Mario Cesar Oliveira da Fonseca, 47 anos, é casado e tem três filhos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive na cidade morena há 21 anos. Defensor das práticas esportivas, em especial, o basquete, que pratica desde 1978, já participou de campeonatos e hoje integra a Associação de Basquete dos Veteranos de Mato Grosso do Sul (ABV/MS).
Antes de entrar para carreira política, Mario se formou, em 1985, na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, chegou a ser tenente e piloto da Marinha. Nessa época, chegou a disputar as Olimpíadas Militares pelo basquete.
As viagens muito frequentes na Marinha e a mudança da esposa, também carioca, para Campo Grande o trouxeram para Mato Grosso do Sul. Deixou a vida de oficial da Marinha, em 1990, após passar no concurso público para Auditor Fiscal de Tributos Municipais da Prefeitura de Campo Grande. E a partir daí, começa os 20 anos de trabalho com a Prefeitura.
Na entrevista da semana, o vereador Mario Cesar Oliveira da Fonseca, que atualmente é vice-líder do prefeito na Câmara Municipal, fala sobre esporte, acessibilidade, a luta pelos interesses da população, da mudança de partido e de sua carreira na política.
MSREPÓRTER: Como surgiu o interesse pela política?
Quando você trabalha em órgão público acaba se envolvendo com a política diretamente. Em 1996, eu assumi um cargo de supervisor. Em 1997, quando o André (Puccinelli) assumiu a Prefeitura de Campo Grande, eu assumi o cargo de chefia, e, logo em seguida, fui promovido para diretor da Secretaria Municipal de Receita.
Em 2004, concorri a eleição para vereador. Foi a minha primeira eleição, fiquei como suplente, com 3.181 votos. Em 2008, concorri de novo na eleição para vereador, e, desta vez, consegui me eleger, sendo o oitavo vereador mais votado com 7.083 votos.
MSREPÓRTER: E o senhor tem uma relação com o esporte, principalmente o basquete. Como funciona essa Associação de Basquete que faz parte?
Chama-se ABV, Associação de Basquete dos Veteranos de Mato Grosso do Sul, existe também a ABV Nacional. A associação é para os veteranos do basquete, aquela galera que não participou de competição, mas quer continuar praticando atividade física. Por conta disso, existe o Campeonato Mundial de Veteranos e o Campeonato Brasileiro de Veteranos. Em 2007, nós ficamos em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro Veterano, que disputamos em Caxias do Sul.
Antes mesmo de ser vereador, a gente vê a dificuldade que existe no esporte. O administrador de regra geral ele quer fazer as coisas, quer edificar, construir, algo que aparece, são coisas que você consegue enxergar. Por exemplo, botar asfalto, construir um prédio novo, um posto de saúde. Isso teoricamente demonstra resultado.
Mas se nós investimos no esporte, nós vamos deixar de gastar dinheiro com segurança pública, com saúde, porque o esporte é prevenção. O esporte tem resultado, ele agrega pessoas, educa, dá uma forma ao cidadão. Com aquela relação de equipe, de competição, você começa a tratar melhor as pessoas.
MSREPÓRTER: O senhor como vereador busca mais incentivo para o esporte?
São dois nomes. Sair do cimento e fazer o fomento, fomentar o esporte. Dessa maneira, estamos com a Frente Parlamentar do Esporte, que sou eu, o Herculano, e o João Rocha. A ideia é sensibilizar o prefeito para colocar 1% do orçamento para o esporte. Para gente poder realmente fomentar o esporte.
MSREPÓRTER: Como surgiu o convite para ser o vice-líder do prefeito na Câmara Municipal?
No primeiro semestre de 2009, o líder era outro vereador (Paulo Pedra). Houve um desentendimento partidário e o Pedra teve que deixar a liderança. Pediram para o Flávio César ser o líder e aí veio o convite para eu ser o vice-líder do prefeito. Pela minha proximidade com o Flávio César e, eu sendo o presidente da Comissão de Finanças da Casa, daria esse suporte para o Flávio César no sentido técnico.
