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Zeca Baleiro conta um pouco de sua história e dá sua opinião sobre a música regional

25 abril 2013 - 12h47

 José Ribamar Coelho dos Santos, mais conhecido como Zeca Baleiro, fala do último trabalho, o cd “O Disco do Ano”. O cantor, compositor, cronista e músico brasileiro concedeu uma entrevista bem humorada ao MS Repórter, onde contou um pouco de sua história, de seu novo cd, da interação dos artistas com os fãs por meio das redes sociais, além de muitos outros assuntos.

MS Repórter - Comece nossa entrevista contando um pouco da sua história para os nossos leitores!

Zeca Baleiro – Minha história parece com a história de todo mundo (rsrs). Ralação mesmo. Fiz muitos, muitos trabalhos na música, mas de forma paralela, tipo, trabalhos mais alternativos, como trilha para teatro infantil. Em São Paulo, quando cheguei, trabalhei em estúdio, fiz trilhas também propriamente para teatro e para dança, mas fazia isso mais para sobreviver e acabei ganhando uma experiência valiosa. Depois, a partir do primeiro disco, minha história ficou um pouco mais conhecida, mas em 1997, foi um longo período até chegar. Tinha 31 anos, uma longa caminhada até chegar ao primeiro disco. Quando você tem um disco você tem uma carteira de identidade, assim fica mais fácil e natural de expandir e propagar seu trabalho.

MS Repórter - O ‘Baleiro’ do seu nome veio do fato de você gostar muito de doces. Porque você aderiu esse apelido ao seu nome artístico?

Baleiro – Hoje eu gosto menos de doces (risos), ainda gosto, mas a idade vai chegando e hoje eu gosto menos. Eu fazia faculdade e comia muita bala, sempre tinha balinhas e chicletes e os amigos começaram a me chamar de baleiro, como meu nome a combinação não é muito sonora, eu acabei adotando o apelido.

MS Repórter - Você chegou a terminar a faculdade?

Baleiro – Não, nenhuma. Fiz um ano de jornalismo, um ano de agronomia e não terminei nenhuma delas.  

MS Repórter - Se você não tivesse envolvido no meio da música, o que você seria?

Baleiro – Eu poderia ser jogador de futebol, era um bom jogador, poderia ser cozinheiro, cozinho bem.

Brincadeira, sempre iria estar envolvido com arte e cultura de alguma maneira, eu ia sempre estar no meio disso, mesmo que eu não fosse um “fazedor cultural”. Talvez se pudesse, eu iria ser produtor de shows, de eventos. Fiz revista de poesia, de cultura, produzi peças de teatro, musicais, então eu sempre estive de alguma forma, envolvido nesse meio. Obviamente que a música acabou se tornando a principal atividade, porque era a minha vocação mesmo, mas estaria de algum modo ligado a esse universo.

MS Repórter - Quais são novidades desse disco "O Disco do Ano"?

 Baleiro – O grande diferencial deste trabalho é que eu chamei 14 produtores para trabalhar comigo. São 12 músicos e 14 produtores que, em alguns casos, dois trabalham na mesma faixa. Esse foi um jeito diferente que eu imaginei de fazer o disco pra ele ficar colorido, cheio de nuances e tal. Esse é o grande diferencial, mas tem outras particularidades como as parcerias com Frejat, por exemplo, além das colaborações nos vacais de Andreas Kisser e Chorão.

MS Repórter - A capa do cd foi escolhida pelo público. Como você vê essa interação do artista com os fãs por meio das redes sociais?

Baleiro – Acho que hoje com essas ferramentas todas que têm na internet, deixou isso mais fácil e possível. Acho que a internet e as redes sociais são uma coisa para serem usadas mesmo, desde que sejam usadas totalmente de forma lúdica, inteligente e divertida, tem gente que faz uso de um jeito estúpido, como em todo meio (risos). 

MS Repórter - Você acha que as redes sociais são uma forma de aproximar o artista de seus fãs?

Baleiro – É uma forma bem poderosa, é um contato imediato. No meu tempo, por exemplo, quando eu era adolescente, era impossível você poder escrever diretamente para o seu artista, e até ter a surpresa de que o cara iria responder, hoje isso é possível. Enfim, são ferramentas importantes que têm um modo de divulgação e propagação muito eficaz. Essa ideia mesmo da enquete para a escolha da capa do disco, foi um negócio concorridíssimo, nós colocamos também um passo a passo de como foi feito o disco para que as pessoas pudessem visitar.

MS Repórter - Notei que você está com uma unha pintada de vermelho, você é supersticioso?

Baleiro – Tenho umas pequenas superstições. Eu não deixo roupa do lado avesso nunca, acho que dá azar. Não saio de casa com a roupa do avesso de jeito nenhum e nem deixo sandália virada e pinto a unha pra dar sorte.

MS Repórter - Hoje em dia o mercado musical de MS tem lançado muitos artistas que atuam no ramo do sertanejo. O que você acha desses hits sertanejos que são considerados “hits chicletes”?

Baleiro – Olha, eu sou a favor do acesso de todos a tudo, acho que todo mundo tem tanto o direito de se expressar como o consumidor de consumir. Obviamente que quando existe essa coisa muito forte, essa tendência muito forte como a do sertanejo, isso acaba criando problemas de circulação, por exemplo, vai ficando mais difícil artistas com meu perfil virem à Campo Grande porque os shows dos artistas sertanejos são mais lucrativos e isso é ruim para o mercado. Agora, eu sou a favor de que as pessoas produzam e cada um dá o que é teu. Tem um cordel que o Alceu Valença cantava nos anos 70 que dizia assim: “cada qual com sua arte, seu estilo de agradar, quem tem o mel dá o mel, quem tem o fel dá o fel, quem nada tem nada dá”. As pessoas dão o que tem e quem puder absorve.

Eu tenho um público bastante numeroso aqui, na época que eu fiz o MS Canta Brasil, me falaram que foi recorde de público, se não me engano deu umas 300 mil pessoas no Parque [das Nações Indígenas]. Mas, shows fechados vão ficando mais difícil de trazer, precisa ter um produtor corajoso ou louco pra trazer.

MS Repórter - Como você define seu público de Campo Grande?

Baleiro – Meu público está sendo renovado aqui, tem jovens, velhos, meia idade e até crianças.

MS Repórter - O que você curte na música de Mato Grosso do Sul?

Baleiro – Eu sou fã da música daqui. Eu já conhecia a música folclórica regional, a minha mãe era ouvinte de rádio, então ouvíamos músicas de fronteira, guaranias, boleros e chamamés. Mas a música daqui ficou mais visível quando o Almir Sater e a Tetê Espíndola ganharam visibilidade nacional. Aí começou a chamar mais a atenção para a música daqui e assim eu passei a conhecer toda essa produção. Virei fã do Geraldo [Espíndola], o acho um gênio da canção, a própria Tetê, toda a família Espíndola que é talentosíssima. Paulo Simões que também é um grande amigo, além de super talentoso.

Vez ou outra eu ganho um cd de alguns artistas novos e vou me inteirando. Participei de um disco de uma cantora de Dourados, Giani Torres, que é talentosíssima. Quem fez o intermédio foi meu tecladista Adriano, que é daqui e mora em São Paulo, ele trabalhou na produção do cd dela e eu fiquei encantado, ela canta e compõe muito bem. Isso mostra que está havendo uma renovação da cena musical daqui, isso é bacana e importante. 

 

Por Mariana Rodrigues

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