A dupla sertaneja Chistãozinho e Xororó recebeu a imprensa no último sábado (06), em Campo Grande. Os cantores vieram até a Capital de Mato Grosso do Sul para um show, que faz parte da turnê “Na Estrada”. Durante a entrevista, a dupla explicou o porquê do título “Na Estrada”, falou também sobre o fato deles serem visto como influência e referência para outras duplas que iniciaram depois e principalmente as duplas recentes.
Eles destacaram também a opinião sobre o sertanejo universitário e passaram dicas de como as novas gerações podem fazer para alcançar tanto tempo de carreira sólida como eles. Confira a entrevista completa logo abaixo.
MS Repórter – Vocês marcaram pela história na música sertaneja no país, pelo pioneirismo, pela roupagem. Nesses shows que estão fazendo, na verdade, cruzando o Brasil, vocês colocaram de novo na estrada, é uma coletânea, um presente para o público, uma nova marca de Chitãozinho e Xororó e uma nova linguagem que querem dar?
Chitãozinho - Na estrada, por que é uma junção da nossa história com a dos caminhoneiros que cruzam o Brasil diariamente e o show ele tem um pouco de tudo, as músicas mais conhecidas, grandes clássicos, tem o momento da orquestra sinfônica do último DVD nosso. A gente trouxe para os palcos, através dos telões, tocando ao vivo com a orquestra, fizemos assim uma mixagem e uma união bacana do ao vivo com o telão e deu um resultado maravilhoso. É um show com bastante cuidado, bem produzido, que está fazendo muito sucesso. A gente já esta ai pelo segundo ano com esse show "Na Estrada", já visitamos praticamente o Brasil inteiro, desde o Rio grande do Sul até o Nordeste e agora a oportunidade de estar aqui em Mato Grosso do Sul e a gente espera repetir o sucesso, que realmente é um show que as pessoas vão acompanham, se emocionam e cantam, a gente procurou deixar o público bem a vontade com a gente e é muito gostoso, a gente acaba se emocionando com a plateia também e está sendo um prazer muito grande fazer esse espetáculo.
MS Repórter - Como que é pra vocês terem influenciado o Brasil inteiro, com tantas duplas que surgiram ao longo dessa estrada em 40 anos, em especial Mato Grosso do Sul, como exemplos de Munhoz e Mariano, Luan Santana também, Michel Teló. Como que é influenciar a música sertaneja, os cantores, os talentos, como que é isso Xororó?
Xororó - Pra gente é um motivo de muita alegria, de orgulho, satisfação, a gente começou a carreira faz tantos anos, mais de 40 de carreira e essa garotada veio crescendo ouvindo nosso trabalho. Talvez por que, por termos tão cedo, e na época que a música sertaneja não tinha tanto espaço na mídia, a gente com muito trabalho, com muita ousadia também, digamos assim, a gente foi abrindo as portas, quebrando as portas do preconceito e através do sucesso de algumas canções, como por exemplo 'fio de cabelo', a nossa música ocupou um espaço bem maior na mídia.
Depois vieram outros artistas ajudando a gente a dar esse seguimento, a exemplo de Zezé de Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, Daniel, na época com João Paulo e Bruno e Marrone também que veio na sequência e essa garotada, depois desse sucesso todo da música sertaneja, particularmente da nossa dupla, talvez seja por isso que eles tenham comentado, eles sempre falando que seguem nosso exemplo, talvez por tanto tempo na mídia, tanto tempo cantando música sertaneja e sempre inovando também, buscando coisas de fora, sempre reinventando dentro da nossa música, talvez seja por isso, pra gente é um motivo de muita alegria e cada vez a responsabilidade é maior pra continuar dividindo os palcos hoje com essa garotada.
A gente sente que a nossa música continua em boas mãos e mais do que nunca, essa molecada que vem da faculdade, vem se informando cada vez mais, se formando dentro da história da música brasileira. A gente um dia que parar de cantar vai saber que a nossa música está em boas mãos.
MS Repórter - Como vocês podem projetar para daqui ha alguns anos o início dos novos cantores, por que o começo de vocês foi bastante difícil, não havia toda essa tecnologia que tem hoje, como internet e acesso a redes sociais. Como vocês projetam esse futuro para os novos cantores?
Chitãozinho - Eu acho que a qualidade musical de cada um vai definir o tanto de carreira e a condução individual também do artista. É o que define se o cara vai continuar ou não, por que o público sabe muito bem o que ele quer, então a responsabilidade é grande de todo mundo, e aquele que souber conduzir bem a carreira, gravando coisas boas, mantendo a sintonia e o respeito com o público, certamente tem, todo mundo que ta ai, muita gente talentosa nesse movimento todo e todos eles tem grande chance de construir uma carreira maravilhosa.
MS Repórter - Vocês estão fazendo shows para o Brasil inteiro e internacionalmente em projetos?
Chitãozinho - A gente não tem projeto de fazer show fora por enquanto não, possivelmente no futuro a gente pensa, da uma vontade, de repente de gravar um disco em espanhol, por que nós já tivemos essa oportunidade ha muitos anos atrás e foi de grande sucesso, mas não é uma coisa que preocupa a gente não.