MSREPÓRTER: Como é para vocês fazerem essa ponte para defender os interesses da população e também do prefeito?
Nós temos um trabalho tranquilo ou menos difícil, digamos assim. Nós temos visto nas pesquisas aí, uma administração pública muito boa, está sendo muito bem avaliada, de regular a ótimo está dando 80%. Então, fica menos difícil de fazer essa defesa do Executivo.
Mas nós temos outra sorte também, que a base do prefeito aqui é grande. Nós temos oposição ferrenha, mas ela é muito diminuta. E ao mesmo tempo, temos a tranquilidade e a clareza de falar com o prefeito, a sensibilidade de falar o que pode fazer e o que não pode fazer. Existe essa liberdade de diálogo.
A gente consegue fazer um equilíbrio e uma interlocução sobre o Executivo e o Legislativo, haja vista que os projetos do prefeito entram na Câmara e são menos traumáticos. A gente consegue transitar com ele na casa de maneira muito mais tranquila do que problemática.
MSREPÓRTER: Sobre sua filiação, em outubro desse ano o senhor foi para o PMDB. O senhor começou como vereador em 2008 no PPS, como que foi essa transição?
Eu fui expulso do PPS em agosto deste ano. Eu estava no PPS desde 2003, inclusive na eleição de 2004, eu disputei a eleição pelo PPS. Em 2008, eu disputei a eleição pelo PPS também. O presidente do partido (Athayde Nery) disse que foi uma decisão política a minha expulsão, alegando que eu havia sido infiel ao PPS. Isso não sou eu que estou dizendo, foi até ele em sua fala na Câmara. Eu recorri tanto no Conselho de Ética, tanto no Municipal, tanto no Estadual, e tanto no Nacional. Recorri dessa sentença, porque eu não entendia essa infidelidade.
O PPS fez parte de uma coligação com PMDB, com PR, e com todos os partidos aliados ao governo do André Puccinelli e internamente definiu que as pessoas do partido só poderiam trabalhar para o PPS, ou seja, eles fazem uma coligação e internamente eles resolvem outra. Então, poderia caracterizar infidelidade se o partido não tivesse feito coligação com ninguém, se fosse chapa pura. Tanto é verdade que o STF entendeu que, depois que você coliga, até para disputa daquelas vagas de suplência, seria um super partido. Os documentos saem, por exemplo, Coligação Amor, Trabalho e Fé I; Coligação Amor, Trabalho e Fé II, deixam de serem os partidos e aí coloca embaixo todos os partidos coligados. Então, passa a ser um super partido por conta de uma eleição. O coeficiente eleitoral é dividido pelos partidos participantes da coligação. Então, quer dizer, todo aquele exame de que eu tinha sido infiel caiu por terra até por decisão do STF. Mas como ele verbalizou na Câmara que era uma decisão política eu fiquei um pouco mais tranquilo, não caracterizou aquela peça de infidelidade. Tanto que se eu fosse infiel ninguém me queria perto.
MSREPÓRTER: Mas qual foi a alegação de infidelidade partidária?
Que eu ajudei a coligação e não só o PPS. Todos os vereadores de Campo Grande foram chamados para fazer a campanha do Serra, do André Puccinelli, dos candidatos a Senado, Moka e Murilo, e assim nós fizemos. Isso foi notório, inclusive ele (Athayde Nery) participou dessas reuniões para que a gente pudesse fazer esse trabalho.
Mas foi tranquilo, eu voltei para o PMDB. Já tinha atuado no partido como militante entre 1997 e 2003. Agora, voltei como vereador.
MSREPÓRTER: Das leis de sua autoria, quais as principais?
Têm várias. Algumas de caráter de sustentabilidade, por exemplo, nós criamos o imposto ecológico. Não é um imposto a mais para o contribuinte, pelo contrário, é um imposto a menos. Quem construir ou reformar a sua casa ou seu escritório dentro dos princípios de sustentabilidade, captação de água, reuso de água, energia alternativa, material sustentável, tem desconto no IPTU e desconto no ISS de construção. É um incentivo para que as pessoas tenham uma preocupação maior com o meio ambiente, sem agravar o bolso, pelo contrário, dando desconto, fora os descontos já concedidos pelas campanhas de IPTU.
