Uma semana antes da festa mais celebrada no país, o compositor e intérprete do Salgueiro, Dudu Botelho falou sobre sua paixão pelo samba. O carioca esteve em Campo Grande neste final de semana junto com a esposa, para uma apresentação em uma festa na Mansão do Parque.
Dudu, atualmente com 41 anos, começou como compositor em 1992. Já teve três dos seus sambas cantado na Marquês de Sapucaí, passarela de show e talentos no carnaval do Rio de Janeiro. Das diversas letras, a que mais lhe marcou foi o enredo que o Salgueiro fez sobre o Pantanal em 2001. Composição esta que considera a mais emocionante que fez, mas que não ganhou e quase o fez desistir.
Descontraído e bem humorado, Dudu recebeu a equipe do MSREPÓRTER e contou como é sua vida no Rio e também a tarefa difícil de conciliar a dedicação ao carnaval com a presença na família. Formado em direito, o carnavalesco também é chefe de gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Dudu tem mais de 20 anos dedicado ao samba. Na entrevista, ele compara a cultura do carnaval carioca, que hoje é transmitido para 30 países, com a de Mato Grosso do Sul, que está caminhando a passos lentos para se tornar referência em âmbito nacional.
MSREPÓRTER: Como começou sua paixão pelo Carnaval e pela música?
Depende. A primeira vez que desfilei foi em 1986, mas era como folião, desfilando fantasiado em uma ala. Mas como compositor, minha estreia foi em 1992. A partir de então, tem toda uma série de aprendizados. Quando chega em 2007, eu tenho meu primeiro samba cantado na Marquês de Sapucaí, meu primeiro samba cantado pela minha escola, o Salgueiro. Depois, isso volta a acontecer em 2008 e 2011. Um período de 20 anos em que eu tive a oportunidade de ter samba cantado na Marquês por três vezes.
Comecei desfilando em 83, mas meu contato com a música de carnaval se dá após o convívio com amigos da Tijuca, que é o bairro do Salgueiro. Eu estudava em escola pública, então tinha muitos amigos que moravam no morro, e esse contato me fez conhecer a comunidade do Salgueiro. Uma vez jogando bola, eu vi uma roda de samba e assim que me aproximei na verdade. Foi meu primeiro contato com as pessoas que naquela época faziam a música do samba no morro do Salgueiro. Muitos já nem estão vivos mais, porque eram pessoas de idade. Mas talvez essa convivência que me fez ficar perto da música e virar compositor do Salgueiro.
MSREPÓRTER: Você já morou em bairros não enraizados no Salgueiro?
Nasci no rio e vivi 95% daminha vida nesse mesmo bairro, que é a Tijuca, hoje ainda moro na Tijuca. Saí deste bairro dois períodos muito curtos da minha vida. Um quando eu ainda era criança, com 3 ou 4 anos, morei em Olaria, e depois durante um ano, adulto, com 20 e poucos anos, em Ramos. São bairros colados, e da raiz da Imperatriz Leopoldinense. Mas mesmo nesse período continuei frequentando o Salgueiro, minha escola.
MSREPÓRTER: Qual a sua maior paixão, o Flamengo, seu time de coração, ou o Salgueiro?
Que pergunta difícil. Esta pergunta é complicadíssima. São paixões muito fortes na minha vida, as duas marcam muito minha vida desde a infância e adolescência. Está aí uma pergunta que eu não sei responder. Se minha maior paixão é o Salgueiro ou o Flamengo, as duas são fortes e pra sempre. Todo pai tenta influenciar o filho. Meu pai é América, e isso não ajudou muito a me influenciar. O Flamengo foi minha primeira opção própria de time, e o Salgueiro minha primeira opção de escola de samba, embora de escola de samba eu não tivesse nenhuma pressão pra ser de outra. O Salgueiro foi mais natural, o Flamengo eu ainda tive que justificar pra um tio que é Vasco, um pai que é America, mas também é uma coisa que era tão forte que venceu essas barreiras.
MSREPÓRTER: Sobre as composições, você sempre gostou de escrever?
