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Celulose-papel é debate em Simpósio que começa hoje em Três Lagoas

29 junho 2011 - 05h04 Por Markito

Universidades de Mato Grosso do Sul, entidades não governamentais, e a Comissão Pastoral da Terra de Três Lagoas realizarão o “I Simpósio sobre a Formação do Complexo Celulose-papel em MS: Limites e Perspectivas”, começa hoje às 19h00 e segue até 2 de julho no auditório da UFMS de Três Lagoas. 

Segundo os organizadores, o Evento visa promover a reflexão sobre a expansão do plantio de eucalipto na região Leste de Mato Grosso do Sul, bem como discutir as conseqüências da instalação das fábricas de celulose-papel no tocante a questão ambiental, social e trabalhista. Ressaltam que o Evento é uma iniciativa inédita uma vez que a própria dinâmica do processo é recente.

Porém, apesar de ter seu desenvolvimento significativo a partir da troca de ativos, em 2006, entre a International Paper (IP) e a Votorantim Celulose e Papel (VCP – atual Fibria), Três Lagoas já é considerada o futuro epicentro do setor florestal. Setores do agronegócio empresarial inclusive já fazem a propaganda dizendo que Três Lagoas é a “capital mundial da celulose”. 

O referido Simpósio é dirigido para estudantes, professores, autoridades do setor público, agentes sociais e de pastoral, sindicalistas, proprietários rurais, comerciantes, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Considerado de grande importância regional, o Evento vai reunir estudiosos e pesquisadores do assunto de renome nacional e internacional. 

Em relação a esse “fenômeno” do agronegócio da celulose - que será discutido durante o Simpósio - a Revista Época Negócio já tinha publicado uma polêmica matéria em 2010 destacando, entre outras coisas, o seguinte: “Mesmo sem aeroporto, o trunfo logístico de Três Lagoas pode ser considerado imbatível. Tanto é assim que o número de indústrias cresceu 40% entre 2006 e 2009, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul. Novas companhias planejam investir na região.

Neste ano, a Petrobras anunciou a instalação de uma fábrica de fertilizantes ao lado do gasoduto Brasil-Bolívia, que passa pelo município, num projeto estimado em mais de US$ 2 bilhões. E a Votorantim Siderurgia e o empresário Alexandre Grendene Bartelle estão investindo R$ 180 milhões na construção de uma siderúrgica na mesma área”. 

A Mídia pretende forçar consenso 
Sobre o mesmo tema, em resposta à publicação da Revista Época Negócios, é divulgado no Correio do Estado, em 29 de novembro de 2010, o artigo da doutora Rosemeire A. de Almeida, professora da UFMS de Três Lagoas. A matéria questiona “a forma voraz como a mídia vem construindo o consenso em torno da formação do vale da celulose na região Leste de Mato Grosso do Sul”. 

A pesquisadora é da idéia de que é preciso que o assunto da “eucaliptização da região Leste do MS” seja discutido amplamente junto à sociedade, tendo a Universidade a função social de se constituir como fórum de debates, de questionamentos, para não correr o risco de ser cobrada no futuro por omissão.

Defende a necessidade de se desvendar os impactos, ou seja, o monitoramento da área plantada para que se possa pensar em quantitativos por município, divulgados os efeitos sobre a fauna a flora e os recursos hídricos; esclarecidos os conflitos sobre violação de direitos trabalhistas; e discutida a constitucionalidade da flexibilização das leis ambientais em Mato Grosso do Sul, que licencia o plantio de espécies exóticas em grande escala. 

O evento conta com recursos da FUNDECT/MS, sendo uma iniciativa das Universidades Federal e Estadual de MS e da Universidade Federal da Grande Dourados. Integram também a comissão organizadora: GETT, GEA, AGB/TL, LABET, LETUR, CPT/MS, PET-HISTÓRIA, MESTRADO EM GEOGRAFIA/UFMS, EDEPE - Escola da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. 

Ceyd Moreles/Fonte: CPT/MS

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