O desamparo diante da perda de um filho, fez com que o advogado João Escobar lutasse por um objetivo de vida, implantar em Mato Grosso do Sul uma Associação de apoio às famílias que perdem um parente, vítima da criminalidade. A Fundação Bruno Escobar nasce com o intuito de oferecer de maneira gratuita todo apoio que familiares precisam, desde um enterro digno, assistência jurídica, psicológica e social.
João Escobar é pai do jovem Jefferson Bruno Escobar, que aos 23 anos foi morto enquanto trabalhava como segurança em uma casa noturna na Capital. O crime aconteceu no dia 20 de março.
Ele explica que a Fundação pretende ir além do atendimento na sede. “Nós vamos até as escolas, pois os jovens precisam de orientação. Antigamente pai e mãe criavam seus filhos, hoje esse papel é da escola”, diz ele. “Jovens estão morrendo e matando. Meu filho era muito jovem e quem o matou também é jovem. Essas pessoas deveriam estar curtindo a vida e não armados ou pensando em agredir alguém por aí”, desabafa.
A associação, por enquanto, será mantida com recursos próprios, com parcerias e voluntários. “Temos psicólogos, assistentes sociais e doze advogados já disponíveis para atendimento às famílias”. Além disso, João explica que o grupo pretende lutar em prol da impunidade pedindo a frente parlamentar para que o artigo 250 da Constituição Federal, que defende o apoio a qualquer pessoa que perde um parente de maneira violenta, seja colocado em prática. O movimento nacional foi implantado no dia 24 de agosto em Brasília, e a intenção é que Mato Grosso do Sul também faça parte da mobilização. “A lei já existe, agora precisamos fazer valer o direito de todos”, explica o advogado.
Várias famílias já receberam apoio da Fundação nos últimos meses. A mais recente é a do segurança Jhon Eder Cortiana Gonçalves, de 33 anos, assassinado na madrugada deste domingo (11) também enquanto trabalhava em uma casa noturna de Campo Grande. Estão presos acusados pelo crime, Janquiel Marques da Silva júnior, 22 anos, e Diego Ferreira de Souza, de 23 anos.
Já no caso do homicídio do segurança Brunão, o acusado pelo crime, Cristhiano Luna de Almeida, está em liberdade por conta de um habeas corpus concedido no mês de maio. O bacharel em Direito iria enfrentar o Tribunal do Juri no dia 12 de agosto, mas o julgamento foi adiado por conta de um recurso.
Conforme a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Luna Almeida recorreu contra a sentença de pronúncia anunciada no dia 30 de junho. O rapaz quer afastar da acusação as qualificadoras de motivo fútil o recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A corte acatou a queixa por meio de liminar (decisão provisória).
O juiz do Tribunal de Júri, Aluízio Pereira dos Santos informou que manteve a sentença de pronúncia porque “nada tem a modificá-la” e determinou a remessa do processo para o TJ-MS, que deve julgar o recurso do bacharel em Direito.
Enquanto a decisão não chega, João Escobar trabalha para que a morte de Brunão não fique impune. “O crime foi covarde, foi motivo fútil sim, não há o que contestar, o que ele quer na verdade é ganhar tempo”. Ele destaca que quer orientar as pessoas a acompanhar e entender os processos juridicamente.
A Fundação Bruno Escobar será lançada oficialmente no dia 20 de setembro, exatamente seis meses após a morte do jovem, e quem precisar de atendimento já pode procurar a equipe por meio do telefone 3028-3994.
Ceyd Moreles
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