Eu sempre gostei de escrever, mas não muito. O que me atraiu para o gênero samba enredo, exatamente na época de 91, foi que eu sempre gostei muito de ouvir os sambas. Muitos eram históricos, e algumas letras me ajudavam nas provas de história, e isso foi forte na minha infância e adolescência. Eu vi aquilo como uma coisa possível, que era possível eu pegar minha paixão pelo samba e também construir letras baseadas em temas escolhidos pela escola. Claro que o primeiro samba que eu fiz é um horror. Eu não lembro nem de cantar, não sei nem te dizer como era. Mas você vai assistindo, vai vendo, durante os concursos você vai começando a moldar uma coisa aqui e outra ali, e isso explode em 2007, porque foi um grande desafio ganhar daquele jeito. Eu acho que eu tive chance de ganhar antes. Eu tive sambas muito melhores dos que os que ganharam da primeira vitória, mas depois que você ganha um você esquece as mágoas do passado.
MSREPÓRTER: Alguma derrota já te fez pensar em desistir?
Já pensei em desistir no concurso do enredo que o Salgueiro fez sobre o Pantanal em 2001. Ali quando eu e meus parceiros perdemos aquele samba, eu pensei em desistir porque eu achava que a qualidade do samba que nós fizemos era muito superior ao que venceu. Aquilo causou certo moinho por dentro. Tanto é, que em 2002, 2003, e 2004 não escrevi. Só volto a participar do concurso do Salgueiro em 2005. Foi uma fase que eu pensei em parar. Mas ainda bem que eu mudei de ideia e continuei em frente.
MSREPÓRTER: Você se lembra como era o enredo que fez pensando no Pantanal?
Eu lembro inteiro o enredo do pantanal. Não foi um enredo muito histórico. Na verdade, foi um enredo encomendado pelo governo de Mato Grosso do Sul. Parece que o governador queria mudar o nome do estado pra Pantanal, alguma coisa desse gênero, então era um enredo que toca muita coisa do Pantanal em si, e não conta muito a história de Mato Grosso do Sul.
Ontem eu cantei ele no quarto pra minha mulher, porque eu lembrei por estar aqui de novo. Mas em show eu não costumo cantar samba perdido. Porque o hino do Salgueiro em 2001 é o samba que ganhou, concorde eu ou não com a escolha. Então eu não canto sambas que eu perdi em shows.
MSREPÓRTER: O que este samba representou para você?
Você pode ver que eu me arrepio até hoje, porque, embora ele não tenha vencido, ele é um marco na minha vida. Eu sou um Dudu Botelho antes e um depois desse samba, embora ele não tenha vencido, mas ele quase me fez chutar o balde e largar tudo. Ainda bem que eu não larguei.
Eu não conhecia nada do estado, fiz como eu faço todos os sambas, tomando conhecimento dos temas e através da sinopse. O samba enredo é construído como qualquer música tema, o carnavalesco apresenta uma sinopse com a história que ele vai contar, com alguns tópicos importantes que a escola vai desenvolver e ali você constrói a letra do samba enredo. É assim e sempre será assim. É até melhor você não procurar fazer trabalho de pesquisa além do que o carnavalesco propõe, porque você pode inserir na sua letra coisas que não interessam a ele. Você pode usar algo que não é interessante mostrar, e aí seu samba perde um pouco da qualidade. Samba enredo é feito pra contar a história que a escola propõe a mostrar na Marquês de Sapucaí.
MSREPÓRTER: Existe uma frustração em não cantar os sambas que não ganham concursos?
Isso não é uma regra, é uma opção minha e faz parte da declaração de amor que tenho pela minha escola. Pra mim, samba derrotado é samba superado. E no dia seguinte eu começo a cantar o samba que ganhou, começo a trabalhar pelo samba que ganhou, porque e a vantagem e desvantagem de você escrever pra escola que você ama é essa. Você deixa de lado seu racional e abre mão de frustrações suas em nome da paixão que tem pela sua agremiação. E minha história com a escola Salgueiro é uma história muito emocional.
