Em passagem por Campo Grande para o seu novo show Acústico, um dos mais importantes compositores e guitarristas da década de 80 falou um pouco sobre a carreira consagrada. Depois de uma animada apresentação com violão da música “Tudo é possível” de sua própria autoria, Kiko Zambianchi não poupou palavras e carisma em entrevista para o MS REPÓRTER, revelou ainda que está previsto o lançamento de CD e DVD para novembro deste ano.
MS Repórter - Kiko você causou polêmicas nas redes sociais falando que não gosta das músicas que estão no topo das paradas, sertanejo e mulheres frutas, como você vê a música no futuro?
Kiko Zambianchi - Não gosto mesmo (risos). Eu acho que a músicas cada vez menos vai ser uma coisa de música e mais de “sacadinhas”, já ta virando assim (tchu... tchu ...tcha.. tcha). Eu espero que não, mas é triste ver a música brasileira cheia de talentos e não ter a divulgação disso, ter de uma coisa horrorosa até no exterior. Então não nos resta nada em esperar dessa parte, assim como teve os anos 90 que nós tivemos que esperar acaba calmamente pra poder continuar a música, o processo de música no Brasil porque nos anos 90 também teve essa parte e agente passou 10 anos onde hoje em dia a maioria daquele povo não quer ouvir mais, não quer saber mais, ninguém quer falar que gostava daquilo de vergonha. Então quer dizer que vamos passar mais um tempo assim e o brasileiro tem essa qualidade brasileira “vamos partir para um lado gozado da música, vamos virar um negócinho, temos que ser brega”. Isso é o que o mercado nacional quer, que o Brasil seja brega, porque o brasileiro tem que imitar a Lady Gaga porque ela é chique o brasileiro é brega, põe a banana na cabeça porque não podemos disputar com Rolling Stones e grandes artistas, porque nós é banana, é fruta. Isso é triste porque nós estamos fazendo exatamente o que o mercado internacional espera da gente, se manter no terceiro mundo da música. E ai continuamos assim até quando o Brasil acordar de novo e der alguns passos, porque para quem saí da bossa nova, dos anos 80, Cazuza, Renato Russo e entra no que está agora é complicado, é coisa para gente ficar torcendo para que a mídia comece a ignorar isso.
MS Repórter - Falando ainda dos anos 80, o rock daquela época era revolucionário e cantores eram tachados como drogados. Como você vê o rock nos dias de hoje?
Kiko Zambianchi - O que não é drogado hoje? Eu acho que agente tem um problema muito sério com esse negócio de “drogados” porque se você pensar direito eu posso ir ao supermercado e comprar um quilo de bacon e comer, em dois e três meses eu vou estar morrendo e ninguém vai esta falando nada que é droga. Então eu acho que o problema não está na droga e sim na educação. A partir do momento em que se tem educação, por um outro lado se você tem um filho, parente ou amigo com droga. Se for uma droga que não tenha cheiro como cocaína, heroína, êxtase você só vai descobrir que ele está como problemas com drogas quando ele começar realmente a precisar de um médico. Não é liberado, então vai fazer escondido de você, o problema maior é por as pessoas fazerem escondido e não aberto. Se você soubesse que seu filho estivesse mexendo com isso você falava para com isso ai, quando esconde você tem que levar para um sanatório ou hospital.
Por um lado nós temos esse lado da droga licita que é a que mais mata. Eu tive problema agora com um remédio anti-inflamatório que eu tomei quando tava com problema, uma inflamação e eu fui parar no hospital, passei 3 dias na UTI por causa de uma remédio que abriu um rombo no meu estomago, agora isso ninguém fala. O que o médico perguntou quando eu cheguei no hospital foi: Você tomou anti-inflamatório?, quer dizer é uma coisa normal e natural, acontece corriqueiramente, agente tem que parar com a hipocrisia. Se você tem a droga proibida você vai dar dinheiro para quem porque acabar não vai, se você proíbe alguém vai ganhar dinheiro em cima e esse alguém às vezes vai criar um cartel, uma facção criminosa e vai ficar milionário e competir por espaço. Agente tem que pensar um monte de coisa, o que é o que, o que é realmente droga. A maconha é a mesma droga que outras? Quem está falando sobre isso? É um cara que conhece ou alguém de fora que não tem conhecimento científico sobre? Nós temos que se informar e parar com esse medo. Porque se você vê seu filho chega bêbado em casa você sabe e fala para de beber menino, mas se ele chegar louco de cocaína e você não tem conhecimento ele vai entrar e dormir e você nem vai perceber.
MS Repórter - Você compôs já para Erasmo Carlos, Marina Lima, O surto, Ira! E Capital Inicial. Como você compõe, da onde vem inspiração?
Kiko Zambianchi - Eu procuro compor com o que aparece de música, principalmente, primeiro a musica ai depois às vezes ela é mais alegre ou triste e me pede uma letra, eu faço a letra de acordo com a musica ta passando. Eu acho muito importante quando você consegue somar as duas coisas, essa musica me deixa meio assim então vou pensar em algo parecido.
MS Repórter - O lançamento do cover de HEY JUDE, que eu particularmente gosto, foi um sucesso aliás. Você definiria como o melhor momento da sua carreira ou não?
Kiko Zambianchi - Hey Jude foi um estouro muito grande, uma musica que não era minha nem a versão, eu só gravei. Eu vinha fazendo um trabalho de compositor calmamente, sem querer ser um artista estourado, pra fazer uma carreira com mais chão, com uma base maior pra minha carreira, não ir para um sucesso como foi Hey Jude que veio para mim na hora errada e isso que acabava que na época eu não gostava muito e não tocava nos shows (risos). Hoje em dia eu to tocando depois de muita terapia.
MS Repórter - E sua relação com os fãs, como funciona?
Kiko Zambianchi - Normal, converso com os fãs como converso com qualquer pessoa. Eu vou no supermercado, eu saio na rua e sempre fui assim e não vou mudar.
MS Repórter - A última pergunta, e os seus planos para o futuro?
Kiko Zambianchi - Planos para o futuro é o DVD que agente vai trabalhar bastante para lançar em novembro. E Já começar o outro disco que eu quero fazer mais estúdio, mais guitarra e rock’n roll.
Ana Paula Duarte
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Foto: Ana Paula Duarte