A presença do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli na votação para escolha do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande,e supostas rixas entre vereadores da base aliada do PMDB com o prefeito Alcides Bernal deixaram a Câmara em evidência no começo deste ano. Os vereadores ainda estão de recesso, só voltam no dia 19 de fevereiro, e mesmo antes de iniciarem seus trabalhos já são alvos de polêmicas em Campo Grande. Em entrevista ao site MS Repórter, o presidente da Câmara dos Vereadores, Mario César, falou sobre esses e outros assuntos, como por exemplo, a sua relação com o prefeito Alcides Bernal.
MS Repórter – O senhor acha que a presença do governador André Puccinelli na votação para escolha do presidente da Câmara pode ter influenciado no resultado?
Vereador Mario Cesar – De maneira alguma. O governador gosta de política, vive política, para nós foi uma honra a presença dele. Se nós observássemos os números da votação, nós tivemos 20 votos do nosso lado, contra nove da oposição, dos 20 votos que tivemos não houve nenhuma surpresa, poderíamos ter tido até 21 votos, esses 20 votos que recebemos foram dos vereadores que estiveram unidos na campanha do PMDB.
Outra questão, é que quem escolhe o presidente da Câmara são os vereadores, dentro dessa concepção, dessa união da coligação, as coisas acabaram acontecendo de maneira natural. As pessoas colocam polêmica na presença do governador na Câmara, mas ele esteve na posse do prefeito também.
MS Repórter – O governador interfere ou influência nos trabalhos da Casa de Leis?
Vereador – Em nenhum momento, essa é uma questão exclusivamente nossa. È claro que o governador tem uma preocupação com Campo Grande, assim como tem para todos os outros municípios de MS, mas uma intervenção direta na votação não há.
MS Repórter – Como é sua relação com o prefeito eleito Alcides Bernal?
Vereador – Eu fui vereador com ele, tivemos um bom relacionamento enquanto vereador nos dois primeiros anos de mandato dele, que foi de 2008 a 2010, até que ele se elegeu deputado estadual. Sempre tivemos um bom relacionamento, até porque os seis anos em que o Bernal foi vereador, ele era da nossa base aliada (PMDB). Eu me elegi vereador e ele se reelegeu na mesma coligação que era PP, PPS, DEM e PSDB, então estivemos sempre juntos na base aliada ao PMDB. É bem verdade que nessas eleições estivemos de lados opostos, o nosso candidato não saiu vitorioso nessas eleições, mas eu entendo que a eleição para prefeito terminou no dia 29 de outubro a da Mesa Diretora da Câmara se estendeu até o dia 1º de janeiro, naquele mesmo instante acabou a eleição, tanto é que os vereadores estão trabalhando com harmonia, pois vamos ter um convívio diário.
O que depender de mim, enquanto vereador e presidente da Câmara, vou ter o melhor relacionamento possível com o prefeito, só não posso dizer pela parte comportamental do prefeito.
MS Repórter – O prefeito Alcides Bernal havia declarado que divulgaria uma lista com nomes de vereadores que atrapalhassem os trabalhos dele. O que o senhor acha dessa atitude dele?
Vereador – Olha, eu fico triste com essa colocação do prefeito, primeiro que a Câmara está em recesso, segundo que não estamos fazendo nada para atrapalhar, terceiro que os vereadores estão aqui para ajudá-lo. O nosso papel é de fiscalizar o executivo, de fazer com que o executivo trabalhe em prol de Campo Grande. Nós enquanto vereadores não vamos nos ater a esse comentário do prefeito. Nós temos vários partidos aqui dentro, temos várias representações de segmento, então vamos fazer o possível e imaginável para que o prefeito tenha sucesso na sua administração, não estamos pensando no prefeito Alcides Bernal, estamos pensando em Campo Grande.
Qualquer picuinha que possa existir quem sai prejudicada é a população, eu posso dizer ao prefeito que ele pode ter tranquilidade, que não precisa se preocupar em querer apontar os vereadores que estão atrapalhando seu trabalho, porque todos os vereadores vão trabalhar para Campo Grande.
MS Repórter – Em relação a dengue, a Câmara está fazendo um trabalho de prevenção em bairros com situação crítica. Explique aos nossos leitores como funciona esse trabalho na prática.
Vereador – A participação é de todos, se eu cuidar da minha casa e cada um cuidar do que é seu, nós não estaríamos passando por essa situação. A Câmara de Vereadores entendeu que tínhamos que ir pra rua fazer uma conscientização, um trabalho de responsabilidade. Se a gente fizer um pouquinho todo mundo se sai bem. Tanto é que quando fizemos essa ação os sindicatos dos postos de gasolina abraçaram a causa, parece que estão vindo mais três entidades de classe para aprovar nosso projeto.
Com relação a ação, nós estamos chamando a atenção da sociedade para uma responsabilidade que é nossa, então essa ação dos vereadores foi muito importante no trabalho de buscar, porque nós somos representantes do povo, estamos preocupados com o povo, e que essa preocupação seja contagiada, para que possamos, pelo menos, impactar e diminuir esse problema da dengue na Capital.
MS Repórter – Quais são os Projetos de Lei mais importantes que tramitam na Câmara atualmente?
Vereador – Tem alguns projetos nossos que não foram votados no ano passado, muitos foram arquivados. Somos em 29 vereadores, 13 reeleitos e 16 eleitos, então como a grande maioria são novos, a primeira semana será de adaptação. Nós temos as Comissões Permanentes para serem montadas, e devido as nossas caminhadas nos bairros por conta da dengue, surgiram alguns fatos novos que a gente pode pensar em tornar Projeto de Lei.
Têm muitos projetos de leis aprovados que ainda não foram colocados em prática, temos que rever dentro da técnica legislativa quais os projetos já aprovados, sancionados, para que possamos melhorar o convívio em Campo Grande.
Por Mariana Rodrigues
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Presidente da Câmara dos Vereadores, Mario Cesar. Foto: Mariana Rodrigues/MS Repórter