendo. Junto com a assessoria estamos divulgando nas redes sociais, estamos no Facebook, Twitter, YouTube, Blogs.

Queremos “ensinar as pessoas pescar seu próprio peixe”.

MSREPÓRTER: Como funciona o programa CREA Júnior aqui no Estado?

É um projeto criado por nós e hoje é referencia nacional, um sucesso. Eles mesmos buscam recursos para eventos, com a organização de cursos, não precisam de um centavo do CREA. Aprenderam a caminhar sozinho, isso é empreendedorismo.

MSREPÓRTER: Existe algum outro projeto em andamento?

Também tenho planos de criar o CREA Sênior, projeto esse que conheci em Cuba, pois no Brasil estamos precisando 60 mil engenheiros por ano e estamos conseguindo formar apenas 32 mil. Então com essa carência de profissionais qualificados, iremos encontrar em colegas afastados da profissão ou que se aposentaram, que essas pessoas não podem ficar paradas e não devem ficar paradas.

MSREPÓRTER: Quantas inspetorias o CREA/MS tem em Mato Grosso do Sul?

Estamos em 65 municípios, com uma média de 200 funcionários. Crescemos bastante e queremos que todos os municípios participem de tudo que está acontecendo, não só pelo Brasil, mas pelo Mundo.

MSREPÓRTER: Sobre a nova Lei que criou o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), o CREA terá muitos prejuízos por perder a contribuição dos arquitetos?

Eu não diria prejuízo, mas a saída deles representa uma redução em nossa receita de 20%. O CAU teve uma eleição no último dia 28 de outubro, ainda neste mês de novembro a chapa eleita tomará posse. Então no ano que vem o sonho deles será realizado e já estarão na casa deles.

Toda separação é difícil, mas nós respeitamos a lei. O CREA é uma autarquia pública federal e nós cumprimos lei, aqui não se age por sentimento.

MSREPÓRTER: Como o funciona a fiscalização do CREA/MS, a base de denuncias? Existem pessoas especializadas que rondam a cidade?

Temos um grupo de fiscais, com todas as ferramentas, GPS, rastreador, eles saem com rota pré- definida e fiscalizam essa rota. É um trabalho diário contínuo. No caminho, eles podem achar obras, reformando, ampliando, lavoura, horta, plantio de pasto, até uma usina de álcool, tudo isso tem que ter um profissional registrado no conselho.

Trabalhamos muito com denúncia, inclusive anônimas, não vejo que alguém faz denúncia pra prejudicar ninguém, vejo que se faz para ajudar a sociedade. Se acontece, nós vamos atrás, caso encontramos algum problema, ai levamos ao Ministério Público, prefeitura, a Polícia Federal, porque o CREA não tem um poder de polícia.

Independente de ser uma residência, um condomínio horizontal ou vertical, o CREA fiscaliza se existe se na obra existe um engenheiro responsável ou um arquiteto, se existe uma documentação, que é a ART: Anotação de Responsabilidade Técnica, projetos complementares como arquitetônicos, elétricos, hidráulico e segurança.

MSREPÓRTER: E como funciona essa fiscalização, primeiro vocês orientam e depois aplicam as penalidades cabíveis?

Nossa fiscalização é orientativa. Nós nunca chegamos numa obra e multamos alguém, entregamos uma carta de orientação e um prazo para se regularizar em “x” dias.

Não é perseguição nem nada, mas nós queremos alguém responsável por aquilo que está sendo executado tanto na área a construção civil, da agronomia, da engenharia elétrica, mecânica e até mesmo da meteorologia. O CREA não é punitivo, é educativo.

MSREPÓRTER: Qual a sua imagem da Capital quando retornou após de formar em 1985 e agora em 2011?

A visão da minha infância é do asfalto que ia até a Rua Bahia. Tem havido um crescimento muito grande. E a preocupação é que o crescimento seja planejado, a sorte nossa que ela foi projetada por engenheiros e arquitetos, com vias largas, temos uma cidade que flui. Temos que evitar que se construam ruas estreitas, tem que ter o respeito ao pedestre.

MSREPÓRTER: Campo Grande não sendo sede da Copa do Mundo 2014, perdeu alguma coisa em termos de estrutura?

Sim, perdeu muito!

Eu tenho acompanhado as obras em todas as cidades que serão sedes da Copa inclusive visitando e vejo que o que está sendo investido, Campo Grande perdeu muito. Estamos muito mais preparados, mas houve forças ocultas que pesaram na decisão. Mas não se chora pelo leite derramado. Agora é seguir buscando recursos.

Helton Verão

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