O MS Repórter conversou esta semana com um soldado que está em missão de paz no Haiti. Mario Costa, 22 anos, do 9º Batalhão de Suprimento de Campo Grande (MS), contou como é chegar a um país que sofre com a pobreza e com a devastação por conta do terremoto que atingiu o local. O soldado falou da experiência ao chegar ao lugar e da expectativa pela volta para casa. Os militares que foram para o Haiti este ano, devem ficar na missão que é comandada pelo Brasil, em torno de seis meses a um ano.
MS Repórter - Há quanto tempo está no Haiti?
Soldado Mario Costa - Já são três meses de missão
MS Repórter - Qual foi a sensação em pisar pela primeira vez em solo haitiano?
Soldado Costa – Foi um pouco estranho, pois aqui é muito diferente do Brasil. O solo haitiano é branco e o sol muito forte, e isso dificulta um pouco a visão sem os óculos. Em alguns lugares do Haiti o esgoto corre a céu aberto e as pessoas comercializam seus produtos alimentares sem o mínimo de higiene, além disso, as crianças são muito carentes, a maioria anda pela rua sem roupa e pedindo alimento.
MS Repórter - Pra você, qual a importância de participar de uma missão como essa?
Soldado Costa - Pra mim é muito importante, pois estou adquirindo muita experiência, tanto pessoal quanto profissional. Além de poder ajudar pessoas que realmente necessitam da nossa ajuda.
MS Repórter - O que mais te chamou a atenção no Haiti?
Soldado Costa – Com certeza o que mais me chamou a atenção foram as condições precárias da população, a destruição do país após o terremoto e a diferença cultural.
MS Repórter - Conte um pouco de sua rotina.
Soldado Costa - A Nossa jornada de trabalho é bastante intensa, aqui a gente cumpre diversas missões tanto na base quanto na rua em diversos horários. Todo sábado é organizada uma feira-livre onde os haitianos comercializam materiais esportivos e produtos artesanais confeccionados por eles próprios. E a cada 30 dias é disponibilizado um Leave/arejamento que varia de cinco a 15 dias de descanso onde o militar pode optar por viajar para outros locais como: Estados Unidos e República Dominicana.
MS Repórter - Qual sua expectativa para esta missão?
Soldado Costa - A expectativa é que possamos continuar ajudando essas pessoas e que todos voltem para casa sem nenhuma baixa (perda).
MS Repórter - Quais coisas boas dessa experiência você vai trazer para o Brasil?
Soldado Costa - Apesar de toda dificuldade os haitianos conseguem sorrir e nos ensinar sobre superação. E é esse exemplo que eu vou levar para o Brasil.
MS Repórter - Qual a importância dessa missão para o Brasil?
Soldado Costa - Para o Brasil é muito importante, pois ele está comandando uma missão de âmbito internacional, e como está obtendo sucesso é visto com bons olhos podendo futuramente comandar outras missões.
MS Repórter - Como os soldados brasileiros são tratados pelos haitianos?
Soldado Costa - A população gosta muito dos militares brasileiros, e até colocaram o apelido de "bombagay" que significa "gente boa" no idioma deles.
MS Repórter - Há uma diferença de tratamento em relação aos soldados de outros países?
Soldado Costa - Não, todos recebem o mesmo tratamento, uma vez que fazemos parte da mesma tropa e temos o mesmo objetivo que é a estabilização da paz no Haiti.
MS Repórter - Os militares que estão no Haiti recebem algum tratamento psicológico antes ou durante a missão para lidar com todo o caos que o País apresenta?
Soldado Costa - Sim, tanto psicológico quanto religioso. Tem uma psicóloga a disposição dos militares para nos atender quando for preciso. E duas vezes na semana são realizados cultos e missas.
Por Mariana Rodrigues
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