Então eu costumo curar rápido essas pancadas que a vida me aprontou. E não foram muitas, eu já perdi justamente perdido. Eu citei o de 2001 porque foi uma coisa muito forte pra mim, mas isso não quer dizer que toda vez que eu perca eu não mereça perder, ao contrário, eu mereci perder muitas vezes. Eu acho que o samba que ganhou neste ano, conseguiu contar melhor a história que o meu e da minha parceria. Melhor perder assim. O melhor samba enredo é sempre aquele que a escola quer que vença. Esse ano a escola não queria meu samba, então palmas pro samba vencedor. Vamos lá e estamos juntos.
MSREPÓRTER: Qual a derrota que pode te causar mágoa?
O ruim é quando você perde com a escola querendo seu samba, e aí vem interesses que fazem um outro samba vencer. Já perdi muito mais do que ganhei. Muito difícil um compositor de samba enredo que já ganhou mais do que perdeu. Mas, o que me interessa mesmo é que eu tinha um sonho na minha vida, vencer um samba na minha escola. Já venci três e todos os três desse jeito que te falei, com apoio maciço, com vontade da escola pra que fosse escolhido. E isso não tem preço, não tem mágoa que perdure a essas três coisas que vivi na minha vida, e agora eu faço isso de forma muito mais leve do que eu fazia antes de vencer o primeiro.
É um processo leve pra mim porque eu realizei meu sonho por três vidas. A única coisa que eu quero é, que se eu voltar a fazer um samba que seja abraçado pela escola, que esse samba seja o vencedor. Esse ano não foi o caso, eu perdi o samba, o meu não era preferido da escola, venceu o preferido. Eu estava lá na final, torci pro samba que ganhou, acho que o salgueiro tem tudo pra fazer um baita desfile com o samba vencedor.
MSREPÓRTER: Mesmo quando seu samba não vence, costuma participar do desfile?
Eu participo, desfilo todos os anos. A minha mulher, minha fonte inspiradora, desfilou no ano passado, mas neste ano ela não vai.
MSREPÓRTER: Como costuma se manter atualizado e falar sobre samba?
A internet é uma coisa que eu gosto muito. Sou usuário mesmo, participo de fórum de discussão de samba, acho que cresci muito com isso, fiz muitas amizades que eu sei que vão durar a vida inteira por conta desses debates de internet. Eu acho a internet um negócio muito legal mesmo, tomara que um dia 100% da população tenha acesso a informações dinâmicas, rápidas e com menos manipulação do que as da telinha que a gente vê. Porque o dinamismo na comunicação e a velocidade é uma coisa importante na formação de um povo. A internet vem aí fazer com que você saiba que eu tenha uma neta sem eu ter dito. Maria Júlia que mora lá em Santa Catarina. Eu fico tempos sem vê-la, mas cada foto que eu vejo na internet dá vontade de entrar no computador e amassar ela todinha.
MSREPÓRTER: Como é a vida em família conciliada com a paixão pelo carnaval?
A gente tem três filhos. Eu tenho um filho do primeiro casamento e minha mulher dois do primeiro casamento. Nós tratamos os três como três filhos, azar da mãe dos meus filhos e azar do pai dos filhos dela, nós não pedimos licença pra fazer esse pacto e a relação é muito boa entre os filhos e a gente. Meu filho do primeiro casamento e a filha mais nova dela mora conosco. Na verdade, lá em casa a parceria que eu tenho maior de carnaval e com a filha dela, que tem 21 anos. Ela gosta de desfile, gosta do carnaval. O meu filho vai na disputa e tudo, mas não é muito a praia dele, a praia dele é Rock. Não é muito o samba. Mas, todos acabam meio cúmplices.
Por pertencer a uma escola de samba no Rio de Janeiro e ter alguma notoriedade conquistada com um tempo nesta relação, traz uma necessidade de entrega muito grande ao evento de carnaval, então eu realmente vivo carnaval de agosto até fevereiro. Mais da metade do ano. Então só ter a cumplicidade e compreensão da minha família já serve de apoio.
Eu nunca exigi que meu filho fosse sambista, nunca exige nem minha filha nem minha mulher. Minha mulher quando foi morar comigo ficou deslumbrada com o carnaval, mas não estava no sangue dela e ela enjoou antes de mim, eu talvez não enjoe nunca. Na verdade ela gosta, mas é que acompanhar a agenda de quem ama o negocio é muito complicado, há um afastamento natural que não faz que nós nos afastemos um do outro, nem eu da minha mulher, nem eu dos meus filhos. Sempre muito juntos, moramos juntos e isso é muito legal, prefiro as coisas espontâneas que as coisas forçadas.
