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Na música, no Direito ou mesmo em casa, mulheres de MS são exemplos de dedicação

8 março 2012 - 03h13 Por Markito

Não é novidade que as mulheres estão cada vez mais vencendo a luta contra o preconceito. Aquela que antes exercia apenas o dever do lar, agora desempenha várias funções, não só com os cuidados da família, mas no mercado de trabalho. Hoje, 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Com maestria, elas têm provado que podem sim ser mãe, esposa, cuidar das tarefas domésticas, e ainda, ter independência. 

Exemplo dessa realidade é Ramona Pereira Lopes, de 56 anos, formou em Direito, sua segunda faculdade, em 2008 com 53 anos.  “Sempre foi meu sonho fazer direito e nunca é tarde pra realizar. Não existe idade para pessoa estudar. Você sempre tem que buscar um novo horizonte, enfrentar os desafios e estar bem consigo mesma”, diz ela.

Mãe de dois filhos e casada há 35 anos, dona Ramona formou em contabilidade com 21 anos e pretende voltar às salas de aulas ainda em 2012. “Estou mexendo com aluguéis de imóveis no momento. Mas pretendo este ano voltar a estudar, fazer um cursinho e tirar minha carteirinha da OAB, porque tenho planos para trabalhar nessa área”. Na casa dela todos estudaram. O marido é contador, um filho formou em publicidade e o outro cursa medicina no Paraguai.

De fato, a mulher está presente em funções anteriormente ocupadas apenas por homens. Prova de uma vitória em relação ao gênero foi que o Brasil elegeu a primeira mulher presidente da República em 2010. Mesmo com casos de salários ainda inferiores aos dos homens, a figura feminina está conquistando seu espaço na política, na engenharia, na medicina, na música, no esporte e nos mais diversos setores.

“Fiquei meio preocupada quando comecei a dupla com o Thalysson em 2006. Ainda não existia voz feminina aqui no Estado no sertanejo universitário”, conta a cantora Tarsila Dias Acostar, de 23 anos.

A paixão da jovem pela música começou com apenas dois anos de idade. Mas foi aos cinco que ela entrou nas aulas de órgão e teclado. Tharsila conta que várias vezes foi desafiada por ser mulher. “Sempre tem comentários do tipo, será que você consegue? Uma mulher ser líder de turma, praticar atividades físicas que exigem força, entender de assuntos políticos?”, comenta.

Além de cantar que é o que mais ama, ela formou em direito no final do ano passado e o desejo da menina-mulher é de ir ainda mais adiante. “Pretendo estudar muito para me tornar uma diplomata e representar esse país que tanto amo. Dando certo, quero levar a música como projeto para crianças e jovens carentes. Quero que a música toque o coração deles, como tocou o meu”.

Mãe Coruja

A dona de casa, Maria Aparecida, de 48 anos casou em 1988 e depois disso nunca mais voltou ao mercado de trabalho. Ela que trabalhava desde seus 10 anos com vendas optou por cuidar das duas filhas e dos deveres da casa. “Nunca deixei minhas filhas em creche e nem na companhia de ninguém. Eu que sempre cuidei das duas. Preferi ser uma mãe presente”, revela.

Dona Cida, como é chamada, disse que até hoje, mesmo depois das duas filhas estarem crescidas, a preocupação é a mesma e quando elas saem, a "mãezona" não descansa enquanto não retornam para a casa. 

Perto de completar 24 anos de casada, em julho deste ano, o marido de Aparecida não tem o que reclamar. Pai de sete filhos antes do casamento, sempre chega e encontra tudo em ordem. “Sempre tem comida feita em casa. Cuido de tudo e procuro ajudar os filhos dele também, me dou bem com todos”.

Ela concluiu apenas o 1º ano do ensino médio e disse que até tentou terminar os estudos, mas teve dificuldades. “Fiz EJA, mas cheguei no 2º ano e não consegui concluir por causa da física e da química”.

Mesmo depois de tantos anos, o desejo de dona Cida é terminar o ensino médio e ingressar em uma universidade. “Quero fazer faculdade de assistência social. Eu gosto dessa área de ajudar as pessoas”.

Karla Lyara

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