A lei para cortar os gastos e elevar o teto de dívida do governo dos Estados Unidos foi aprovada no Congresso nesta terça-feira (2) e irá para a sanção do presidente Barack Obama. O Senado aprovou a lei com 74 votos a favor e 26 contra, depois da aprovação na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira. De acordo com a Casa Branca, Obama sancionou lei assim que chegou em sua mesa, poucas horas após a decisão do Senado.
O plano não agradou parte da ala democrata, mas contava com o endosso do líder da maioria, o democrata Harry Reid, e do líder republicano Mitch McConnell. O projeto é o resultado de um acordo entre republicanos e democratas, alcançado após meses de intenso debate e especulação no mercado financeiro.
O projeto eleva o teto da dívida em US$ 900 bilhões, dos atuais US$ 14,3 trilhões para US$ 15,2 trilhões. Era uma exigência dos republicanos, maioria na Câmara dos Deputados, que cada dólar da elevação do teto fosse compensado com cortes de gastos.
Deste dinheiro, US$ 400 bilhões podem ser emprestados imediatamente –o que garantiria os ameaçados benefícios sociais e empresas que prestam serviços para o governo. Outros US$ 500 bilhões serão liberados até fevereiro.
Outro US$ 1,2 trilhão em novos cortes deve ser proposto por um comitê bipartidário até o Dia de Ação de Graças, em novembro deste ano.
Apesar do complexo debate no tema, a elevação do teto da dívida é algo corriqueiro nos Estados Unidos. Neste ano, contudo, a decisão foi contaminada pela campanha das eleições gerais de 2012, nas quais Obama tentará a reeleição.
O plano não agradou a todos os republicanos, nem todos os democratas. O problema, contudo, vai muito além das questões partidárias. Sem a elevação do teto da dívida, funcionários da administração Obama previam danos graves à economia mundial.
Os EUA atingiram seu limite de endividamento em maio, mas o governo usou manobras para garantir o pagamento das contas até esta terça-feira.
O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse ao canal de TV ABC News que teme que a confiança mundial ficou abalada “por este espetáculo”. “Isto, de algumas formas, é um julgamento sobre a capacidade do Congresso de agir”, disse.
Câmara
A Câmara dos Deputados aprovou o plano na noite de segunda-feira com 269 votos a favor e 161 contra. Para que o plano fosse aprovado, era necessário que 216 deputados votassem a favor.
Houve apenas quatro abstenções e até a deputada democrata Gabrielle Giffords – que levou um tiro na cabeça em Tucson no começo do ano – compareceu à votação.
Entre os democratas, 95 votaram contra e 95 a favor. Entre os republicanos, 173 votaram a favor e 66 foram contra. Os republicanos votaram rapidamente, mas a maior parte dos democratas aguardaram até os últimos minutos para votar – o que permitiu avaliar quantos votos seriam necessários para aprovar o pacote.
Camila Bertagnolli/Fonte: Correio do Brasil
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