Outro que foi aprovado por mim em 2010 que agora está entrando em prática, mas de maneira muito gradativa, é o Gesto pela Vida. É aquele que você atravessa na faixa de pedestre, os carros param e você tem aquele respeito entre o motorista e o pedestre. O Detran já está encampando, a Agetran está encampando sobre isso. Mas falta um pouco mais, falta sinalização, falta conscientização, falta um trabalho mais de conscientização pra gente não perder vidas. Porque, às vezes, em um projeto desses, a pessoa bota o pé na faixa de pedestre e é atropelada, mais do que multar, precisamos não perder vidas. Nós temos que ter uma conscientização, tem que massificar.
Nós temos outro projeto que está sendo regulamentado agora muito interessante, que é o Agente Voluntário de Saúde. A dengue está por aí cada vez mais forte, e se nós não cuidarmos da nossa casa e o vizinho não cuidar da casa dele também, não vai adiantar nada. O Agente Voluntário de Saúde é alguém que mora no bairro. Ele vai tomar conta de cinco quadras, próximas de onde ele reside. Primeiro, se ele mora ali, ele tem interesse que ninguém tenha foco de dengue no entorno para ele não ser prejudicado. Segundo, se ele mora no entorno, teoricamente, é uma pessoa conhecida, porque já até aconteceu de assalto de pessoa vestida com roupa da Sesau, de bater na porta e assaltar a casa. Quer dizer, as pessoas estão temerosas de abrir a porta nesse sentido.
Se no período de três meses, ele conseguir manter que não haja foco e nenhum caso de dengue, ele também tem desconto no IPTU sobre isso. Dessa forma, vai deixar de gastar com manutenção de dengue, com gente no hospital. A prefeitura vai capacitar essas pessoas e dar orientação. A pessoa não vai sair matando mosquito, não vai sair com veneno na mão. O agente voluntário vai dar uma orientação bem caseira, como tampar uma caixa d’água, entre outras coisas.
E agora nós estamos brigando com outra bandeira, que é a acessibilidade. E até hoje eu vi três frases muito interessantes: Idoso é uma questão de tempo; Deficiente, você está sujeito; e Acessibilidade é para todos. No caso dos estacionamentos, tem a multa moral, que não tem custo, é só para pessoa pegar ler e tomar consciência de que está tomando uma vaga que não é dele, que é do idoso ou do deficiente. Mesmo que seja só por minutinho a pessoa não pode parar ali. Então, essa é uma bandeira que estou dando prioridade porque o campo é muito grande.
No Brasil, hoje, 26,33% da população tem alguma deficiência. Essas pessoas têm família, então, você atinge essas e o entorno delas também. Então, começa a ter um grande número de pessoas que têm alguém próximo que precisa de acessibilidade. Já propus a criação da Secretaria Municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.
E também tem esse piso tátil, que está tudo errado. O que existe hoje em Campo Grande é uma coisa completamente deturpada. O piso tátil é para alertar um obstáculo ou alertar uma árvore, um poste, um orelhão, uma rampa, um degrau, ou seja, piso de alerta, o restante tem que ser plano, para andar o cadeirante, o idoso. O que está sendo feito em Campo Grande é um crime, um absurdo.
MSREPÓRTER: Mas o que faltou para a instalação ser correta?
Faltou do poder público a orientação correta, não é esta orientação. Estão se guiando numa medida do Ministério Público que acionou a Prefeitura para tornar acessível Campo Grande. Só que isso não é acessibilidade. O Ministério Público quando notificou a Prefeitura, notificou da seguinte maneira, por ordem de exigência, que os prédios públicos se enquadrem na acessibilidade, segundo, os grandes comércios também se enquadrem, como shoppings centers, supermercados, hipermercados e, assim foi diminuindo a cadeia, uma loja menor, bancos, até chegar ao munícipe.
