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Cultura

Festival do Teatro Brasileiro apresenta 11 espetáculos em MS

21 junho 2013 - 09h53 Por Lucas Junot - com informações da FCMS

O Festival do Teatro Brasileiro (FTB) promove, em sua 14ª edição, o intercâmbio cultural entre os Estados brasileiros. Depois de apresentar, entre maio e junho de 2012, espetáculos gaúchos para mais de 56 mil pessoas em Goiás e no DF, o Festival traz para Mato Grosso do Sul, pela primeira vez, uma mostra representativa produção do Distrito Federal nas áreas de teatro, dança e circo. O Festival do Teatro Brasileiro -  Cena DF, etapa Mato Grosso do Sul se revezará entre várias localidades de Campo Grande, Capital do Estado, durante o período de 23 de junho a 7 de julho.

Foram escolhidos 11 espetáculos para toda a familia, selecionados dentro de um universo de 70 inscritos. Ao todo, os grupos farão 24 apresentações. A curadoria de Ana Paula Bouzas e Fábio Espírito Santo primou pela qualidade dos espetáculos e as diversidades de linguagens existentes na cena cultural do DF.

Segundo os curadores, a proposta de diálogo e integração artística do FTB é das mais assertivas e pertinentes em um país como o Brasil. E sobre a produção do Distrito Federal testemunharam juntos ao encaminhar a lista de selecionados: “o cenário cultural a que tivemos acesso é admiravelmente rico. Um lugar onde temos desde a encenação mais tradicional do palco italiano ao experimentalismo do teatro itinerante; do underground realizado por jovens artistas ao teatro de rua resistente, político, ativista; das clássicas peripécias circenses ao olhar contemporâneo da dança em diálogo com as artes plásticas e o audiovisual; da tradição do mamulengo à transgressão bem humorada das intervenções urbanas”.

O Teatro do Distrito Federal será, pela primeira vez, objeto de circulação do Festival do Teatro Brasileiro. Outras seis cenas – a baiana, a pernambucana, a cearense, a mineira, a gaúcha e a paranaense (em execução) – foram destacadas pelo Festival. Este projeto que é singular no Brasil foi visto por mais de 210 mil pessoas em 13 unidades da Federação (MA, CE, PE, SE, BA, DF, GO, MG, ES, RJ, SP, PR e RS). Com esta nova edição, o FTB quer contribuir com a difusão do que é mais representativo na produção cênica do Distrito Federal.

O Festival do Teatro Brasileiro – Cena Distrito Federal tem apoio da Fundação Estadual de Cultura de Mato Grosso do Sul/Governo do MS e o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura/Secretaria de Cultura do Distrito Federal/ Governo do Distrito Federal.

Oficinas

Além de apresentar a preços populares ou de graça espetáculos de qualidade, uma das intenções do Festival do Teatro Brasileiro é contribuir para a qualificação de profissionais das diferentes etapas da cadeia produtiva das artes cênicas. Por isso, paralelamente às apresentações teatrais, o FTB realiza nos Estados visitados oficinas de qualificação profissional.

Formação de público

Outra intenção do FTB é estimular a participação de estudantes da Rede Pública de Ensino nas apresentações dos espetáculos. Desse modo, na programação de atividades do FTB a formação de plateia se faz intensa. Centenas de estudantes, a cada etapa, são acompanhados por arte-educadores em sala de aula antes e depois de assistirem aos espetáculos. Um processo que aproxima da escola a produção artística e fruição cultural.

Intercâmbio cultural entre os Estados

Criado em 1999, o Festival do Teatro Brasileiro tem como um dos seus objetivos divulgar a produção teatral brasileira para os brasileiros. A cada etapa, um Estado tem a chance de conhecer o produto cultural de outro Estado. Além da Cena Baiana no Ceará e no Maranhão e da Cena Pernambucana na Bahia e em Sergipe, realizadas em 2009, o Festival já levou, por exemplo, a Cena Mineira ao Rio de Janeiro e as Cenas Baiana, Mineira e Pernambucana para Brasília e em 2011 a Cena Mineira foi apresentada aos  paranaenses. Em 2012, foi a vez da Cena Gaúcha visitar Goiás e o Distrito Federal.

