Integrantes da Força Nacional vão permanecer mais 90 dias em Mato Grosso do Sul na fiscalização principalmente nas aldeias indígenas em Dourados, de acordo com a Portaria do Ministério da Justiça. A determinação foi publicada nesta segunda-feira (27), no Diário Oficial da União, assinada pelo ministro José Eduardo Cardozo.
Desde abril do ano passado, a Força Nacional está em tarefa com o auxilio da Polícia Federal na fiscalização em aldeias do Estado. É a Operação designada Tekohá (que significa Nossa Terra). Uma carreta da PF chegou a ficar nas aldeias Jaguapiru e Bororó, para que as ocorrências fossem registradas, agilizando a investigação.
De acordo com a portaria publicada hoje, a Força Nacional irá apoiar as ações da Polícia Federal, nas ações de preservação da ordem pública, “em caráter episódico e planejado”. O objetivo é reduzir os índices de criminalidade contra a comunidade indígena.
A portaria entre em vigor data de publicação.
2ª maior população indígena do país
O país tem 112 milhões de hectares destinados às reservas indígenas e conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país, com 73.295 habitantes, perdendo apenas para o Estado do Amazonas com 168.680 habitantes.
Em dezembro de 2011, foi entregue à Presidência da Câmara dos Deputados na Capital Federal, um relatório das diligências realizadas nas terras indígenas de MS. Os autores do relatório são os deputados federais Domingos Dutra (PT/MA), Erika Kokay (PT/DF) e Padre Ton (PT/RO) que vieram á Dourados e visitaram acampamentos indígenas no extremo sul do Estado.
O relatório aponta um etnocídio dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul, que concentrou, no ano passado, 57% de todos os assassinatos de índios ocorridos no Brasil e denuncia ainda “a omissão do Estado brasileiro em relação aos indígenas daquela região, que sofrem com a violência, o racismo, o confinamento, a desnutrição e precárias condições de vida”.
O documento cita também o suposto assassinato, no último dia 18 de novembro, do cacique Nísio Gomes, cujo corpo continua desaparecido, e “à impunidade que tem marcado os crimes contra os indígenas do Mato Grosso do Sul”.
Karla Lyara
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