A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira (30) que o Brasil tem o compromisso de alcançar uma taxa zero de desmatamento entre agora e 2030. A afirmação foi feita em coletiva conjunta com o presidente dos EUA, Barack Obama, na Casa Branca.
"Temos o compromisso de chegar ao desmatamento zero ou a uma taxa de desmatamento ilegal zero entre agora e 2030, e também desejamos virar a página e nos engajar em uma clara política orientada de reflorestamento", disse.
A declaração feita na coletiva representou um avanço em relação à "Declaração Conjunta Brasil-Estados Unidos sobre Mudança do Clima", comunicado divulgado pelas duas Presidências previamente.
No documento conjunto, o Brasil se compromete a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 e faz uma declaração mais genérica sobre a eliminação do desmatamento ilegal.
" implementar políticas com vistas à eliminação do desmatamento ilegal, em conjunto com o aumento ambicioso de estoques de carbono por meio de reflorestamento e da restauração florestal", diz genericamente o documento conjunto.
Na noite de segunda-feira (29), membros do governo indicaram que Dilma faria um anúncio específico sobre o desmatamento ilegal. Segundo essas autoridades, a presidente anunciaria a intenção de zerar o desmatamento ilegal até 2025.
Enunciada na última hora por Dilma, sem estar presente na declaração final dos presidentes, a promessa relativa a 2030 parece uma tentativa de apresentar uma "agenda positiva" num momento em que o governo brasileiro sofre pressão política doméstica.
Agenda Positiva
Dilma foi ao encontro com Obama na Casa Branca acompanhada por cinco ministros: Joaquim Levy (Fazenda), Armando Monteiro (Desenvolvimento) Kátia Abreu (Agricultura), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente).
A maior prioridade do presidente dos EUA era um anúncio conjunto com o Brasil de metas de redução de emissões, em antecipação à conferência do clima de Paris. A Casa Branca queria um acordo semelhante ao feito em novembro com a China.
O compromisso em papel ficou aquém do desejado pela Casa Branca, mas é mais ambicioso do que o Brasil pretendia. Deste modo, é encarado como uma possibilidade de agenda positiva para Dilma.
O acordo, porém, não fixa metas para redução de emissões e do desmatamento.
O governo também estabeleceu como meta uma participação de 28% a 33% na matriz energética de fontes renováveis, excluindo a geração de energia hidrelétrica. Ocorre que desde 2012 o Brasil já está nessa faixa, embora a meta tenha sido definida como um "compromisso até 2030".
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Reuters