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Economia

Comerciantes apontam descomprometimento de candidatos como problema

5 novembro 2013 - 06h16 Por Louíse Lins/ Informações Dourados News

Com o natural aumento na demanda de vendas por causa da proximidade das festas de fim de ano, e do pagamento do 13º salário, os comerciantes de Dourados abriram vagas para contratação temporária e, em alguns casos, para uma consequente ampliação do quadro de funcionários em 2014.

Apesar da chamada ‘chuva de vagas’, como eles mesmos classificam, o que muitos encontram é a dificuldade para preenchê-las, seja por falta de mão de obra qualificada, ou por falta, principalmente, de mão de obra 'comprometida'.

Gerente de uma loja de roupas e sapatos há quatro anos, Patrícia Barbosa Gabriel diz que a cada cinco temporários que contrata, apenas um acaba ficando. Segundo ela, este ano a loja abriu a temporada de contratações temporárias dois meses antes que no ano passado, para tentar burlar a dificuldade em encontrar candidatos, já que o interesse é também pela efetivação.

“Abrimos antes até para, no caso de pessoas sem experiência, termos tempo de orientar como é o serviço. No entanto, há uma dificuldade imensa de encontrar mão de obra qualificada, e mão de obra que queira se qualificar também. Já tive caso da pessoa entrar, esperar ser registrada, ficar seis dias e sair, o que é um prejuízo enorme. Hoje percebo que o que falta não é nem tanto qualificação, e sim comprometimento, já que muitos entram no mercado querendo que dê errado para ficar com seguro, por exemplo, o que é complicado”, disse Patrícia.

Na loja dela, foram abertas três vagas para contratação temporária. Uma delas foi preenchida por Evelyn Centurion, 18, que viu nas contratações de fim de ano a oportunidade de conseguir o primeiro emprego de carteira assinada.

“Consegui essa colocação, e vou me esforçar para ser efetivada. Geralmente pedem experiência, mas busquei essa oportunidade e espero continuar. Para quem quer entrar no mercado, com certeza o fim do ano é uma boa chance”, disse Evelyn.

Para preencher vagas, comerciantes oferecem treinamento

Há 17 anos no comércio, a gerente de loja Luzeli Lopes concorda que há uma dificuldade grande para preencher vagas, principalmente pela falta de qualificação.

“Vendedor é uma profissão, e a maioria das pessoas veem o cargo como uma ponte, aí é que está o problema. Eu busco qualificação, claro, mas principalmente comprometimento, que é algo muito em falta entre os candidatos”.

Ela aponta que teve de buscar alternativas para contornar o problema, como oferecer treinamento. As candidatas passam por 1h30 por dia de treino, e Luzeli diz que a iniciativa deu resultados.

“Com esse trabalho já podemos ver na prática se a pessoa vai conseguir pegar o jeito, se está comprometida com o trabalho e o cumprimento das metas. É uma alternativa principalmente para quem começa no ramo, e acaba nos favorecendo com o preenchimento das vagas”.

 

Este foi o caso de Sâmya Oliveira Vieira, 23, que há três anos chegou na loja de Luzeli sem experiência alguma, para concorrer a uma vaga temporária, e hoje é a funcionária campeã de vendas.

“É difícil, mas não é impossível conseguir uma vaga sem experiência, esse foi meu caso. Fiz o treinamento, que foi a chance que tive, e consegui me estabelecer. O que é mais importante é a pessoa querer conquistar seu espaço, querer crescer dia pós dia no seu trabalho”, destacou a vendedora.

Desempregada há sete meses, Geuza Ramos Vieira, 27, entregou currículo na loja. Desde o último emprego, em uma usina, ela, que é de Itaporã, diz encontrar dificuldades para conseguir uma vaga, e viu nas contratações de fim de ano a chance de começar 2014 quem sabe, empregada.

“É como diz o ditado, quem procura acha, e eu espero achar a minha oportunidade. Distribui currículo em um monte de lojas, alguma tem que dar certo, e eu pretendo me dedicar e conseguir ser efetivada também”.

O comerciante José Aparecido Torres, também de uma loja de roupas e calçados de Dourados, diz que até prefere contratar pessoas sem experiência para as vagas temporárias que, segundo ele, podem se tornar efetivas dependendo do desempenho do candidato.

“A pessoa sem experiência, no meu ponto de vista, é até melhor porque moldamos ela do jeito que o trabalho exige, sem ela ter vícios de outras lojas. O problema hoje é realmente para efetivar, porque muitos ficam pouco tempo, e até mesmo os que são efetivados acabam deixando o cargo antes de um ano”, relatou Torres.

Para Luzeli, motivação é a palavra chave. “Eu busco sempre motivar não só quem está começando, mas também os veteranos, pois acho que isso faz a diferença. O que falta hoje é as pessoas buscarem sempre a qualificação, independente da função, porque todo mundo pode crescer profissionalmente. Basta estar comprometido com isso, independente de ter experiência ou não, porque vaga tem”, finalizou a gerente.

OAB/MS orienta empregadores e empregados sobre contratações

A OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul) divulgou ontem (4) orientações a empregadores e empregados com relação aos direitos trabalhistas que envolvem as contratações temporárias.

Conforme a Ordem, a lei garante os mesmos direitos e benefícios dos trabalhadores contratados em regime efetivo.

O contrato entre a empresa de trabalho temporário e o cliente não poderá exceder três meses, salvo com autorização conferida pelo órgão local do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

De acordo com o previsto na lei, o empregador temporário também tem direito a adicional por trabalho noturno, seguro contra acidente do trabalho, indenização por dispensa sem justa causa antes do término normal do contrato.

 

 

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