Menu
Busca sexta, 14 de agosto de 2026
Entrevistas

Saiba como vivem os idosos do Recanto São João Bosco e como se mantem

6 março 2013 - 04h50 Por Markito

Sem família, sem uma casa para chamar de sua, acompanhados de suas memórias ou de suas imaginações, porque a realidade do abandono familiar não lhes soa tão reconfortante.

No ‘fim da vida’, tendo contato apenas com os funcionários do asilo, o idoso acaba formando uma nova família, onde adota como filha a enfermeira que lhe traz comida e os leva para caminhar e como genro o rapaz que os visitam uma vez por semana.

Baseado nessa realidade, o site MS Repórter foi até o Recanto São João Bosco, conversar e conhecer o trabalho do maior asilo da Capital, que abriga cerca de 100 idosos. Na ocasião, conversamos com a Irmã Fausta Costa Pacionista, que trabalha no asilo a mais de 20 anos e que nos apresentou a cada um dos idosos que moram ali.

Ela nos revelou seus nomes, suas histórias e estórias, como quem apresenta sua família a um convidado que veio para uma visita. Também conversamos com a coordenadora administrativa, Jozinete de Oliveira Pereira que explicou da onde vem à verba que sustenta o recanto e com o Diácono José Carlos, que é o coordenador de equipe e explicou como são divididas as tarefas.

MS Repórter: Com funciona o trabalho do recanto?

Diácono José Carlos: O trabalho no recanto é formado por equipes: da lavanderia, a que cuida dos idosos e pelos responsáveis pela enfermagem. Na realidade nós temos uma equipe multidisciplinar, por enquanto. Temos dois enfermeiros, farmacêutico, nutricionista e fisioterapeutas. Temos também dois médicos voluntários, o diretor técnico Dr. Fábio Augusto Mourão e o Dr. Alfredo.

MS Repórter: como funciona a rotina da Casa?

Irmã Fauta: Todos os dias, logo que eles levantam tem o café preto, depois às 8h tem o café da manhã, em seguida, às 9h tem um suco. Às 10h30 tem o almoço. Depois a tarde tem um lanche.  No asilo também tem uma equipe de dentista que vem aqui uma vez por mês para fazer pasteis pra eles, e tem umas padarias que mandam cada lanche de babar. A maioria dos idosos que nós cuidamos estão em cadeiras de rodas. Eles são levados, pelos cuidadores, para andar nos corredores e interagir uns com os outros.  

MS Repórter: Quantos funcionários têm no local? E quantos idosos?

Jozinete: Aqui a gente tem na base de 90 funcionários e estamos trabalhando com a média de 100 idosos, que ficam aqui 24h por dia. É muito raro que aconteça de algum idoso ficar temporariamente, nós temos o caso de uns três idosos que a família resolveu buscar e levar para casa. E tem muitos que a família não vem mais visitar e nem liga para saber como está e se precisa de alguma coisa. Dá para contar nos dedos aqueles que voltam para suas casas.
Nós temos um caso de uma senhora que o filho só liga para ela quando está embriagado, porque ele é alcoólatra e a filha sumiu no mundo e nunca mais a procurou.

MS Repórter: Eles recebem tratamento psicológico. Isso seria em razão da falta de convivência com a família?

Jozinete: Sim, nós temos uma psicóloga, então ela faz um acompanhamento com os idosos diariamente. Não são raras as vezes que nos deparamos com idosos chorando, porque estão tristes, se sentindo sozinhos ou porque a família não procura.  

MS Repórter: E visita, eles recebem algum tipo de visitas?

Irmã Fausta: Sim. Recebem bastantes visitas de escolas. Quando veem as crianças alguns deles acabam chorando por lembrar-se dos netos. A visita funciona todos os dias das 8h30 às 11h e à tarde das 14h às 17h. E é aberto para quem quiser vir.

MS Repórter: De onde vêm os recursos do recanto?

Jozinete: Nós temos três convênios. Um municipal, um estadual e um federal. O valor da ajuda é baseado na quantidade de idosos que são abrigados. E outra forma de contribuição é a aposentadoria dos idosos, pois 70% da aposentadoria deles vai para a manutenção do idoso aqui dentro e 30% fica para uma conta no nome do idoso. Esses 30% é para ser gasto da maneira que eles quiserem, como por exemplo, eles pedem que a gente compre algumas guloseimas, alguns pedem ventilador, TV, alguma comida específica, essas coisas. Tudo o que nós compramos tem uma nota fiscal para comprovarmos que o dinheiro foi gasto com eles. Além de tudo isso nós temos a Capitação de Recursos, que fica na Rua 26 de Agosto e faz a arrecadação por doações. Desta forma toda a despesa do asilo é paga com as doações e benefícios dos idosos.

MS Repórter: Como um idoso vem morar aqui?

Jozinete: Antes nós pegávamos uma grande demanda, hoje não é mais assim. Hoje a gente pega a demanda que vem encaminhada para a secretaria de assistência social. Inclusive estamos fazendo visitas para mais nove que eles nos enviaram. O objetivo é estar acolhendo aqui aqueles que necessitam. Nós temos muitos idosos acamados, que dependem de nós para tudo.  Mas o processo hoje é via secretaria de assistência social.

MS Repórter: A internação não tem nenhum custo para a família?

Jozinete: A família na realidade não tem custo nenhum. A única coisa que a gente procura resgatar é o beneficio do idoso, se ele estiver recebendo algum, porque é de direito dele. E quando é a prefeitura que nos envia, ela também envia uma quantia em dinheiro por cada idoso.

MS Repórter: E como vocês comprar os remédios para os idosos?

Irmã Fausta: Nós recebemos muitas doações de medicamentos. Nesta semana mesmo, uma farmácia fez uma doação. E quando o remédio não é para o idoso, nós o repassamos para outras instituições.

Diácono: Uma parte dessas medicações também é adquirida através de convênios, como o SUS que nos ajuda nos medicamentos populares.

MS Repórter: Como é a convivência deles?

Irmã Fausta: Eles são amigos. Tem uns que se reúnem para jogar baralho, sinuca, alguns ficam conversando até tarde, sentados lá fora.

MS Repórter: Eles não ficam sozinhos?

Jozinete: Todos os períodos tem alguém os acompanhando. Tem gente até durante a madrugada.

MSRepórter: Vocês estão com campanha agora? Precisam de doação para algo?

Jozinete: Sim, as necessidades mais urgentes são fraldas geriátricas, shampoo, hidratante e qualquer outra doação. O que puder doar é bem vindo.

Por: Tatyane Soares 

Leia Também

Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Projeto de IA do Detran-MS
Detran-MS alerta sobre golpe:
Detran-MS alerta sobre golpe: