A Arena Pantanal, estádio que está sendo construído pelo Governo do Estado de Mato Grosso na cidade de Cuiabá para receber quatro jogos da Copa do Mundo no Brasil, teve sua data oficial de conclusão alterada do dia 22 de março para "até o dia 6 de maio", ou pouco mais de um mês antes do início do Mundial (12 de junho). É o que informou o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, na última quarta-feira.
Com isso, o estádio mato-grossense ultrapassa um ano e quatro meses de atraso na entrega, disputando palmo a palmo com a Arena da Baixada (PR), que só será entregue no dia 15 de maio, o título de estádio mais atrasado da Copa. De acordo com a previsão inicial do governo brasileiro, publicada na Matriz de Responsabilidades, as duas arenas deveriam ter sido entregues em dezembro de 2012 (veja tabela abaixo).
Atrasos desta ordem de grandeza, obras que deveriam durar dois anos mas que vão durar quatro, não se explicam com um só motivo. Nas duas arenas, os problemas durante a empreitada se acumularam. Em Curitiba, o principal fator foi a dificuldade em obter os recursos públicos e as garantias necessárias para cumprir o plano do Atlético-PR e dos governos de Paraná e Curitiba. Problema, aliás, não inteiramente resolvido.
Já em Cuiabá, de acordo com a Secopa-MT (Secretária Extraordinária da Copa em Mato Grosso), o atraso teria se dado porque "aconteceram adequações de projeto e mudança da empreiteira da obra". A afirmação da Copa se refere a episódio revelado pelo UOL Esporte em outubro do ano passado, quando duas construtoras que tocavam o projeto abandonaram a empreitada.
À época, beirando a falência, a construtora Santa Bárbara Engenharia SA, então líder do consórcio Santa Bárbara-Mendes Júnior, responsável pelo projeto, deixou os trabalhos para serem tocados apenas pela construtora Mendes Júnior e suas subempreiteiras contratadas. Uma delas, a responsável pela montagem das estruturas metálicas do estádio, também deixou a obra, após ter ficado oito meses sem receber por seus trabalhos.
Mas este não é o único percalço atravessado pela obra desde o seu início até hoje. No mês passado, foi divulgado um relatório técnico do Ministério Público do Estado de Mato Grosso que afirmava que a obra corria risco de desabamento caso fosse inaugurada em março. Isso porque não daria tempo de recuperar as estruturas que foram atingidas por um incêndio ocorrido em outubro do ano passado. A Secopa-MT, porém, não confirma as reformas necessárias em virtude do incidente como um dos motivos do atraso na obra.
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