Segundo um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês), a vacinação contra o vírus influenza pode ter impedido 110.000 hospitalizações e 13 milhões de casos de gripe no país durante o período de 2005 a 2011.
Os responsáveis pelo trabalho, publicado no periódico PLOS ONE nesta quarta-feira, calcularam o número de casos da enfermidade que teriam acontecido nos Estados Unidos se não houvesse vacinação. Para isso, basearam-se em fatores como as taxas de hospitalização durante as temporadas de gripe e a eficácia da vacina. De acordo com essa análise, o maior número de casos evitados ocorreu entre 2010 e 2011: nesse intervalo de tempo, cinco milhões de incidências de gripe, 2,1 milhões de visitas médicas e 40.400 hospitalizações foram prevenidas pela vacinação.
Desde 2010, os Estados Unidos recomendam a vacinação anual contra o vírus da gripe para todos os indivíduos acima dos seis meses de idade, o que transforma o país no único do mundo a ter recomendação universal de vacina contra a gripe. "Os Estados Unidos têm a recomendação universal, mas não distribuem a vacina. Lá, as pessoas são asseguradas e compram a vacina", explica Marcos Boulos, professor de moléstias infectuosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP.
Brasil — No Brasil, a recomendação é feita apenas para as pessoas que apresentam risco elevado de contrair a doença ou desenvolver complicações a partir dela. Esse grupo de risco é constituído por idosos acima dos 60 anos, crianças de seis meses a dois anos de idade, gestantes ou mulheres que deram a luz a menos de 45 dias, indígenas, profissionais da saúde e doentes crônicos. "Aqui no Brasil, o governo fornece a vacina contra gripe gratuitamente. Como não temos vacina para todo mundo, porém, só há a recomendação para os grupos de risco. As outras pessoas que se preocupam e querem ser vacinadas devem procurar as clínicas", afirma Boulos. "A gripe, em si, não costuma ser um problema para a maior parte das pessoas e não é uma doença grave, a não ser que seja contraída por indivíduos que fazem partes dos grupos de risco. Nesse caso, pode evoluir para doenças de maior gravidade."
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