Mesmo entre os muros da prisão, reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Zorzi”, na Capital, estão podendo vivenciar a liberdade proporcionada pela dança. Projeto desenvolvido por meio de parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Fundação Municipal de Cultura (Fundac) está proporcionando aulas de jazz e dança do ventre para 28 internas do presídio. Este é o segundo ano em que a ação é desenvolvida no estabelecimento penal.
As aulas tiveram início há cerca de um mês e acontecem uma vez por semana, sendo ministradas pela bailarina Suzana Leite. A iniciativa tem como objetivo estimular a melhoria na autoestima das custodiadas e, até mesmo, capacitá-las para atuarem profissionalmente como dançarinas, representando um meio de sustento quando conquistarem a liberdade.
O presidente da Fundac, Júlio César Pereira Cabral, foi ao presídio na última sexta-feira (17) para conhecer pessoalmente o projeto, e revelou ter ficado encantado com o trabalho. “A arte é muito importante no processo de transformação, e a Fundação de Cultura estar podendo desenvolver isso aqui, nesse astral bacana que pude perceber, e que até me emocionou, é motivo de orgulho para nós”, afirmou. Conforme o presidente, a Fundac irá estudar a possibilidade de ampliar as ações de cultura junto à população prisional.
Durante a visita, as reeducandas fizeram uma apresentação de “improviso”, demonstrando passos de jazz. Mesmo com pouco tempo de ensaio, a interna Letícia dos Santos Correia arrancou aplausos da plateia ao desenvolver movimentos da dança do ventre. Houve ainda apresentação especial da dançarina profissional Arlete Calves.
De acordo com a diretora do presídio, Mari Jane Boleti Carrilho, as aulas de dança, assim como a experiência vivenciada no ano passado, têm contribuído para combater o estresse nas detentas. “A dança alivia os males da alma”, disse.
Para a reeducanda Ana Paula Santos, o projeto demonstra o comprometimento que a Agepen tem "em buscar ações que possibilitem a ressocialização das internas" do presídio. ”E que, em breve, a sociedade nos veja com outros olhos”, completou a custodiada Mirele Dias.
Também estiveram presentes na apresentação o diretor de Operações da Agepen, Pedro Carrilho de Arantes, e os representantes da Fundac: Américo Yule de Oliveira e Clarisse Benites.
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