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Internacional

Milhares protestam a favor de estrada polêmica na Bolívia

10 dezembro 2011 - 18h07 Por Markito

Milhares de pessoas se manifestaram nesta semana, na cidade de Cochabamba, a favor da construção da polêmica estrada financiada pelo Brasil e que atravessaria uma reserva indígena no centro da Bolívia, informou a TV estatal.

O protesto, liderado por militantes do Movimento Ao Socialismo, partido do presidente Evo Morales, pediu a retomada do projeto de construção da estrada de 300 km, abandonado após uma série de manifestações de indígenas.

O próprio Morales decidiu vetar a construção da estrada --ligando Villa Tunari (Cochabamba) a San Ignacio de Moxos, no departamento amazônico de Beni-- após uma longa marcha de indígenas pelo país até La Paz contra a obra.

"Cochabamba não descansará até ver realizada a construção da estrada Cochabamba-Beni", disse o governador local, Edmundo Novillo, poderoso dirigente governista.

A líder do Movimento Ao Socialismo em Cochabamba, Leonilda Zurita, destacou que a estrada é uma "demanda histórica" da região.

ENTENDA A POLÊMICA

Construída pela empreiteira brasileira OAS com financiamento do BNDES, a estrada, com valor de US$ 415 milhões, tem 306 km e um trecho que atravessaria o Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure), uma reserva natural em áreas amazônicas de 1,2 milhão de hectares, causou polêmica.

Uma marcha dos indígenas amazônicos de mais de dois meses partiu da região com destino à capital, La Paz, como forma de protesto ao governo do presidente Evo Morales, que no fim de setembro suspendeu a obra.

Eles argumentaram que a obra poderia levar à ruína da reserva ecológica e à invasão da área justamente pelos produtores de coca, planta base para fabricar cocaína.

O ápice da crise, após 40 dias de intensos protestos de indígenas, militantes e civis por todo o país, ocorreu no dia 25 de setembro, quando o governo ordenou uma violenta ação policial --usando gás lacrimogêneo e cassetetes-- para conter cerca de 1.500 manifestantes.

Dois ministros e vários outros funcionários deixaram o governo após a polêmica em torno da operação.

Helton Verão/Fonte: Folha

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