Após receberem a notícia de que a Feira Brasbol será interditada com bases em irregularidades jurídicas, e por recomendações do Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Ministério Público Estadual, por meio da 5ª Promotoria de Justiça de Corumbá, os feirantes se reuniram para discutir que medidas iriam tomar. Numa reunião realizada na tarde de quarta-feira (15), na Procuradoria Geral do Município (PGM), os representantes da Brasbol, tomaram ciência das medidas e que têm um prazo de 48 horas para cessar as atividades comerciais, de forma temporária, no local.
O clima que tomava conta dos comerciantes era de extrema preocupação. Muitos reagiram à notícia com forte emoção e outros com revolta, pela forma como a medida está sendo aplicada, sem permitir alternativa para continuidade do comércio de produtos diversos que significa o sustento de 208 feirantes associados, entre eles brasileiros, bolivianos, peruanos e libaneses.
Os comerciantes alegam que pagam os impostos devidos para a prática do comércio no local, além de possuírem alvará para o funcionamento. Por sua vez, a Prefeitura argumenta com o artigo 86 da Lei Complementar 004/91 (Código de Posturas do Município) que o documento fornecido aos feirantes é irregular, pois descumpre os incisos do referido artigo que pregam que é preciso anexar: atestado de cumprimento das normas contidas no código de obras do Município; atestado de cumprimento das normas de segurança mínima contra incêndio e atestado de cumprimento das normas relativas de trânsito.
"Se está irregular por que nos deram o alvará e nos cobraram para tê-lo? O que querem suspostamente é regularizar. Não somente a feirinha vai perder, vai perder Corumbá, pessoas que dependem do trabalho aqui, são mais de 1.200 empregos diretos e indiretos", diz Jimmy Antezana ao Diário, presidente da honra da Brasbol, rebatendo críticas de que o funcionamento da feira traria prejuízos ao comércio local.
Na avaliação dele, de todos os momentos que os feirantes passaram ao longo desses 18 anos de funcionamento, essa interdição é a situação mais complicada. "Esse foi o golpe mais duro e mais triste para nós porque por tantas coisas já passamos de sol a chuva, fiscalizações e apreensões da Receita Federal. Querer parar repentinamente não dá", falou o representante dos feirantes quando foi interrompido por Marta Antecopas, que declarou: "Nós dependemos disso, não temos outro lugar. Temos várias contas não apenas com gastos de família, temos carregadores, contadores e pedimos infinitamente para as autoridades, principalmente, ao prefeito, que ponham as mãos ao peito e sejam tocados. Que nos deixem trabalhar porque é isso que fazemos há 18 anos. Minha filha nasceu aqui, então eu peço de coração ao prefeito, ao promotor, às autoridades é que nos deixem trabalhar, em qual lugar que seja, mas que nos deixem trabalhar, pelo amor de Deus, é a única coisa que peço", disse a feirante emocionada.
Jimmy Antezana esclareceu que os feirantes não são contra as melhorias das instalações no local, porém numa avaliação preliminar, ele afirma que, atualmente, os feirantes não têm condições financeiras de arcar com todas as exigências num prazo de cerca de 20 dias, como foi a eles repassada a informação.
"Se está irregular, a gente regulariza, mas temos que ter um prazo maior e enquanto isso a gente não pode parar de trabalhar porque temos que arcar com nossos compromissos, temos família para sustentar", argumentou.
No final da manhã desta 5ª feira, 16 de maio, mesmo debaixo de chuva, os feirantes fizeram uma passeata que saiu da Feira Brasbol até a sede da Prefeitura Municipal de Corumbá numa forma de buscar sensibilizar as autoridades. O grupo, que ficou na saída do estacionamento, carregava cartazes e entoava gritos de ordem como: "prefeito, queremos trabalhar".
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Fotos: Anderson Gallo/Diário Online