O abrigo Casa Lar Meninas dos Olhos de Deus reside em Campo Grande e foi fundado pelo Pastor José Rodrigues em Goiânia-GO, no qual ele resolveu abrir quando viu uma menina que foi morta após apanhar bastante do pai.
Esse fato tocou muito o coração dele e a partir disso resolveu trabalhar nesta área. Aqui em Campo Grande a Casa Lar tem três anos de existência e é comandado pelo Pastor Silvano, e coordenado por Zuleica de Abreu, com o apoio de dez funcionários, entre psicóloga e secretaria. Ela contou para o MS Repórter como é feito o trabalho na casa, acompanhem.
Zuleica de Abreu - Coordenadora da Casa Lar Meninas dos olhos de Deus
MSREPÓRTER - Qual sua função no abrigo?
Zuleica de Abreu - Trabalho como coordenadora das duas casas. Uma é a casa lar e eu coordeno toda a equipe técnica, todos os funcionários, enfim toda a gestão de todas as áreas da casa, dos dois lados casa um e casa dois. A primeira atende crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, e a segunda atende adolescentes grávidas.
MSREPÓRTER - Qual é o trabalho feito com as meninas?
Zuleica de Abreu - Primeiramente quando elas chegam, vêm apenas com a roupa do corpo, chegam crianças desconfiadas, rebeldes, agressivas, e nós a recebemos com muito amor, providenciamos toda a parte material delas como roupa, calçados, alimentação, fazemos um trabalho psicológico individual e em grupo, fazemos todo o psicossocial, não só da criança, mas também na família. Trabalhamos também essa área da família para ver se há possibilidade de reintegração dessa criança. Enquanto elas estão no abrigo trabalhamos toda essa parte psicológica, como também a parte de disciplina. Elas chegam sem base nenhuma, sem base familiar, seja moral ou espiritual. Chegam totalmente alheias a qualquer valor, então é essa base que nós tentamos passar para elas aqui no abrigo, e estendemos esse trabalho para a família. Uma vez por mês, temos uma reunião com a família, e fazemos todo tratamento com a família, para ver se há possibilidade dessa criança voltar para casa, e se essas mães mudam o conceito de família, porque hoje elas são crianças que vieram de uma família disfuncional e tentamos mudar toda essa visão de mundo, pois não adianta cuidar da criança, ensinar coisas boas pra ela, dar outra visão de mundo, e devolvê-las para a realidade antiga, na qual foi à causa de estarem aqui.
MSREPÓRTER - Qual o principal objetivo do abrigo?
Zuleica de Abreu - Toda criança abusada tem um tipo de reação, o que nos podemos ver até hoje e que todas que chegaram, todas vieram de uma família desestruturada, todas são muito carentes de amor, nenhuma tem uma base familiar, são inseguras, não tem base de educação, chegam crianças indisciplinadas. E o nosso trabalho maior é passar o amor de Deus pra elas, passar que existe esperança e que elas podem sonhar novamente. Na verdade foram crianças que a infância foi roubada com o abusador. Teve a infância roubada pela própria mãe ou pelo próprio pai, foram negligentes nos cuidados com essa criança, são crianças exploradas, que sofreram violência doméstica. Então são crianças que vem sem visão de mundo, e a função do abrigo é restauração de vida.
MSREPÓRTER - Nos casos que a criança não tem mais a possibilidade de voltar para a família?
Zuleica de Abreu - Não há possibilidade nos casos que os pais são usuários de drogas, negligentes nos cuidados com a criança, então as crianças são destituídas do poder familiar e fica a disposição para o processo de adoção. Esse processo funciona através da Vara de Infância e Adolescência, com o projeto “padrinho”, quando há uma família extensiva, como avó, tios a guarda dessa criança é liberada para essa família, e a criança é observada por um período de adaptação, havendo a adaptação é liberada a adoção.
MSREPÓRTER - Quais as melhorias que devem ocorrer aqui no abrigo?
Zuleica de Abreu - Na verdade hoje moramos de aluguel. Quando você aluga um imóvel não pode mexer. É um lugar pequeno, precisamos muito trocar os móveis da casa como os beliches, guarda-roupa e sofás. Alimentação nós temos, graça a Deus não falta, temos muitas doações, só falta carne. Por ser uma casa de criança, precisaria de um ambiente mais alegre, um ambiente infantil, e precisamos muito de um carro, para carregar essas meninas, porque como é um número muito alto e toda vez que sai precisa de acompanhamento, fica complicado transportar elas para qualquer lugar. Hoje temos o apoio da Prefeitura de Campo Grande que colabora com 60% das despesas os outros 40% corremos atrás. Os 60% é de manutenção da casa e funcionários.
Fernanda Mara
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Foto: Fernanda Mara