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Vereador do PT é denunciado pelo MPF/MS por financiar ação criminosa

8 julho 2011 - 10h57 Por Markito

O Ministério Público Federal em Dourados (MS) ofereceu denúncia criminal contra o vereador Dirceu Longhi (PT) por formação de quadrilha, sequestro, cárcere privado e destruição de patrimônio da União.

A denúncia foi aceita pela Justiça Federal de Dourados e o acusado é considerado réu em processo criminal. O Ministério Público Federal pediu que cópia dos autos fosse encaminhada à Câmara de Vereadores de Dourados para análise de eventual quebra de decoro pelo vereador.

Além de Dirceu, a ex-administradora da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Ponta Porã e esposa de Dirceu, Arlete Pereira de Souza e os indígenas Chatalin Benites, Isael Alves, Sílvio Iturve, Araldo Veron e Dirce Veron. Se condenados, as penas, somadas, podem chegar a 11 anos de prisão.

Conforme informações, o Ministério Público Federal apurou que o vereador Dirceu e Arlete foram os mentores e financiadores de uma manifestação de indígenas em frente à sede da Funai em Dourados em 2009, que durou mais de 3 meses e  culminou, em 17 de dezembro daquele ano, com a invasão do prédio e a manutenção em cárcere privado de 20 pessoas, entre servidores públicos, policiais federais, vigilantes contratados e um jornalista.

Incitados e organizados por Dirceu e Arlete, dezenas de indígenas acamparam em frente ao prédio da Funai, a partir de setembro de 2009. Eles pediam a destituição da administradora, Margarida Nicolleti. O transporte das aldeias até o local, as lonas das barracas e a alimentação eram providenciados pelo casal. O plano era que Arlete deveria ser nomeada para o cargo e usaria a estrutura da Fundação na campanha de seu marido a deputado estadual.

Financiamento da invasão

A invasão do prédio ocorreu como forma de pressionar a direção da Funai a efetivar a troca. O casal forneceu tinta para pintura de guerra dos indígenas, veneno e corda para um virtual suicídio coletivo e cadeado para impedir o acesso externo ao prédio. Ainda fornecia alimentação e chips de celulares para a comunicação com os líderes do movimento.

Os indígenas, liderados por Dirce Veron e armados com lanças, flechas e pedaços de madeira com pregos fincados, mantiveram os reféns no interior do prédio por aproximadamente duas horas e meia, agindo com extremo terror psicológico, batendo nas mesas e no chão do prédio, enquanto dançavam e cantavam, a fim de atemorizar as vítimas.

A denúncia do MPF afirma que o casal foi responsável por “todo o planejamento, direção, organização, financiamento e apoio logístico para a prática dos crimes, desde o momento da montagem de acampamento em frente ao prédio da Funai até a efetiva invasão e mesmo após esta”.

Após a desocupação do prédio e o fim do movimento, Dirceu e Arlete pagaram regularmente valores entre R$300,00 e R$700,00 aos indígenas, para que não os denunciassem. O pagamento estendeu-se até julho de 2010

Fins eleitorais

O uso eleitoral da estrutura da Funai foi comprovado diversas vezes. Arlete, nomeada administradora da Funai em Ponta Porã, foi flagrada promovendo distribuição de cestas básicas nas comunidades indígenas em troca de favores eleitorais. Ela chegou a ser detida dirigindo o veículo de campanha de Dirceu, então candidato a deputado estadual, lotado de material de campanha, em direção à aldeia Tauqapery. Arlete admitiu, ao promotor de Justiça de Amambai, que “estava indo até a aldeia fazer uma reunião política para fins de apresentar seu esposo como candidato”.

A reportagem entrou em contato diversas vezes com o vereador Dirceu Longhi, mas ele não atendeu as ligações e também não retornou. 

 

Ceyd Moreles

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