"A possibilidade de mostrar um painel representativo da produção cênica de um Estado para o público de outro Estado é uma das singularidades do FTB", explica Sergio Bacelar da Alecrim Produções Artísticas, de Brasília, idealizador e coordenador do projeto.

O FTB se preocupa também em formar plateias e melhorar o acesso do público ao teatro, sem distinção de classe social. Como detalha Sergio: “Um dos principais compromissos do FTB é o de democratizar o acesso a bens culturais, a partir de apresentações em teatros, praças e feiras. E isso é realizado tanto de forma gratuita quanto com apresentações exclusivas para alunos da Rede Pública”.

Histórico

O Festival do Teatro Brasileiro começou a ser desenhado em 1997, quando a Alecrim Produções Artísticas iniciou sua produção em Brasília com espetáculos de grupos da Bahia. A experiência mostrou que o teatro baiano oferecia peças teatrais de excelência, com diferentes linguagens, que poderiam compor uma mostra.

A primeira edição da Mostra de Teatro da Bahia foi realizada em 1999. Os resultados alcançados levaram à realização da segunda edição no ano seguinte. Cada edição contou com a participação de quatro espetáculos. Com um intervalo de dois anos, o projeto alcançou importante grau de amadurecimento, passando a se chamar Festival do Teatro Brasileiro (FTB) para que pudesse propor o intercâmbio para outros Estados. Naquele ano, o foco ainda foi a Bahia e se chamou FTB – Cena Baiana, quando foram apresentados oito espetáculos. Destacaram-se nessas primeiras edições a participação do então promissor ator Wagner Moura e das atrizes Rita Assemany, com o espetáculo Oficina Condensada, e Nilda Spencer, grande nome do teatro brasileiro.

Em 2003, foi a vez do FTB – Cena Pernambucana, com a apresentação de sete espetáculos. Nesse momento, o Festival deu um novo passo, acrescentando à programação apresentações de rua, além do deslocamento de algumas apresentações para as cidades do entorno e a realização de oficinas de qualificação profissional. Foram destaques naquela edição o Grupo Piane, com o espetáculo “Ditirambos”, e, Geninha da Rosa Borges, veterana do Teatro Pernambucano.

Dois anos depois, foi a vez da Cena Mineira com oito espetáculos. Mais uma vez o projeto inovou com a realização de oficinas de média duração: uma de construção de instrumentos e transmissão de ritmos da cultura musical popular para 180 jovens em situação de vulnerabilidade; e outra para três jovens grupos de Brasília, com 240 horas de trabalho, coordenada por Chico Pelúcio, ator do grupo Galpão.

Em 2007, o projeto ocorreu pela primeira vez fora do Distrito Federal. Iniciava em 12 de janeiro, o FTB- Cena Mineira no Rio de Janeiro, mesma data em que estreavam outras 22 produções teatrais na Cidade Maravilhosa, vitrine do teatro brasileiro. Apesar da forte concorrência, os resultados não poderiam ter sido melhores. A taxa de ocupação em todas as sessões foi superior a 90%; as apresentações de rua empolgaram a plateia e a mídia deu amplo destaque, o que comprovou o potencial do projeto.

A oitava edição do Festival do Teatro Brasileiro ocorreu no primeiro semestre de 2009, com o intercâmbio entre o teatro pernambucano e os cenários da Bahia e Sergipe, mobilizando cerca de 16 mil espectadores para as 40 apresentações. No mesmo ano o FTB realizou sua nona etapa, com a Cena Baiana sendo apresentada nos Estados do Ceará e Maranhão. Ao todo foram 17 espetáculos vistos por quase 20 mil pessoas.

A décima edição do Festival, com a apresentação da Cena Cearense em MG e ES, teve, nas suas 76 ações, um público superior a 16 mil pessoas. As 30 apresentações e três exibições de Vídeo-Dança realizadas em Belo Horizonte, Betim e Sabará mobilizaram um público de 6.129 pessoas.

