No dia 1º de fevereiro, o Des. João Batista da Costa Marques assumiu pela terceira vez o cargo de Vice-Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e em Criminologia na Faculdade de Direito de Curitiba (PR), o desembargador nasceu em Bela Vista (MS). Em junho de 2000, passou a compor o TJMS, na vaga reservada ao Ministério Público, onde ingressou na carreira em 1980, quando foi nomeado para exercer o cargo de Promotor de Justiça da Comarca de Rio Verde de Mato Grosso.
Atuou nas Promotorias de Justiça em Coxim e Pedro Gomes. Em 1982, foi promovido para Três Lagoas. Trabalhou ainda em Bataguassu, Maracaju e Sidrolândia. Em 1987, foi promovido para Campo Grande e, na Capital, exerceu a função em praticamente todas as Varas Cíveis e Criminais, bem como na Auditoria Militar e, privativamente, no Tribunal do Júri por quatro anos consecutivos. Mais tarde, foi promovido para o cargo de Procurador de Justiça do Estado de MS.
Em 2009, atuou no TRE/MS para integrar a composição plenária, além de presidente e corregedor interinos. Foi vice-presidente do TJMS no biênio 2009/2010 (de 05 de julho de 2010 a 31 de janeiro de 2011) e no biênio 2011/2012 (de 02 de abril de 2012 a 31 de janeiro de 2013).
Acompanhe a entrevista exclusiva que o Vice-Presidente do TJMS concedeu à Secretaria de Comunicação do TJMS.
Após concluir mandatos nas duas gestões anteriores (biênios 2009/2010 e 2011/2012), o senhor começa pela primeira vez um biênio já à frente da Vice-Presidência do TJMS. Qual aprendizado V. Ex.ª traz das primeiras experiências para este período que se inicia?
O aprendizado para a nova gestão que se inicia é que nós devemos trabalhar primeiro em equipe, já que a administração é composta pela Presidência, pela Vice e pela Corregedoria, mas principalmente visando a celeridade e a efetividade da prestação jurisdicional.
Que papel a Vice-Presidência exercerá na administração do Tribunal de Justiça neste biênio?
O papel é de cooperação com a Presidência e à administração como um todo, mas principalmente, assim como aconteceu nas gestões anteriores, de imprimir o máximo de celeridade no trâmite dos processo e efetividade na prestação jurisdicional. Não por acaso, no ano de 2012, havia um grande número de processo represados, no que tange recursos extraordinários e especial – os quais foram, em um período inferior a 60 dias, despachados. Desde então, até os dias atuais, a conclusão encontra-se religiosamente em dia, os feitos estão em ordem, o que acontece não só em relação aos recursos especiais e extraordinários, mas em relação ao pagamento dos precatórios – esses que só não são pagos a mais em razão das limitações de ordem financeiras, já que dependemos do repasse mensal do Poder Executivo.
No ano de 2012, o gabinete da Vice-Presidência registrou mais de 15 mil processos referentes a recursos externos distribuídos, o que representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Com o crescente aumento da distribuição de recursos nos últimos anos, o que pode ser feito para vencer a demanda processual e manter o TJMS dentre os mais céleres do país?
Primeira medida adotada, que permitiu um aumento de julgamento, foi uma gestão implementada na Vice-Presidência, permitindo que se pudesse trabalhar com os processos em ordem, quer dizer, com a conclusão do dia praticamente. Um avanço inegável foi a digitalização dos feitos. Estamos ganhando muito tempo na tramitação dos processos para que possam ser julgados mais rapidamente. Hoje em dia, o processo chega às mãos da Vice-Presidência, dos juízes e dos desembargadores como um todo, muito mais rápido que antigamente. Assim, a digitalização dos autos foi um avanço que vai colaborar pra que o trâmite dos feitos continue acontecendo e o Tribunal de Justiça continue entre os mais céleres do país.
Por meio da Resolução n. 160, o Conselho Nacional de Justiça determinou aos Tribunais do país a instalação do Núcleo de Repercussão Geral e Recursos Repetitivos (Nurer). Os núcleos deverão monitorar os recursos dirigidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao STJ para identificar controvérsias que possam vir a ser julgadas como repercussão geral ou recurso repetitivo e auxiliar o órgão competente na seleção do recurso representativo da controvérsia. Além disso, deverão manter e disponibilizar dados atualizados sobre os recursos sobrestados à espera da decisão no STF ou no STJ, identificando o acervo a partir do tema e do recurso paradigma conforme a classificação realizada pelas duas Cortes. Quais serão os principais benefícios para o jurisdicionado com a instalação destes núcleos?
Com a composição da equipe de servidores extremamente habilitada, isso vai acontecer de forma mais célere, nós teremos condições de identificar melhor os processos, com mais rapidez; organizar, encaminhar para o STJ e o STF, e quando vierem as decisões dos tribunais superiores, teremos como fazer isso de forma mais operosa, resultando em benefício para o jurisdicionado, já que a prestação jurisdicional será mais rápida.
No setor de precatórios, a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de MS apresentou duas novidades em 2012: deixou de pagar os precatórios da área do Trabalho e implantou o Disque Precatórios. Na gestão de V. Ex.ª, foram despachados 4.593 precatórios e o ano encerrou com 6.065 processos pendentes.
Só um esclarecimento: não é que nós deixamos de pagar. O gerenciamento desses processos foram alocados para a justiça do trabalho já que a natureza do crédito é oriunda daquela justiça. O Tribunal apenas administra e gerencia esses pagamentos. O disque-precatórios foi um avanço fenomenal porque dá mais publicidade a este setor tão importante da Vice-Presidência e do Tribunal de Justiça, e é uma ferramenta fantástica que facilita a vida do cidadão que, em vez de se deslocar, pode simplesmente fazer uma ligação para saber a situação de seu processo. Este serviço está disponível pelo telefone 3314-1727, tanto para o público externo quanto para o interno, e funciona das 12 às 18 horas.
Na opinião do senhor, o que pode ser feito para dar ainda mais agilidade a este setor e diminuir o estoque?
O máximo que está ao nosso alcance tem sido feito, mas dependeria de um repasse maior para que os pagamentos fossem efetuados de forma mais rápida e aí sim diminuiria o estoque de processos.
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