Em Mato Grosso do Sul 67 projetos culturais provenientes de 16 municípios vão receber investimentos do governo do Estado. Nesta sexta-feira (19), o governador André Puccinelli assinou convênios para os repasses de recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) que somam R$ 2 milhões.
Foram selecionadas 20 propostas na área da música, quatro em formação artística, 15 de artes cênicas (sendo oito de teatro e circo e sete de dança), uma de artes plásticas, seis de folclore e manifestações tradicionais, três de audiovisual, 17 de literatura e uma de pesquisa cultural.
Incentivo que a artista plástica, Ana Ruas estava esperando para dar início a uma série de palestras e oficinas com estudantes e comunidade em geral. “Meu projeto se chama "Educando o Olhar". São 20 oficinas que contemplam 20 escolas em que as crianças vão até o meu ateliê para pintar e desenhar durante duas horas. Outras cinco oficinas contemplam trabalhadores braçais, professores e pais. O objetivo é trabalhar a flora e fauna do cerrado de forma que eles descubram estas formas com olhar diferente”, explicou.
No projeto de Ana Ruas também haverá cinco palestras que incluem artistas como Humberto Espíndola, revelando que há mais de 40 anos pinta o mesmo tema e mesmo assim o assunto não se repete; uma bióloga oferecendo um workshop para fotografar pássaros e mostrar sua diversidade. Além disso, outros palestrantes falarão sobre paisagem e a própria Ana Ruas vai ministrar uma para professores de arte. “Fico feliz que temos a oportunidade de usufruir deste investimento. Como arte-educadora também é uma maneira de mostrar e conduzir algumas pessoas que ainda não têm olhar diferenciado para a arte”, concluiu.
O FIC também vai contemplar a música de raiz, como informa o renomado instrumentista sul-mato-grossense Marcelo Loureiro. Com o apoio financeiro do governo do Estado, uma ideia antiga começa a ganhar forma. “Vamos fazer um curta metragem que surgiu de uma ideia durante a gravação do filme Fronteiras, do David Cardoso. Fomos amadurecendo até surgir o projeto Desafio de Viola. O objetivo é levar essa lenda pantaneira para todo o público”, disse.
Marcelo Loureiro, que teve seu primeiro e único CD denominado Alma Platina com investimentos do FIC, ressalta a importância do apoio do governo estadual. “Sem o FIC seria difícil e até inviável fazer um projeto como esse. Graças a esse apoio temos isso aqui no Estado para valorizar a cultura em geral. No meu caso, por exemplo, a música instrumental é mais difícil e precisamos ter uma qualidade razoável para entrar no mercado”, salientou.
As tradições também são valorizadas com o Fundo de Investimentos Culturais. “Para nós das tradições gaúchas ser contemplado com o FIC veio num ano muito importante porque vamos realizar o Festival de Tradições Gaúchas com a participação de grupos de danças, declamação, poesia, envolvendo também as partes campeiras e esportivas”, disse o representante da CTG Chama Crioula, Rafael de Marco.
O evento que este ano conta com o apoio do FIC será realizado entre os dias 10 e 13 de outubro em São Gabriel do Oeste e deve receber a visita de pelo menos 25 mil pessoas.
A mágica também foi contemplada com os recursos do FIC. O mentalista Rick Thibau explica que é a primeira vez que consegue investimentos como esse para desenvolver seu projeto. “É uma oportunidade para todo o mercado cultural se desenvolver. Meu projeto é o "Adivinho", um espetáculo de mentalismo em que trabalhamos com a leitura da mente, com previsões”, resume.
Conforme Rick Thibau, o objetivo do projeto é tocar a alma das pessoas, seja, com música, dança ou arte. O espetáculo deverá ser levado não só para o Estado, mas para todo o País. “Este investimento possibilita trazer profissionalismo que talvez já se tenha em outros países. Com isso, teremos referências e produtos para competir com outros lugares do mundo. Acho interessante ver que o FIC contempla uma linguagem como essa que é a mágica”, concluiu.
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