A investigação da Polícia Federal não confirmou a morte do cacique Nísio Gomes, 59 anos, em atentado ao acampamento indígena Guayviri, em Aral Moreira, no dia 18 de novembro. O relatório, que será concluído nesta quinta-feira (22), aponta ainda o indiciamento de 10 pessoas envolvidas no ataque.
De acordo com os indígenas do acampamento, no dia do atentado o cacique Nisio foi assassinado e o corpo foi carregado para uma caminhoneta. No entanto, para a Polícia Federal, não há indícios da execução do líder indígena.
Conforme nota divulgada pela PF, os índios mentiram sobre o que aconteceu. Por isso, entre os indiciados está o filho de Nísio, principal testemunha do caso. Ele foi indiciado por “denunciação caluniosa”, pois o índio acusou “pessoas que sabia inocentes de serem integrantes do grupo armado que atentou contra os indígenas”. Além disso, ele afirmou que os agressores teriam chegado ao local em camionetas, mas em novo depoimento voltou atrás e confirmou que os acusados foram até o acampamento a pé e pela mata.
Sobre a morte do cacique, o laudo pericial concluiu que “ficou impossibilitado de inferir sobre suposto homicídio do indígena Nísio Gomes, visto que a quantidade de sangue que apresentava possível compatibilidade com seu perfil e os demais indícios encontrados no local, não foram suficientes para que se confirmasse tal suspeita”.
De acordo com a perícia, o ferimento do cacique foi causado possivelmente por balas de borracha e não foi suficiente para causar sua morte. Os exames de perfil genético confirmaram a perda de uma pequena quantidade de sangue de Nísio.
No local com sangue em maior quantidade ainda não foi concluído o exame. As amostras também apontaram que um dos agressores foi ferido. De acordo com os indígenas, Nísio Gomes utilizou um machado com veneno de sapo para agredir o invasor.
A investigação aponta que o cacique é considerado desaparecido. Ainda de acordo com a nota da Polícia Federal, “o fato dos cartuchos deflagrados encontrados na área estarem impregnados com sangue do Nisio, demonstra, provavelmente, que o próprio Nísio Gomes tenha procedido a colheita dos cartuchos deflagrados, tendo em seguida entregue ao seu filho”.
A Polícia Federal aponta a demora em avisar as autoridades. A nota diz que os fatos ocorreram no amanhecer e a comunicação a polícia se deu por volta de 09h40min do dia 18 de novembro, portanto, quase quatro horas de intervalo.
Outra questão apontada pelas investigações é que os índios sabiam da chegada dos seguranças e os esperavam pintados para a guerra e armados. O próprio filho de Nísio Gomes estava portando uma espingarda quando os agressores chegaram.
Indiciados
Além do filho do caíque, a Polícia Federal indiciou quatro fazendeiros, um advogado, dois administradores de empresa de segurança e mais três seguranças. As dez pessoas estão sendo apontadas como autoras dos crimes de lesão corporal, formação de quadrilha e porte ilegal de arma de fogo.
De acordo com a nota da PF, os fazendeiros e o advogado contrataram a empresa de segurança, sediada em Dourados, para expulsar os índios no acampamento localizado na Fazenda Nova Aurora.
O pedido de prisão dos acusados foi negado pela Justiça. Três pessoas ainda chegaram a ser presas, mas foram liberadas. O inquérito deve ser concluído na semana que vem.
Adriana Oliveira
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Foto: Cimi-MS