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Clima é tenso na aldeia após morte de adolescente indígena em Dourados

19 fevereiro 2013 - 08h52 Por Mariana Anjos / Com Informações Caarapo News

O clima é tenso na aldeia Te’ Yikuê, em Caarapó, após o assassinato de um adolescente indígena, da etnia Guarani-Kaiowá, ocorrido na noite do último sábado (16). Conforme noticiado pelo site CaarapoNews, Denilson Barbosa, 15 anos, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, em uma estrada vicinal da reserva indígena. 

Lideranças ouvidas pela reportagem afirmam que o adolescente, antes de ser encontrado sem vida, estava na companhia de outros dois colegas e estariam pescando em um lago, localizado dentro de uma fazenda que faz divisa com a aldeia.

Ainda de acordo as lideranças indígenas, o trio teria sido surpreendido por três homens armados que supostamente teriam sido contratados pelo proprietário da fazenda para cuidar da propriedade. Dois indígenas teriam conseguido fugir, porém, Denilson teria ficado enroscado em uma cerca de arame farpado e acabou sendo pego. Os indígenas acreditam que o menor teria sido torturado e assassinado.
 
Informações apuradas pelo CaarapoNews dão conta que na propriedade existem criadouros de peixes, que constantemente vinham sendo furtados e devido a isso o proprietário teria contratado seguranças para cuidar do local. Porém, não se sabe se teria sido esse o motivo da morte do menor.
 
Em um primeiro momento imaginou-se que o indígena teria sido atropelado, pois no local do crime havia marcas de que um veículo teria passado sobre seu corpo, fato esse que foi descartado após a perícia localizar o ferimento ocasionado, provavelmente, por um revolver calibre 38. 
Revoltados, no início da noite de domingo, dezenas de indígenas foram até a sede da fazenda e ameaçavam invadir a residência e linchar o proprietário, identificado como Orlandino Carneiro Gonçalves, que teria acionado as autoridades do município.
 
Equipes da Funai, Polícia Federal, Força Tática e Polícia Militar de Caarapó estiveram no local para garantir a integridade do fazendeiro e sua família. Na tarde dessa segunda-feira (17) os indígenas, que seguem acampados na fazenda, enterraram o corpo do menor na propriedade, que de acordo com estudos antropológicos, seria área de demarcação indígena. A reportagem tentou contato com o proprietário da fazenda, mas até o momento não obteve êxito.
 
No início dessa noite, o protesto ganhou repercussão nacional após a publicação de uma nota do conselho Aty Guasu (Grande Assembleia) dos Guarani-Kaiowá, cobrando investigação do caso por parte da Polícia Federal.
 

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