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Internacional

Governo quer julgar filho de Gaddafi na Líbia

20 novembro 2011 - 15h35 Por Markito

Autoridades líbias querem julgar Saif al Islam Gaddafi --filho do ex-ditador Muammar Gaddafi, detido neste sábado-- no próprio país, anunciou neste domingo o ministro da Justiça do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mohammed al Allagui.

"Queremos que o processo de Saif al Islam ocorra na Líbia, pois a Justiça líbia é a regra, e a Justiça internacional, a exceção", disse Allagui.

O filho de Gaddafi foi preso neste sábado na região de Obari, a 800 quilômetros ao sul de Trípoli, por uma brigada de combatentes da cidade de Zintan, situada a 150 quilômetros ao sul da capital.

No início deste mês, o TPI disse ter recebido informações de que Al Islam poderia tentar fugir da Líbia com a ajuda de mercenários.

O jornal francês "Le Figaro" havia divulgado que o filho primogênito de Gaddafi estaria no Níger graças à proteção de um chefe tuaregue rebelde.

Segundo fontes não-identificadas pela publicação, o filho do ditador líbio havia se escondido no sul da Líbia antes de atravessar a fronteira com o Níger graças à ajuda de Agaly Alambo, chefe do Movimento Nigerino para a Justiça.

Julgamento

O CNT, que está no comando interino da Líbia, já havia dito anteriormente que gostaria de investigar Al Islam e o ex-chefe de inteligência Abdullah al Senussi na Líbia. Ambos foram indiciados pelo tribunal por crimes contra a humanidade e outros crimes de guerra.

Também neste mês, o TPI informou que mantinha "contatos informais" com Al Islam sobre sua possível rendição ao tribunal. "Estamos em contato informal com Saif através de intermediários", declarou o promotor-chefe, Luis Moreno Ocampo, citado em um comunicado.

"O gabinete do promotor disse claramente que, se ele se render ao TPI, terá direito de ser ouvido ante ao tribunal e será inocente até que se prove o contrário".

Segundo Ocampo, os contatos foram feitos por intermediários, e o filho de Gaddafi tenta entender o que aconteceria se fosse inocentado das acusações. "Ele se diz inocente, ele quer provar que é inocente, e está interessado em saber as consequências disso".

O promotor disse ainda que não estaria fazendo acordo algum com Al Islam, mas apenas explicando que ele deveria ser julgado pelos crimes de guerra de que é acusado.

Camila Bertagnolli/Fonte: Folha Online

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