MSREPÓRTER: Como é o processo de escolha do tema e composição?
Isso aí depende muito, a história não é construída por mim. A primeira coisa que acontece, é que a escola divulga o tema. Logo depois do carnaval a escola anuncia o samba enredos, sem detalhá-los. Aí a cabeça do compositor começa a viajar, como vai ser falar disso, qual a abordagem. Mas na verdade você só começa a construir a coisa, quando sai o roteiro, que a gente chama de sinopse. Que é o roteiro de desfile da escola. Um texto que ultimamente tem sido muito bem escrito, uma parceria do departamento cultural da escola com o carnavalesco. Vale à pena esperar a sinopse. Dizer que eu não penso em nada antes é mentira, mas eu só começo a me concentrar quando sai a sinopse. E aí é loucura.
MSREPÓRTER: Em quanto tempo costuma escrever o samba?
Você passa um mês construindo isso, geralmente vai de junho e até o início de agosto, que é quando começa a disputa de samba, que é de agosto até outubro. Então você tem que entregar seu samba pronto no final de julho. De 20 dias a um mês você faz a música que é o samba enredo. Aí que eu falo da cumplicidade da sua família, porque você começa a pensar só nisso 24 horas por dia, a oito meses do carnaval. Para quem não vive o carnaval é coisa de maluco, você estar pensando em carnaval em julho, mas é assim mesmo, pensamos no carnaval de 2013 quando acaba o carnaval de 2012. O compositor, começa no início de junho, época em que ele começa a construir o samba.
MSREPÓRTER: Em sua rotina, como a composição implica sua vida e de sua família?
Eu já acordei de madrugada com gravador na cabeceira, e é claro que minha mulher acaba acordando. Já teve vezes de eu sair do quarto, e ir pro meu escritório, numa salinha. Eu liguei pra um parceiro meu, comecei a cantar aquilo, e aí daqui a pouco, minha mulher aparece, põe a cabeça na porta e pergunta: “Tá maluco? Quatro horas da manhã e você cantando?”.
Então acontecem coisas assim, como neste ano mesmo de 2011, em junho a gente estava fazendo uma viagem pra Gramado e saiu a sinopse. Pela internet, eu tive acesso ao texto. Aí não tem jeito, é mais forte que eu, aquela noite na viagem não existiu. Comecei a pensar como era, o que eu tinha que fazer, o negócio vai te envolvendo e quanto mais perto da hora da decisão do samba, sua vida vai ficando mais em função só disso. É realmente muito legal ter a família que eu tenho que entende e ainda apoia. Porque não é fácil ser mulher e filhos de Dudu Botelho.
MSREPÓRTER: Também se dedica a outra profissão além de sambista?
Eu trabalho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro desde 97. Na verdade no Brasil você não consegue viver de música. E eu acho muito legal eu ter meu emprego fora do mundo musical porque também me permite uma tranquilidade e uma rejeição ao mercado fonográfico, coisas que eu posso rejeitar exatamente por não viver exclusivamente disso.
Convivo perfeitamente com o lado músico e como servidor público do município do Rio de Janeiro, que eu vivo tão intensamente porque eu faço uma coisa que eu gosto. Eu sou chefe de gabinete e eu sou formado em Direito, então trabalho com legislação que é uma coisa que eu curto. São paixões diversificadas. Um sambista que tem sambas antológicos que eu canto nos meus shows era médico, o Franco que já faleceu, mas o cara era um compositor de samba. “Hoje eu vou tomar um porre não me socorre...”, sambas muito bons, e médico.
A parte musical, artística, não está ligada a profissão que nós temos do lado de fora. Música você tem na veia, tem paixão e tem que ter disposição pra sofrer. E uma coisa não exclui a outra e nem precisa ser paralela a outra. Cada um tem seus dons, cada um vem no mundo pra uma coisa, e eu posso ter vindo pra coisas diversas, eu e várias pessoas.
MSREPÓRTER: Como foi a o convite de vir a Campo Grande?
