A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou nessa quarta-feira (10), a prisão preventiva de Jodimar Ximenes Gomes e Hugleice da Silva, por estarem diretamente envolvidos no aborto que resultou na morte de Marielly Rodrigues da Silva, de 19 anos. Os acusados devem continuar presos até o julgamento, que será por júri popular, em uma data ainda não definida.
Conforme o Ministério Público Estadual há indícios suficientes para confirmar a participação dos acusados no crime, ocorrido no dia 21 de maio em Sidrolândia.
Consta no relatório da justiça que Hugleice, além de confessar a própria participação, foi incisivo em apontar Jodimar como a pessoa que realizou o procedimento que resultou na morte de Marielly. Além disso, uma testemunha afirmou ter visto Hugleice e Mariely em frente a casa de Jodimar, no dia do crime.E que após encontrar com Marielly, juntos foram para a cidade de Sidrolândia, tendo, naquela cidade se encontrando com Jodimar, próximo ao Banco do Brasil.
O contanto com Jodimar foi feito pela própria Marielly, mas durante interrogatório à polícia Jodimar argumentou nunca ter visto Hugleice ou Marielly.Hugleice confirmou, categoricamente, que foi o responsável pela contratação e pagamento para a pessoa de Jodimar que praticasse procedimento de aborto na vítima. Ainda pesa contra Jodimar, o fato de a testemunha ter afirmado ter visto ele com luvas cirúrgicas nas mãos, na tarde em que tudo aconteceu.
E ainda que após vinte minutos Jodimar saiu do quarto 'apavorado' e disse que Marielly estava passando mal.A juíza Silvia Eliane Tedardi da Silva entende a ordem pública ficou extremamente abalada, até porque trata-se de um caso que causou comoção popular, “uma vez que o crime é repugnante, ceifando a vida de uma garota de apenas 19 anos”.A decretação da prisão preventiva tem por objeto, também, a conveniência da instrução processual, pois, verifica-se nos autos o interesse dos acusados em atrapalhar as investigações na busca da verdade dos fatos, haja vista que no caso de Jodimar, este se desfez de instrumentos que seriam fundamentais para o processo.
Em busca na casa do enfermeiro, a polícia apreendeu uma maca, sendo que esse objeto chegou a ser retirado da casa de Jodimar. Vários instrumentos cirúrgicos também foram apreendidos. A caminhonete usada por Hugleice para transportar o corpo de Marielly para ser desovado em um canavial em Sidrolândia, também passou por pericia para idenficação de sangue no veículo.
Sendo assim a juíza entende que estão presentes os requisitos para a prisão preventiva, uma vez que com a materialidade comprovada e os indícios de autoria recaindo sobre o representado, a medida é necessária para a garantia da ordem pública, tendo em vista a repercussão que o caso trouxe à população local, bem como pela conveniência da instrução processual, de forma a não haver interferência na coleta de provas que serão fundamentais para o caso.
Ceyd Moreles
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