Tiveram início na última sexta-feira (08), as atividades do projeto PESQUISA, PRODUÇÃO E COMPILAÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS À VIOLAÇÃO DE DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS EM MS. A primeira ação foi a realização de visitas às aldeias Porto Lindo (Japorã, MS), Rancho Jacaré (Laguna Caarapã) e aos acampamentos indígenas Pacurity (Dourados, MS) e Apykai (Dourados, MS) para entrevistas com indígenas das etnias Guarani e Kaiowá sobre a história do tempo presente e o histórico da relação entre o Estado e os povos indígenas em Mato Grosso do Sul.
Durante as entrevistas, os anciãos indígenas, Damiana e Bonifácio, relataram que os problemas enfrentados pelos índios no presente relacionam-se com a transferência involuntária, mediante violência, ação policial, pressão de fazendeiros, entre outros expedientes, dos Guarani e Kaiowá de suas aldeias (tekoha) para as pequenas áreas reservadas entre 1915 e 1928 com o objetivo de liberar as terras para a instalação de fazendas mediante a ação conjunta entre empresas de colonização e o estado do então Mato Grosso, notadamente após a década de 1950 com o fim do monopólio da Companhia Matte Laranjeira.
A partir desse marco cronológico intensificou-se até a década de 1980 a instalação de empreendimentos agropecuários, alternância entre os ciclos econômicos da soja e da cana-açúcar, e assentamento sistemático de colonos mediante políticas públicas estatais em áreas de presença tradicional indígena, mas declaradas devolutas pelo governo. Tais situações ocorreram foram relatadas por idosos durante as entrevistas nos acampamentos Apykai e Pacurity, além de confirmados por documentos públicos do Serviço de Proteção ao Índio.
Tomou parte nessa ação o cineasta Vincent Carelli, do projeto Vídeo nas Aldeias, a psicanalista Maria Rita Kehl, da Comissão Nacional da Verdade, além dos professores Neimar Machado de Sousa (UFGD), coordenador do projeto, o antropólogo guarani e kaiowá, Tonico Benites (UFGD), além de acadêmicos indígenas da UFGD, Alecio Soares Martins e Jesus de Souza, ambos da aldeia Te’ýikue, de Caarapó, MS.
As atividades de pesquisa contam com o apoio e parcerias do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, o Ministério Público Federal, MPF/MS, da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensno, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, FUNDECT/MS, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, e inserem-se nas atividades do Laboratório de História da Educação Indígena e Interculturalidade, LABHEI.