A partir deste domingo (1º), não cabe mais somente à polícia fiscalizar quem bebeu vinho demais antes de pegar o volante na França. Neste final de semana entra em vigor um decreto que obriga os motoristas a possuírem o próprio teste de bafômetro no veículo. A medida, que à primeira vista protege a segurança nas ruas e estradas, é criticada por associações de defesa dos usuários por não atingir o público-alvo.
O uso do álcool é a principal causa de acidentes na França, responsável por um terço das cerca de 4 mil mortes anuais nas estradas do país. O índice francês é bastante superior ao de países onde o consumo de bebidas é semelhante, como Alemanha (10%) e Inglaterra (17%). Para tentar poupar cerca de 500 vidas por ano, foi aprovado em fevereiro um decreto que obriga os motoristas a comprar testes - descartáveis ou eletrônicos - e tê-los à disposição sempre que beberem álcool e estiverem no volante. Os modelos descartáveis, de plástico custam entre 1 e 3 euros (de R$ 2,58 a R$ 7,76). Os eletrônicos não saem por menos de 100 euros (R$ 258).
Com a adoção da nova regra, diversas marcas apareceram no mercado, nem todas com o selo de garantia expedido pelo governo francês. A aproximação da implantação da medida chegou a causar ruptura de estoque em dezenas de estabelecimentos por todo o país: estima-se que 50 mil testes portáteis serão vendidos neste ano, contra 15 mil em 2011.
Se por um lado a prevenção de acidentes por alcoolização é indiscutivelmente positiva, por outro as associações de defesa da segurança no trânsito criticam a medida por considerarem que os bafômetros portáteis não sensibilizam os principais envolvidos: os consumidores que misturam álcool e direção. "É uma medida inútil. Não precisamos de um decreto como este para nos mostrar que mais de 80% dos acidentes têm um motorista alcoolizado na origem", protesta Chantal Perrichon, presidente da Liga contra a Violência no Trânsito.
Não existe uma regulamentação europeia para o uso do bafômetro. Iniciativas semelhantes à da França podem ser encontradas na Suécia, por exemplo, onde cada vez mais ônibus e caminhões são equipados de bafômetros eletrônicos que impedem o acionamento do motor se o condutor estiver alcoolizado.
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