A Sociedade Brasileira de Cefaleia, a SBCe, realizou um estudo que concluiu que mais de 5 milhões de crianças e adolescentes do país sofrem com dores de cabeça. O neurologista Marcos Antonio Arruda, da SBCe declarou que, normalmente, esse problema com as crianças é menosprezado.
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanhou 60 crianças entre 8 e 12 anos de idade durante dois anos. A pesquisa estudou dois grupos, um que nunca havia reclamado de dor e o outro grupo com crianças que sofre com enxaqueca, uma espécie de dor que vem acompanhado de náuseas e sensibilidade à luz e ao barulho. Foram analisados o desempenho de todos na sala de aula, e foi possível perceber que as crianças que sofriam de dores de cabeça tinham dificuldades para se concentrar, dificuldades de retenção de memória e velocidade no processamento das informações.
Estudiosos da Itália, ao saberem dos resultados da pesquisa da Unifesp, resolveram realizá-la e encontraram evidências semelhantes. O resultado mostra que não se trata de uma característica apenas das crianças brasileiras. Os italianos chegaram à conclusão de que a garotada que vive com esse peso na cabeça rende 10% menos diante do quadro-negro. Uma possível explicação é que a enxaqueca prejudicaria o sono e o comportamento infantil. Por isso, ela poderia até favorecer o surgimento do déficit de atenção e hiperatividade.
As meninas sofrem mais com esse problema, principalmente entre as adolescentes. O neurocirurgião da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Funcional, Eduardo Barreto, afirmou que isso ocorre por causa das alterações hormonais que ocorrem nas meninas.
O estudo da Unifesp também mostrou que a maioria dos pais se surpreende ao ver que o motivo da queixa das crianças não era brincadeira. Os cientistas perceberam que, após sanar a crise, o desempenho escolar se igualava ao dos colegas sem as dores, reforçando a importância de diagnóstico e terapia corretos.
Para aliviar a dor imediatamente durante os momentos mais críticos, é recomendado que a criança se deite em um ambiente silencioso, escuro e bem ventilado. Caso a dor persista, indicam-se remédios como o ibuprofeno e o paracetamol.
Algumas dicas para evitar a dor são: evitar Frutas cítricas, chocolates, leites e derivados, e ovos. E comer abóbora, cerejas, peras e brócolis.
Incidência do problema
75,5% reclamam de dores pelo menos 4 vezes por mês
17,9% nunca se queixaram de dor de cabeça
4,1% Sofrem com o problema entre 5 e 9 dias por mês
1,5% Têm dores uma vez a cada dois dias
1% Convive com o distúrbio quase que diariamente
Tatyane Soares/Com informações da Abril
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