O munícipe era o último item de exigência do Ministério Público, e a Prefeitura começou por onde? E eu, mesmo sendo vice-líder do prefeito, questiono isso porque está errado. Tanto é que eu propus que fizesse um Plano Municipal de Acessibilidade. Porque nós temos situações completamente adversas, cada quadra tem um perfil diferente, eu não posso exigir aqui no centro de Campo Grande, na Rua 14 com a Barão, a mesma coisa que eu vou exigir lá no Dom Antônio, ou lá no Caiobá. São características completamente diferentes. Tinha que ter um plano, porque eu não posso fazer uma regra geral para todo mundo.
MSREPÓRTER: O senhor vai se candidatar a reeleição?
Sou candidato a reeleição como vereador em 2012 pelo PMDB e vai ser uma briga boa. Expectativa de manter os votos e tentar agregar um pouco mais para que a gente possa aumentar a nossa capacidade de representatividade. Eu gosto do que faço, por gostar do que faço eu procuro fazer bem feito.
Quando eu me tornei auditor fiscal, eu me capacitei nessa área, eu fiz uma pós-graduação de Direito Tributário. Quando em 2004, fui candidato a vereador e vi que ia militar por essa carreira política, eu fiz uma faculdade de Gestão de Políticas Públicas, fiz uma pós-graduação de Políticas Públicas e Desenvolvimento. Ou seja, eu também tenho que me capacitar, eu tenho que estar preparado para essa demanda de eleitores, hoje mais preparados.
Hoje existe uma participação melhor, o eleitorado hoje está muito mais crítico, consciente e participativo. E no Brasil não falta dinheiro, o que falta é gestão. Então, dentro dessa concepção de gestão é que a gente tem que procurar melhorar.
MSREPÓRTER: O político está se aproximando mais da população?
Esta é uma realidade. Nós temos feito várias sessões comunitárias. Sessão comunitária é aquela que a Câmara vai ao bairro, e faz uma apresentação dos vereadores. Depois quem faz as reivindicações é a sociedade, porque eles lá é que sabem quais as suas necessidades. Essa é uma forma de aproximação do poder público, porque a nossa sessão é durante o dia, tem gente que não consegue vir aqui, a nossa TV ainda é a cabo, tem gente não tem acesso a TV a cabo. Então, a gente está tentando mostrar para a sociedade como que nós funcionamos e levar a Câmara perto deles. Essa interação é muito boa.
MSREPÓRTER: Na eleição para a prefeitura em 2012, dos pré-candidatos já mencionados como Giroto, Siufi, Marun, qual o senhor considera mais preparado e por quê?
Marun está preparado. Paulo Siufi têm feito uma presidência na Câmara muito boa, é o segundo mandato como presidente. O Giroto conhece Campo Grande como ninguém, ele foi secretário de obra. Se nós fizermos um parâmetro, um divisor de águas, do que era Campo Grande antes de 97, e o que tornou Campo Grande de 97 pra cá. Com todos esses anéis, com todos esses acessos, com todos esses contornos, o que cresceu Campo Grande.
Naquele momento precisava de cimento e, agora, eu acredito que precisa humanizar, fomentar. Não adianta só construir posto de saúde, se não tiver médico, não adianta eu construir escola, se não tiver pessoas capacitadas e bem remuneradas. Então na política agora o foco é outro. O foco é na humanização.
Eu vejo que são pessoas que são preparadas para isso. Tenho certeza, do nosso partido, que qualquer um desses está preparado, e, principalmente, na hora que for ungir um dos nomes, que os outros façam convenção para apoiá-lo. O interesse maior é Campo Grande. Servidor público é ser homem público e ser agente político do outro e não para mim mesmo. Temos que ver o que é melhor para Campo Grande continuar crescendo. E ela tem tido sorte porque tem tido bons administradores.
Adriana Oliveira
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Foto: Adriana Oliveira