É a segunda vez que estou vindo a Campo Grande em um espaço bem curto de tempo. Eu vim pra Corumbá em outubro de 2011, em um seminário sobre carnaval que a prefeitura fez lá. Aproveitei e vim conhecer a Vila Carvalho, fizeram uma festa pra mim lá. Estava bem cheia a quadra. Então dessa minha apresentação deve ter nascido a ideia da Feijuca, festa para a qual eu vim tocar.
O carnaval, embora seja pra fora do Brasil um cartão postal, tem gente dentro do Brasil que não tem ideia do que é. Eu gosto de espalhar e viajar por aí com a cultura carnavalesca. Muita gente nem sabe que tem escola de samba aqui, que tem desfile de escola de samba em Campo Grande. E talvez minha vinda ajude inclusive essas pessoas que trabalham pelo carnaval local a divulgar que aqui existe isso.
MSREPÓRTER: Como você avalia o Carnaval de Campo Grande com o de Corumbá, por exemplo?
Eu ainda acho que a diferença pra tratar uma realidade, entre o carnaval de Campo Grande e o de Corumbá é o investimento público. Se o carnaval de Campo Grande quisesse investir como no carnaval de Corumbá, teria um carnaval do mesmo nível. Esta é a minha primeira sensação. Comparar com o Rio já seria mais complicado, nós estamos em um grau de investimento muito alto. O carnaval do Rio de Janeiro é um mega espetáculo, um show transmitido pra 30 países. Inclusive a transformação do carnaval do Rio neste mega espetáculo, nessa pseudo modernização e profissionalização acaba destruindo um pouco a tradição histórica das escolas de samba.
Então tem muita preocupação, quando eu vou pra fora do Rio, e as escolas de samba estão preocupadas com profissionalização, porque elas estão em um patamar ainda que não permite a elas esquecer a parte da tradição, da construção da escola de samba, se não elas pulam essa etapa e viram outra coisa que não é uma escola, coisa quem não tem função enraizada.
Eu costumo separar condições de realizar um bom trabalho, com profissionalização. O poder público devia dar mais respaldo a estas escolas, Vila Carvalho e Igrejinha, e aí sim elas iam queimando essas etapas e iriam alcançar um nível de São Paulo hoje, que é um carnaval transmitido pro Brasil inteiro.
MSREPÓRTER: Qual seria o investimento necessário ao carnaval de MS?
Eu vi coisas em Corumbá que no meu ponto de vista são inaceitáveis. O carnaval de Corumbá começa numa rua de paralelepípedo, como é que você vai colocar um carro alegórico numa rua assim, pra quê? Aumenta a avenida, põe um asfaltozinho, não tem baiana que vai rodar, não tem sambista que vai sambar no paralelepípedo e ainda vai destruir as alegorias.
Eu torço muito pra que outros pólos de carnaval apareçam. Eu acho que o falta mesmo não é gente que gosta de samba, eu soube aqui o carnaval foi assistido por 10 mil pessoas, é um público grande. Se investir tem retorno, todo carnaval do Brasil se tiver o poder público caminhando junto, vai ter retorno.
MSREPÓRTER: O que é o samba na sua vida?
O samba é um pilar muito importante na minha vida. Uma coisa que na verdade foi sendo construída com o tempo e hoje eu não me enxergo vivendo longe desse meio e do Salgueiro. Eu não sou um profissional do samba, eu sou um sambista que deu alguma sorte na vida e conseguiu acabar se destacando dentro da própria escola. E isso pra mim é muito importante porque não me faz ficar por aí perambulando de uma escola pra outra.
Eu não me vejo fora da minha escola, que é o salgueiro. Talvez se um dia, eu pense que não vale mais a pena ser do Salgueiro, e eu largue o carnaval. E acho muito difícil isso acontecer. E se não for compondo, vai ser empurrando o carro, fazendo faxina, eu sempre estarei disposto a ajudar minha escola seja do modo que eu acho que é melhor pra mim e pra ela.
Mas o principal sentimento, coisa que me dá certeza que o samba é pra sempre na minha vida, é exatamente a paixão que eu tenho pelo Salgueiro.
Ana Maria Assis
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