Um homem de caráter nobre e que se importa com a sociedade. Magistrado, docente, titular de funções públicas de relevante papel no Poder Executivo, mas especialmente, pela sua militância nos movimentos sociais de luta contra o preconceito racial e em defesa dos direitos dos negros. Esse é Aleixo Paraguassu Netto.
Nascido em Belo Horizonte Minas Gerais, Dr. Aleixo é um grande ativista social, tem a vida pautada na atuação do movimento negro como defensor da igualdade racial e da convivência fraterna e democrática entre as pessoas de todas as etnias.
Idealizador e fundador do Instituto Luther King, entidade que oferece cursos preparatórios para vestibular para alunos negros, índios e portadores de necessidades especiais, Dr. Aleixo Paraguassu recebeu a reportagem do MS Repórter após um evento em que ele falou sobre a questão das cotas. Durante a palestra, ele fez uma reflexão enfatizando a questão da defesa das minorias sociais: segmentos sociais descriminalizados como, por exemplo, negros, pessoas portadoras de necessidades especiais, obesos, mulheres, entre outros. Dr. Aleixo questionou se realmente este o artigo 5º da Constituição Brasileira que diz: todos somos iguais perante a lei é respeitado, e disse que a escola é o local onde não só aprendemos, mas onde é formado o senso crítico de cada indivíduo.
O Instituto recebe apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Eletrosul, Município, Fundação Barbosa Rodrigues, e de outras empresas privadas. A missão: fazer da educação um instrumento que sirva como ascensão e mobilidade social aos jovens de baixa renda.
O Instituto Luther King tem quantos anos de existência?
O Instituto tem 9 anos. Foi inaugurado no dia 15 de fevereiro de 2003.
Quantos alunos o instituto atende hoje?
Hoje são 140 alunos de curso pré-vestibular, e curso de informática básica. Por aqui, passam cerca de 5 turmas em media 20 a 25 alunos por turma. O curso de pré-vestibular já atendeu mais de mil jovens, nos quais 800 jovens prestaram vestibulares e mais de 650 entraram na universidade.
Quantos alunos foram beneficiados com as cotas sociais e onde eles estão hoje?
Como eu disse, temos 140 alunos. O critério de admissão aqui é simples 45% dessas vagas são destinadas aos brancos, 45% aos negros, 5% aos deficientes e 5% aos indígenas. Esse critério tem que contemplar a pluralidade e nós não temos cotas especificas para mulher, mas não se torna necessário, porque todas as turmas as mulheres são maioria esmagadoras, como você pôde constatar vendo a reunião dos nossos alunos hoje aqui.
Na sua opinião, as cotas sociais não reforçam a ideia de desigualdades sociais?
Não, na minha opinião elas são paliativas, um remédio temporário eu costumo dizer que não é para sempre que vai resolver nossas profundas desigualdades, mas é uma medida especial em meio a tantas que são tomadas para compensar desigualdade. O bolsa família é uma forma de compensação social, o PROUNI é um forma de compensação desenvolvimento social completamente destinado a educação, então, esse é um pais rico tem a 6ª economia do mundo, mas é um dos campeões de desigualdades, então há muito a fazer para saldar essa enorme dívida social que o país tem para com seu cidadãos.
Quais são os critérios para distinguir se uma pessoa é afrodescendente? Existem pessoas que não são, mas se consideram negras. Como o Instituto observa isso?
O critério para distinguir isso é um critério de sensibilidade, você tem que constatar que a pessoa tem traço, que a gente chama de fenótipo. Seu traço caracteriza-o.
Conte-nos um pouco sobre os alunos que passaram por aqui e hoje estão com carreira bem sucedia.
A Lanúbia, por exemplo, foi nossa aluna e foi beneficiada pelo PROUNI e esta cursando o segundo ano de medicina na UNOESTE em Presidente Prudente, ela é beneficiaria de um fundo que é sustentado aqui no instituto por um empresário Chamado Daniel Reis, esse fundo paga por exemplo mensalidade do pensionato dela em São Paulo, e nós temos por exemplo o Fábio que é um ex-aluno nosso e hoje é engenheiro na Enersul, é uma historia interessante porque ele vinha pra cá lá do Aero Rancho de bicicleta, bicicletinha velha, devido ao seu esforço, sua inteligência particular cursou engelharia elétrica na universidade Federal daqui de Mato Grosso do Sul, e participou com mais 13 colegas de um projeto científico de grandeza mundial, eles ganharam , 3 foram as universidade premiadas, uma universidade federal do Brasil aqui de Mato Grasso do Sul, uma universidade de Bangladesh, e um consórcio entre duas universidade uma japonesa e uma americana. Eles foram para os Estados Unidos, e abiscoitaram primeiro premio e quatro premio no total, essa e uma historia exitosa de um ex-aluno pobre, hoje engenheiro que nos da alegria de nos visitar pilotando um carro do ano de sua propriedade. É uma mostra desses seiscentos e tantos alunos que através do instituto atingiram um nível superior.
Se pudesse mudar a lei de cotas, o que mudaria?
Eu iria agregar. Uma preocupação além do fator são as cotas raciais, por exemplo, além de atender os quesitos sobre a questão de baixa renda, para evitar a proposta de sanar uma injustiça se outro beneficiado fosse um negro de classe media alta.
Entrevista: Vivian Cristiane Krajewski de Albuquerque
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