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Causa indígena gera protesto e desabafo em todo o país

10 novembro 2012 - 04h45 Por Mariana Anjos / Com Informações Dourados Agora

Manifestantes de todo o país se reuniram no final da tarde dessa sexta-feira em manifestação contra o genocídio dos povos Guarani-Kaiowá. Ao todo, 51 cidades confirmaram o ato em defesa dos povos indígenas nas cinco regiões do país. No Mato Grosso do Sul, os manifestantes se organizaram nas cidades de Campo Grande, Iguatemi, Naviraí e Dourados.

Em Dourados o ato em defesa dos povos indígenas aconteceu na praça Antônio João, a partir das 16h. Toda a turma de Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu da Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) participou da manifestação. Em Campo Grande, a concentração foi realizada na Praça Ary Coelho, centro da capital.

Indígenas de aldeias de Dourados e região também participaram do ato, que reuniu familiares do cacique Nisio Gomes, desaparecido desde o início do ano quando pistoleiros invadiram acampamento indígena em Aral Moreira e levaram Nisio. A Polícia Federal investiga o caso e acredita que o indígena tenha sido assassinado. O corpo dele não foi encontrado até hoje. Também participou do ato familiares de Marcos Veron, ex-líder dos guarani-kaiowá. Ele foi assassinado em 2003, na cidade de Juti (MS), quando homens armados espancaram e atiraram em índios, entre eles Veron.
 
A população se solidarizou depois que a comunidade Pyelito Kue/M’brakay se manifestou, no mês passado, por meio de uma carta, contra ordem de despejo emitida pela Justiça Federal de Navirai-MS. A determinação era que cerca de 30 famílias da aldeia Passo Piraju deveriam sair da região onde vivem, em Porto Cambira, no Mato Grosso do Sul. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu a ordem e determinou que os 170 guarani-kaiowá podem permanecer no local até o término dos trabalhos de delimitação e demarcação das terras na região.
 
Anastácio Peralta, estudante do curso Indígena Teko Arandu, da UFGD, diz que o que tem tornado a demarcação de terras um tema tão polêmico e causador de tantas mortes é a demora, e a falta de informações claras sobre o tema. “Precisamos que sejam publicados os estudos antropológicos, para saber onde são os Territórios Indígenas.
 
Lógico que a gente sabe quais são as terras que são nosso tekohá, mas a gente não foi lá medir, colocar limite, entende? Então, como não tem o estudo mostrando onde são as terras, gera muito conflito. As pessoas acham que a gente quer pegar toda a terra, que vamos acabar com as fazendas. Não é isso. É pouca terra que a gente quer”, explica Anastácio.
 

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