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Saúde

Crianças são a maioria dos 2,2 milhões de refugiados da Síria

29 novembro 2013 - 06h31 Por Louíse Lins/Terra

De acordo com uma pesquisa divulgada hoje (29), pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), chamada "O Futuro da Síria - Crianças Refugiadas em Crise", as crianças representam 52% do total de refugiados sírios por conta do conflito que atinge o país há mais de dois anos.

Mais de 1,1 milhão de crianças sírias foram registradas como refugiadas em todo mundo – desse total, 75% têm menos de 12 anos. Atualmente, o número de refugiados entre a população síria passa de 2,2 milhões.

A maioria dessas crianças vive nos países vizinhos, sendo que Jordânia e Líbano contam com 60% delas em seus territórios. No último levantamento da agência, do dia 31 de outubro, a Jordânia abrigava 291.238, enquanto que o Líbano contava com 385.007 crianças sírias.

Segundo a Acnur, as crianças sírias têm "sofrido imensamente" por conta do conflito, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Muitas delas apresentam ferimentos causados, entre outros motivos, por tiros, morteiros e destroços de construções, tendo testemunhado conflitos e violência.

Os efeitos psicológicos também são grandes, acrescenta a agência da ONU, afetando o sono, a fala e as habilidades sociais. Somente neste ano, agências e parceiros da ONU contaram 250 mil crianças na Jordânia e Líbano que necessitam de apoio psicológico.

O fato de morar em casas lotadas, com vários familiares também sob intenso estresse, prejudica ainda mais as crianças. Para piorar, e apesar de viverem em locais densamente povoados, famílias de refugiados sírios continuam a abrir suas casas para parentes, e até mesmo estranhos, que chegam aos acampamentos e cidades que os abrigam.

O êxodo de refugiados já causa dificuldades aos vizinhos. O Líbano, que tem cerca de 4 milhões de habitantes, recebeu mais de 800 mil refugiados sírios em dois anos, ou seja, quase 20% de sua população. A Jordânia, por sua vez, abriga mais de 550 mil sírios. Em ambos países, já se notam problemas de infraestrutura, serviços e recursos. Ainda que a maior parte dos moradores locais mostrem simpatia e compreensão com os refugiados, a interação entre essas comunidades tem aumentado a tensão na região.

Crianças de até 7 anos estão trabalhando longas horas por salários irrisórios, algumas vezes em condições de exploração. Em algumas famílias, adultos não conseguem encontrar trabalho ou ganhar o suficiente para sustentar a todos; há ainda casos de dificuldade para trabalhar por conta de impossibilidade física, legal ou mesmo cultural, o que acaba sobrecarregando as crianças.

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