O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso nesta segunda-feira em apoio ao povo líbio no momento em que os conflitos pela saída do ditador Muammar Gaddafi do poder entram em sua reta final.
Obama reforçou que a situação no país ainda é incerta e os combates continuam, apesar de estar "claro que o regime de Gaddafi tenha chegado ao fim". Gaddafi deve renunciar "explicitamente" ao poder, disse.Depois de uma campanha de bombardeio cinco meses da Otan, a aliança militar do Ocidente, Obama disse que a situação chegou a um "ponto de virada" nos últimos dias. No entanto, segundo ele, há elementos do regime que continuam a ser uma ameaça.
Obama ressaltou que a coragem da população da Líbia foi imbatível e que a revolução no país pertence ao povo líbio. "Seus sacrifícios foram extraordinários", disse.
Segundo o presidente, os avanços dos opositores de Gadddafi mostram que a busca por "dignidade humana é muito mais forte que qualquer ditador".
Um porta-voz da Casa Branca afirmou que o presidente continua se opondo à presença de tropas terrestres americanas na Líbia. " não mudou", disse Josh Earnest a jornalistas em Massachusetts, onde Obama está de férias.Segundo Earnest, Obama se reuniu com seu conselheiro de segurança John Brennan nesta segunda-feira para se atualizar sobre os avanços rebeldes em Trípoli.
O porta-voz ressaltou que as autoridades dos Estados Unidos acreditam que o ditador Muammar Gaddafi continua na Líbia e que "não há informações" de que ele tenha deixado o país.
No domingo, Obama disse que o regime de Gaddafi chegou ao seu "momento decisivo" e que o "tirano" líbio deve partir para evitar um banho de sangue. O presidente também pediu em comunicado que os rebeldes respeitem os Direitos Humanos, preservem as instituições do Estado e sigam para a democracia.
"O regime de Gaddafi apresenta sinais de colapso. O povo da Líbia prova que a busca universal pela dignidade e pela liberdade é muito mais forte do que o punho de ferro de um ditador".
Está prevista para hoje uma reunião de Obama com sua equipe de segurança nacional em caráter de urgência para tratar da situação no país árabe, já que os rebeldes controlam boa parte da capital, Trípoli.O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião na Líbia, afirmou nesta segunda-feira que espera que Gaddafi seja capturado vivo.
Ele pediu ainda aos combatentes rebeldes que respeitem a lei e prometeu um julgamento justo para os membros do regime de Gaddafi. "Eu peço a todos os líbios que exerçam autocontrole e respeitem a propriedade e a vida de outros e que não queiram aplicar a lei com as próprias mãos", disse Mustafah Abdeljalil.
Jalil, contudo, não quis especular sobre o destino de um dos filhos de Gaddafi, Saif al Islam, capturado na tarde de domingo, e se seria entregue à corte internacional. Ele disse apenas que ele "está em mãos dos rebeldes e em um lugar seguro".
Apesar de existir uma ordem de busca e captura a nível internacional contra ele, o Tribunal Penal Internacional só pode atuar quando a Justiça do país envolvido não o faz ou renuncia de maneira explícita a julgar o acusado.
Ceyd Moreles/Fonte: Folha.com
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