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Cultura

Dia Mundial do Teatro: A arte do encontro sobrevive em MS

27 março 2012 - 07h27 Por Markito

Em meio às turbulências do mundo pós-moderno, a graça da vida, evidente, ainda está no encontro. Já dizia Tom Jobim que “é impossível ser feliz sozinho”. Apenas a arte é capaz de traduzir esta necessidade humana de alma. Só a arte traduz as melancolias e felicidades mais íntimas do ser humano quando encontra ele mesmo em outro. E, de todas as artes, uma delas nasceu, e nasce todos os dias, do encontro. É arte feita em grupo, até mesmo um monólogo precisa de iluminação, de produção, é impossível fazer teatro sozinho.

O teatro surgiu para aquecer o mundo, como a fogueira que deu vida à história. Escritores afirmam que um grupo de pessoas se reuniam em volta de uma fogueira para se aquecer, quando as sombras formadas pela luz daquele fogo chamaram atenção. Os vultos formaram personagens na parede, e cada pessoa que estava ali, descobriu em si algo comum, emprestando sentimento àquelas imagens, se divertindo, imaginando, entrando em um mundo de fantasia. De repente, e aos poucos, o ser humano descobriu a única maneira de deixar este mundo sem sair dele, não tem sentido? Nada é impossível para o teatro.

Hoje, 27 de março, é comemorado o Dia Mundial do Teatro. A data foi criada em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI), quando foi inaugurado o Teatro das Nações, em Paris. O teatro acompanhou o ser humano. A comédia já sofreu preconceitos, a mulher já foi proibida de atuar, as peças já registraram a ditadura, a guerra, e como a própria humanidade, esta arte evolui, insiste em sobreviver e colorir o mundo inteiro mesmo com a indiferença dos ignorantes, mesmo sendo esnobado pelas prioridades consumistas da atualidade.

Cena em MS

No estado do gado, do latifúndio, da soja, do mato, o teatro se faz presente, e as cortinas se abrem mais a cada dia. Artistas lutam todos os anos, seja pelo “1% da Cultura”, seja pela reabertura do “Teatro do Paço”, ou então, pela simples atenção do povo. Alguns deixam o Estado em busca de novas oportunidades e crescem ainda mais, sempre com um laço não desfeito com a nossa região, como Arce Correia, que marcou a cidade com as aparições da “Maria Quitéria”, personagem conhecida de muitos.

Ficam os que insistem em emplacar aqui os seus sonhos, como Espedito Montebranco, Vitor Samudio, Patrycya Andrade, Aline Duenha, Mauro Guimarães, e tantos outros que frequentam as fundações de cultura, acompanham a política cultural, fazem novos projetos, criam e lutam contra um dos maiores inimigos do artista, a burocracia.

Diante de todos os desafios, a opinião dos artistas, é que mesmo com as dificuldades, a cena tem melhorado em Mato Grosso do Sul. “A condição do teatro tem melhorado. Hoje é possível viver de teatro não só no Rio e São Paulo. Aqui, em Campo Grande, a população ainda está afastada, a grande comunidade ainda não tem conhecimento das possibilidades do teatro, mas se a gente continuar caminhando assim, nós ainda vamos alcançar esse reconhecimento também”, afirmou a atriz Aline Duenha, que vive do teatro há 15 anos.

Ela acredita que a persistência dos grupos, as lutas políticas da classe teatral são fatores que tem contribuído para o fortalecimento do teatro no Estado. “Nós estamos conseguindo mostrar um trabalho de qualidade. Trabalhando duro e trabalhando sério, a gente pode competir em qualquer lugar. Percebemos muitas melhoras, e muitas outras coisas que a gente ainda tem que conquistar”, afirmou Aline.

E não é difícil imaginar que cada um dos artistas alimenta a força para lutar pelo teatro de sua própria paixão pela arte. Aline Duenha é transparente quando o assunto é esse amor: “O teatro é a forma que escolhi para me expressar no mundo. Eu vivo teatro quando acordo até quando vou dormir. Dando aula, passando a diante. O teatro faz parte de salvação da pós-modernidade. É a generosidade, o trabalho coletivo, são as possibilidades na própria arte que poderia e pode vir a tomar um espaço maior. Eu sonho com teatro fazendo parte da vida das pessoas, não como ação cultural esporádica. O sentido do teatro é amplo, suprime valores individuais, é a forma de mostrar o pensamento do mundo”.

Mostra em Campo Grande

Para comemorar a data em homenagem a arte, é realizada a Mostra Boca de Cena – Semana do Teatro de Campo Grande. O evento começa hoje (27) e segue até o dia 1º de abril. São produções de 11 grupos teatrais que percorrem Campo Grande no Teatro Aracy Balabanian, Calçadão da Barão e Parque do Sóter, além de rodas de conversa e palestras com entrada  gratuita.

Para conferir a programação da Semana do Teatro em Campo Grande, basta acessar o site do evento: http://setorialteatrocg.blogspot.com.br/

Ana Maria Assis

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