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Internacional

Norueguês diz haver mais duas células militantes em sua organização

25 julho 2011 - 15h33 Por Markito

A polícia norueguesa investigará a afirmação feita pelo norueguês Anders Behring Breivik, de 32 anos, de que tem mais duas células militantes trabalhando em sua rede terrorista, anunciou nesta segunda-feira (25) Kim Heger, juiz que presidiu a primeira audiência do acusado pelo massacre de sexta-feira (22) em Oslo e na Ilha de Utoya, na Noruega. Em coletiva posterior à audiência, autoridades policiais disseram que Breivik pareceu se contradizer com essa afirmação, já que em depoimento após ser preso afirmou que havia atuado sozinho no duplo atentado.

Por decisão da Justiça, a audiência de 35 minutos ocorreu a portas fechadas - sem a presença do público ou da imprensa. Grupos e familiares das vítimas tinham pedido que a imprensa boicotasse a aparição, temendo que Breivik a usasse como plataforma para propagar suas opiniões extremistas.

De acordo com as autoridades policiais, a audiência foi fechada pela "preocupação de revelar muita informação" sobre o caso. "Uma das razões é que pensamos que outras pessoas podem estar implicadas", disseram. Os oficiais, porém, negaram que um suspeito do caso tivesse sido preso na Polônia. A informação de que um cidadão polonês teria sido preso pela polícia da Cracóvia, no oeste polonês, havia sido divulgada pela televisão norueguesa TV 2. Segundo os policiais, continuam as investigações sobre os possíveis vínculos de Breivik com a Polônia.

Na sessão, Breivik rejeitou a responsabilidade criminal pelos ataques argumentando que queria salvar a Noruega e a Europa Ocidental do "marxismo cultural", mesma expressão usada em manifesto de 1,5 mil páginas atribuído a ele e postado na internet horas antes dos ataques. De acordo com o juiz, o acusado justificou suas ações afirmando que o massacre foi necessário para evitar que a Europa seja tomada por muçulmanos. 

O extremista norueguês também declarou que seu principal objetivo era prejudicar o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração. Segundo o juiz, Breivik disse que a legenda governista é culpada da "importação em massa" de muçulmanos. "O Partido Trabalhista tinha de pagar um preço por sua traição; muçulmanos estavam aqui para colonizar o país", disse Breivik, citado pelo magistrado. 

"A operação não tinha o objetivo de causar o maior número de mortes possível, mas emitir um forte sinal que não pudesse ser confundido de que, enquanto o Partido Trabalhista continuar levando adiante suas mentiras ideológicas e desconstruindo a cultura norueguesa e importando muçulmanos em massa, terá de assumir a responsabilidade por sua traição", disse o radical cristão, segundo o juiz. Ele também reiterou as declarações dadas à polícia no fim de semana de que é autor do dia que chocou a pacífica Noruega e representou o mais mortal para o país desde a Segunda Guerra Mundial.

O juiz indiciou o acusado por atos de terrorismo, anunciando que o extremista ficará sob custódia por oito semanas, das quais quatro em total isolamento. De acordo com o magistrado, a promotoria pediu essa medida pelo risco de perda de provas e pela "extensão e característica" do caso. Assim, o autor presumível dos atentados ficará em completo isolamento até 22 de agosto, o que representa não poder receber cartas, visitas ou usar a mídia.

Segundo o juiz, a data da principal audiência sobre o caso será definida depois que a polícia concluir a investigação. De acordo com a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. A sentença pode ser estendida se o prisioneiro for considerado uma ameaça à segurança pública. 

Ao canal de TV norueguês TV 2, o pai de Breivik disse que seu filho deveria ter se matado em vez matar tantas pessoas. "Ele deveria ter se suicidado antes de matar tanta gente", afirmou Jen Breivik, de Cournanel, no sul da França, onde vive desde que se aposentou.

Camila Bertagnolli/Fonte: IG

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