A Seleção feminina de futebol precisava apenas de um empate para garantir a liderança do Grupo E, mas perderam por 1 a 0 para a Grã-Bretanha, diante de 70.584 torcedores, e terminaram na segunda colocação.
Com a derrota, o Brasil vai encarar o Japão, na sexta-feira (03), pelas quartas de final, em Cardiff, País de Gales - local dos dois primeiros jogos da seleção. Atuais campeãs mundiais, as japonesas terminaram em segundas do Grupo F, atrás da Suécia, e contam com Homare Sawa, eleita a melhor jogadora do mundo em 2011. Se avançar, a seleção fará a semifinal em Manchester (6 de agosto), retornando a Wembley apenas na final de 9 de agosto.
O Brasil não disputava um jogo em Wembley desde 1º de junho de 2007, quando a seleção masculina, então treinada por Dunga, empatou em 1 a 1 com a Inglaterra em amistoso. Para as meninas, Wembley era um sonho. Sonho que começou com um pesadelo. Na véspera da partida, a delegação teve de esperar cinco horas pelo ônibus que a levaria de Cardiff, no País de Gales, até Londres.
Gol-relâmpago
Antes do jogo, os jornais britânicos anunciavam que a terça-feira era dia de carnaval em Wembley. Nas duas linhas de metrô que dão acesso ao estádio, o verde e amarelo se misturava ao azul, vermelho e branco do Team GB. O pequeno britânico, com moicano estilo Neymar, contava as estações e tentava explicar à tia por que a Grã-Bretanha tinha chances. O casal de namorados se dividia: ele, brasileiro, com a camisa verde-amarela; ela, com as cores dos donos da casa.
Na porta do estádio, mesmo quem não se preparou podia entrar no clima. Uma loja que se orgulha de vender adereços de todas as seleções que estão em busca de uma medalha em Londres aproveitava para faturar. Na barraca de cachorro-quente, filas homéricas e organizadas uma hora antes de o jogo começar.
Quando as britânicas entraram em campo, para o aquecimento, 30 minutos antes do pontapé inicial, poucos torcedores estavam dentro do estádio. E, quando a bola rolou, os atrasados perderam o que poderia ser o melhor da festa. Um minuto de jogo e gol-relâmpago. Após cobrança de escanteio e sobra pela direita, Stephanie Houghton foi lançada na área. Girou, driblou a goleira Andreia e bateu para o gol vazio. As britânicas pareciam não acreditar. Uma se jogou sobre a outra, no chão. Foi o gol mais rápido da história do futebol feminino na história dos Jogos Olímpicos. Nas arquibancadas, ola pela primeira vez.
O gol britânico foi tão rápido que não deu nem tempo de observar como o Brasil reagiria a mudanças táticas no time. Com a vaga assegurada, o técnico Jorge Barcellos fez duas mudanças em relação à equipe que venceu a Nova Zelândia. Mudou não só nomes, mas também a forma de o Brasil jogar. Com dores musculares, a lateral-direita Fabiana foi poupada. Maurine foi deslocada para o setor, e Rosana entrou no time. Com cartão amarelo, Formiga começou no banco e deu lugar à atacante Thaysinha. Com isso, Cristiane passou a ter companhia no ataque, e Marta a jogar na armação da equipe.
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Foto: Reuters