Nós estamos agora com um disco novo para ser lançado, reinventando alguns arranjos de músicas antigas nossas e quatro canções inéditas, trazendo a canção do Raul, do Raul Seixas, que a gente falou tanto e acabou não gravando e agora a gente resolveu por nesse CD e DVD que será lançado pela som livre, dentro de alguns dias, então a gente está focado ai em curtir o nosso trabalho pelo Brasil e mostrar o que nós estamos trazendo de inovação dentro do nosso trabalho.
MS Repórter - O Brasil vive hoje e há algum tempo a onda do sertanejo universitário, como vocês avaliam esse estilo de música, apesar das mudanças, consideram que ainda é sertanejo?
Chitãozinho - Considero claro, a origem de cada um fala mais alto e nós ficamos sabendo que esse estilo de sertanejo universitário começou aqui em Mato Grosso do Sul, com o trabalho de João Bosco e Vinícius e em Minas Gerais, com o trabalho de César Menotti e Fabiano, por que eles fizeram um trabalho em faculdades e acabou criando esse rotulo.
Eu acho muito legal por que isso inovou e trouxe essa juventude para cantar música sertanejo que já estava enraizada no coração e na essência de cada, não só dos cantores como no público também e isso realmente através da imprensa e da mídia que hoje, por meio da internet, é uma coisa muito forte e se tornou público e o Brasil inteiro assimilou esse tipo de música.
Não é sucesso só aqui na região, onde tem essa cultura da música sertaneja, ela virou sucesso nacional mesmo incluindo Bahia, que é um estado muito forte, que tem uma cultura muito forte, mas essa música entrou com muita força e hoje faz sucesso de norte a sul, leste a oeste.
Esse movimento está sendo muito importante, ao mesmo tempo para revelar novos artistas e também para inovar o público que hoje está catando, e é um publico que já vem de música sertaneja, já vinha cantando, hoje apenas se revelou isso e se tornou explicito e é muito importante para o gênero.
Xororó - Não só dentro do Brasil como no mundo inteiro, como Michel Teló, que foi um maior sucesso, reconhecido no mundo todo. Eu estava na Suíça, um país que é muito visitado por brasileiros e o Michel estava tocando muito na rádio, daquele país, o motorista, o pessoal comentando que gostava e que ele estava estourado, bem no auge da carreira dele, a exemplo também agora, o Gustavo Lima faz sucesso, está dando sequência e isso é coisa de sertanejo, mais importante pra gente é isso, apesar de serem dois cantores de solos, mas a origem é sertaneja e a pegada é sertaneja, a maneira de escrever.
Chitãozinho - Trouxe de volta também o acordeom, a música hoje é mais dançante, é mais gostosa, não é aquela coisa de lamento.
Xororó - A diferença é essa somente, é o estilo, a maneira de falar diretamente com o público, as músicas são mais comerciais, mais são realmente músicas sertanejas.
MS Repórter - São 40 anos de estrada, uma carreira longa. O que vocês diriam pra quem está começando agora, para as duplas novas, para consolidar tanto tempo de carreira como vocês?
Chitãozinho - Eu acho que ter uma carreira solida, é você viver o dia a dia com dignidade, tratar as pessoas com dignidade, cuidar do repertório, cuidar da música, da apresentação, em cada momento que o artista aparece para o público e aparecer bem. É uma planta que tem que ser regada sempre.
Xororo – É qualidade acima de tudo, eu acho que o repertório, a maneira de gravar, o respeito com o público, a seriedade no trabalho, a responsabilidade. Carreira artística é igual a qualquer outra carreira, uma outra área, se fizer com qualidade, dedicação e respeito você consegue atingir longevidade, vai ter sempre alguém para querer ouvir e aplaudir.
MS Repórter - Em 2010 vocês completaram 40 anos de estrada e prepararam um pacote de atrações especiais. Já existe um projeto de comemoração de 50 anos de história da dupla?
Chitãozinho - Não, no momento não, a gente está focado no próximo disco, que se chama “Do tamanho do nosso amor”, uma música que fala de vários lugares e pontos turísticos do Brasil e inclusive a cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul. É uma música que está começando a aparecer no Brasil inteiro e a gente agora esta lançando uma música inédita também que chama “Em tempo” e então nós vamos dedicar nesse final de ano, esse ano todo ao lançamento e ao próximo show que vai estrear no meio do ano também, mas acho que a comemoração dos 50 anos, é como Roberto Carlos, que vai acontecer de uma maneira natural e tranquila, eu acho até um pouco cedo pra gente falar sobre isso, mas certamente vai ter sim.
Xororó – É engraçado que as pessoas estão perguntando, mas a gente não consegue trabalhar com tanta antecedência assim, quando chegar mais próximo a agente vai ver, se Deus quiser a gente vai chegar lá.
Chitãozinho – A gente tem uma parceria muito boa com o Maestro João Carlos Martins, onde a gente realiza espetáculo por várias cidades do Brasil, com a orquestra, com ele. É muito gostoso, então futuramente deve rolar mais algum DVD, alguma coisa junto por que tocar com a orquestra é uma experiência gratificante pra nós.
Por Mariana Anjos
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Foto: Mariana Anjos