Em 2011 foi a vez dos gaúchos, paranaenses e paulistas receberem a Cena Mineira. No Paraná as apresentações aconteceram em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa. O projeto, nas suas 111 ações, teve um público superior a 24 mil pessoas. Dezoito espetáculos de 15 diferentes grupos e coletivos mineiros apresentaram seus espetáculos 86 vezes. Sessenta e uma apresentações foram realizadas em teatros nas cidades de Campinas, Paulínia, Sorocaba, Curitiba, Ponta Grossa, Araucária, Porto Alegre, Caxias do Sul e Novo Hamburgo com cobrança de ingressos a R$ 5,00 a meia-entrada e R$ 10,00 a inteira. Foram 25 apresentações de rua, gratuitas, para um público de 5.735 pessoas. Foram realizados dez bate-papos entre público e plateia após as apresentações.

Os espetáculos “O Negro, A Flor e o Rosário” e “ Don João e a Invenção do Brasil” foram apresentados seis vezes exclusivamente para 7 mil alunos das Redes Públicas de Ensino de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.  Trinta e três profissionais, entre coordenadores pedagógicos e arte educadores, mantiveram contato com os alunos com o intuito de ampliar os horizontes de percepção para as idas aos teatros que aconteceram logo em seguida. Posteriormente os mesmos profissionais retornaram às escolas para uma avaliação com os alunos das experiências vivenciadas.

Treze oficinas com carga horária de 277 horas foram frequentadas por 189 alunos e profissionais das artes cênicas. Duas das oficinas aconteceram nos centros de reclusão femininos, Centro de Regime Semi Aberto Feminino de Curitiba e na Penitenciária Madre Pelletir em Porto Alegre para 34 mulheres. Dez encontros entre 24 grupos mineiros e dos três Estados por onde passou a caravana contribuíram para  as trocas de experiências sobre seus processos criativos, referências estáticas e modos de produção.

O FTB teve cinco núcleos de produção gerando 291 empregos diretos. Além de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, com 115 pessoas, outros dois núcleos, um em Brasília e outro em Belo Horizonte, geraram outros 20 empregos temporários. Foram 156 artistas e técnicos mineiros que participaram  da caravana.

Em 2012, o FTB contou com duas novidades, a realização da inédita Cena Gaúcha e da também inédita versão voltada para o segmento de rua. Na ocasião, da Cena Gaúcha, Brasília, Taguatinga, Gama, Ceilândia, Goiânia, Hidrolândia, Anápolis e Cidade do Goiás receberam um total de 78 apresentações para um público superior a 56 mil pessoas com o patrocínio da Petrobras. Outro aspecto inovador foi o envolvimento das universidades federais do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul, onde o festival promoveu importantes trocas no âmbito acadêmico.

A décima terceira edição do Festival realizou no Distrito Federal importantes ações que contribuíram com a visibilidade e discussão em torno de ações teatrais voltadas para a rua, fossem elas tradicionais ou experimentais. O ponto alto do festival nesta ocasião foi a realização do cortejo cultural dirigido pelo renomado diretor Hugo Rodas, celebrando as artes na rua, durante as comemorações do Dia da Independência do Brasil. Com um público estimado em 35 mil pessoas e a presença dos principais governantes do País, o destaque para a cultura comoveu a todos.

A aproximação cultural proposta pelo FTB entre os diferentes Estados gerou momentos de reflexão sobre o quanto é importante essa integração. Os resultados conquistados, afiançados pelos depoimentos dos artistas, público, classe teatral e crítica especializada, confirmam a disposição para a troca de experiências proposta pelo Festival. O Festival do Teatro Brasileiro na sua décima quarta edição contribui para estreitar laços, fortalecer a rede de relações da cena teatral brasileira. O FTB demonstra ser uma importante ação de complementação de política cultural  aproximando os Estados brasileiros e contribuindo efetivamente para a circulação das artes cênicas no Brasil.

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