A coordenadora Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul (Cppir/MS), Raimunda Luzia de Brito, acompanhada do secretário estadual de Obras, Edson Giroto, visita, nesta sexta-feira (3), às 10 horas, a comunidade negra rural quilombola de Furnas dos Baianos, localizada no Distrito de Piraputanga, no município de Aquidauana. Os quilombolas da região reivindicam do governo uma patrulha mecanizada, construção de uma ponte de madeira, patrulhamento das estradas e água encanada.
O secretário de Obras, Edson Giroto (deputado federal licenciado), vai ouvir (durante uma reunião com as lideranças negras) as principais reivindicações dos quilombolas, dentre elas, a aquisição de um novo trator e a instalações de água encanada, para voltar a funcionar a nova indústria de farinha, que foi inaugurada no dia 16 de maio de 2012, na comunidade negra. “Vamos solicitar uma patrulha mecanizada do governo para o plantio de feijão, milho e mandioca”, disse Juliete Gomes da Silva, presidente da Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola de Furnas dos Baianos.
Segundo Jueliete, a indústria de farinha está parada por falta de água encanada. “Não temos água encanada. Utilizamos água da nascente do Córrego das Antas, um que passa na comunidade”, disse Silva ao informar que 60% da obra para instalação de água no local está paralisada. “Precisamos de água encanada para funcionamento da nova fabrica de farinha”, afirmou.
Construção de ponte
Outras reivindicações que serão formalizadas pelos quilombolas e entregues aos representantes do governo dizem respeito à construção de uma ponta de madeira sobre o rio Córrego das Antas para acesso entre os moradores das Furnas dos Baianos, um e dois, localizadas na região do município de Aquidauana. “As comunidades estão com dificuldades de acesso para trabalharem na fabrica de farinha devido às más condições das estradas e à falta de uma ponte que liga as duas Furnas dos Baianos”, explicou Juliete Silva, ao informar que outra solicitação de urgência ao governo será o patrulhamento das estradas que ligam as duas comunidades negras. “Devido à erosão, os carros pequenos estão com dificuldades de passarem por essas estradas, que estão bem ruins”, disse Silva.
Prioridades
Os integrantes da Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola de Furnas dos Baianos, durante uma visita realizada no mês de março, à coordenadora da Cppir, Raimunda de Brito, falaram das principais dificuldades enfrentadas pela comunidade negra do local. “A nossa visita em Furnas dos Baianos também é para ver se ainda há possibilidade de otimizar a farinheira, que há um ano foi inaugurada e ainda não está funcionando. A fabrica de farinha não pode ficar parada”, afirmou Brito lembrando que outra reivindicação, por parte dos quilombolas, é um novo trator para atender na produção da agricultura familiar. “O trator que eles tinham quebrou. Eles não estão tendo condições de pagar para poder trabalhar a terra. Portanto, nós vamos ver o que mais eles estão reivindicando ao governo e no que será possível atendê-los”, disse a coordenadora da Cppir.
Sinal de Internet
Outra solicitação da comunidade de Furnas dos Baianos é com relação à falta de sinal de internet, para o funcionamento de 11 computadores que foram instalados no local pela Eletrosul. “Os computadores estão aqui parados, por falta de antena. Estamos sem internet”, lamentou Silva.
Indústria de farinha
O moderno Centro Comunitário de Produção (CCP) de Furnas dos Baianos tem capacidade de produzir 750 kg de farinha/mês. A construção da nova indústria, que fica há 35 quilômetros da cidade de Aquidauana, teve a parceria dos governos federal, estadual e municipal. Uma realização da Eletrobrás e Eletrosul, através do Programa Luz para Todos, da Prefeitura Municipal de Aquidauna, da Enersul e da Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola de Furnas dos Baianos.
Participação do governo
A Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), por meio da Unidade Estadual de Prevenção e Combate à Discriminação Etnico-Social, participou do projeto Farinheira, fazendo a articulação entre o governo federal, município e comunidade. Outra atribuição da Setas foi a administração de cursos de capacitação para toda a comunidade quilombola.
De acordo com as informações da Prefeitura Municipal de Aquidauana, além da mandioca fornecida pelos moradores locais, plantada em uma área de 24 hectares, a fábrica irá processar matéria-prima oriunda das aldeias indígenas, assentamentos rurais e outros distritos da região, favorecendo a agricultura familiar do município.
A comunidade foi grande produtora de farinha, por meio de oito farinheiras artesanais. Hoje restam apenas duas em atividade, apenas para consumo das famílias. A paralisação ocorreu após a desativação do trem de passageiros da rede ferroviária federal, na década de 90. Atualmente, a principal atividade da comunidade é a pecuária de corte e leiteira, sendo a agricultura e fruticultura apenas para subsistência.
Atuam como colaboradores do projeto da farinheira a Eletrobras, Eletrosul, a Prefeitura Municipal de Aquidauana, a Enersul, a Coordenação Estadual do Programa Luz para Todos de Mato Grosso do Sul e a Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola de Furnas dos Baianos.
Furnas dos Baianos
A comunidade quilombola Furnas dos Baianos está localizada no distrito de Piraputanga, há 35 km da cidade de Aquidauana, com um número de 22 famílias que sobrevivem basicamente da agricultura familiar com a plantação de milho, feijão e mandioca. Possui uma organização social denominada Associação Negra Rural Quilombola Furnas dos Baianos.
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
1367583708